A gripe é uma doença respiratória aguda causada pelos vírus Influenza, que acometem principalmente o nariz, a garganta e os pulmões. Trata-se de uma infecção altamente transmissível e que circula em todo o mundo, especialmente nos períodos mais frios do ano. Embora muitas pessoas se recuperem em poucos dias, a gripe não deve ser subestimada, pois pode levar a complicações graves, como pneumonia, insuficiência respiratória e agravamento de doenças crônicas, sobretudo em idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares, pulmonares ou imunossupressão.
O Espírito Santo permanece com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em níveis de alerta, risco ou alto risco, impulsionada pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e pelas influenzas A e B. Os dados foram divulgados no último dia 11 de junho pelo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a partir da análise da Semana Epidemiológica 22, referente ao período de 31 de maio a 6 de junho de 2026.
Enquanto 16 unidades da Federação apresentam estabilização ou queda nos registros, o território capixaba e outros 11 estados mantêm incidência elevada de internações. Os resultados laboratoriais indicam que o VSR lidera os casos em crianças de até quatro anos; o rinovírus predomina de cinco a 14 anos; e a influenza A afeta principalmente jovens, adultos e idosos. No cenário nacional, o Brasil já soma 82.544 casos notificados de SRAG e 3.591 óbitos registrados em 2026.
Os principais sintomas da gripe costumam surgir de forma repentina. Entre eles estão febre, dor de cabeça, dores musculares intensas, cansaço, mal-estar generalizado, dor de garganta, tosse seca e coriza. “Em alguns casos, podem ocorrer calafrios e perda de apetite. A intensidade dos sintomas, como a febre, é uma das características que diferenciam a gripe de outras infecções respiratórias mais leves”, explica Raphael Zanotti, infectologista do Hospital Santa Rita.
Uma característica importante do vírus Influenza é sua capacidade de sofrer mutações frequentes. “Todos os anos, pequenas alterações genéticas modificam partes do vírus reconhecidas pelo sistema imunológico. Por esse motivo, uma pessoa que já teve gripe anteriormente pode voltar a ser infectada em temporadas seguintes. Em outras palavras, a imunidade adquirida por uma infecção anterior nem sempre é suficiente para proteger contra as novas variantes que passam a circular, o que explica a recorrência da doença ao longo da vida”, pontua o médico.
O infectologista Lauro Ferreira Pinto, do CVP Vacinas, explica que o vírus Influenza sofre constantes transformações. “Por causa dessas mutações frequentes, a imunidade adquirida em anos anteriores ou por infecções passadas pode se tornar menos eficaz, permitindo que uma mesma pessoa adoeça novamente e volte a apresentar os sintomas típicos da gripe”.
Para diminuir a transmissão do vírus da gripe, o recomendado é adotar medidas de higiene e etiqueta respiratória, como lavar as mãos com frequência, usar álcool em gel, cobrir a boca ao tossir, evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados. "Os locais com pouca ventilação facilitam o acúmulo de partículas virais no ar e aumentam o tempo de suspensão das gotículas respiratórias, elevando o risco de contágio", diz Lauro Ferreira Pinto.
O médico alerta que a vacinação anual também é fundamental. Além da proteção individual, a imunização contribui para reduzir a circulação do vírus na população, protegendo indiretamente pessoas mais vulneráveis e ajudando a diminuir a pressão sobre os serviços de saúde.
“A vacina contra a gripe (Influenza) é a principal e mais eficaz medida para prevenir a infecção e, principalmente, reduzir drasticamente o risco de complicações graves, hospitalizações e mortes”, informa o médico.