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A alergia à proteína do leite tem cura? Entenda se a condição é temporária

Em muitas crianças, a APLV desaparece com o crescimento, permitindo que o leite seja reintroduzido de forma gradual e segura

Publicado em 08 de Julho de 2026 às 17:15

Portal Edicase

Publicado em 

08 jul 2026 às 17:15
A APLV é mais comum em bebês e crianças pequenas (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)
A APLV é mais comum em bebês e crianças pequenas Crédito: Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock
Nas redes sociais, a Viih Tube compartilhou uma notícia que trouxe alívio para a família: o filho Ravi, de um ano e sete meses, está curado da Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Após meses de acompanhamento médico e da realização de exames, o menino recebeu autorização da equipe de saúde para consumir leite e seus derivados, marcando o fim de um período de cuidados e restrições alimentares.
A APLV é uma reação do sistema imunológico às proteínas presentes no leite de vaca, como a caseína e as proteínas do soro. Ela é mais comum em bebês e crianças pequenas e pode provocar sintomas como manchas na pele, coceira, vômitos, diarreia, cólicas, sangue nas fezes e, em casos mais graves, dificuldade para respirar. O tratamento consiste na exclusão do leite de vaca e de seus derivados da alimentação, sempre com orientação médica e nutricional.
Em muitas crianças, a APLV desaparece com o crescimento, permitindo que o leite seja reintroduzido de forma gradual e segura, sob acompanhamento de um especialista. Abaixo, confira alguns pontos importantes sobre o assunto.

1. A maioria das crianças deixa de ser alérgica ao longo da infância

Uma das maiores dúvidas das famílias é se o diagnóstico de APLV acompanha a criança por toda a vida. Porém, isso nem sempre acontece. Com o amadurecimento do sistema imunológico , é comum que o organismo passe a tolerar naturalmente as proteínas do leite. A pediatra Dra. Ana Carolina Viégas, especialista em Pediatria e Terapia Intensiva Pediátrica, explica que essa evolução faz parte da história natural da doença.
“A maior parte das crianças com APLV desenvolve tolerância espontânea durante a primeira infância. Isso acontece porque o sistema imunológico amadurece e deixa de responder de forma exagerada às proteínas do leite. Apesar desse excelente prognóstico, cada criança tem seu próprio tempo de evolução. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável durante todo o tratamento”, alerta.

2. APLV e intolerância à lactose são doenças diferentes

Outra confusão frequente acontece entre a alergia à proteína do leite e a intolerância à lactose. Embora ambas estejam relacionadas ao consumo de leite, elas têm causas completamente distintas. A pediatraDra. Renata Castrodestaca que o diagnóstico correto evita tratamentos inadequados e restrições alimentares desnecessárias.
“Na APLV, existe uma reação do sistema imunológico contra as proteínas do leite, podendo provocar sintomas digestivos, respiratórios e alterações na pele. Já a intolerância à lactose acontece pela deficiência da enzima lactase, responsável pela digestão do açúcar do leite. São condições diferentes e que exigem abordagens completamente distintas”, afirma.
A especialista lembra ainda que, durante o período de exclusão do leite, a alimentação deve ser acompanhada para garantir que a criança continue recebendo todos os nutrientes necessários para o crescimento.
A reintrodução do leite na alimentação da criança deve seguir protocolos médicos rigorosos (Imagem: Hananeko_Studio | Shutterstock)
A reintrodução do leite na alimentação da criança deve seguir protocolos médicos rigorosos Crédito: Imagem: Hananeko_Studio | Shutterstock

3. A reintrodução do leite só deve acontecer com autorização médica

Mesmo quando os sintomas desaparecem, isso não significa que a alergia foi superada. Antes de liberar novamente o consumo do leite, são realizados testes específicos para avaliar a resposta do organismo. A médica alergista e imunologistaDra. Brianna Nicolettiexplica que esse processo deve ser conduzido exclusivamente por profissionais habilitados.
“A confirmação da tolerância não acontece apenas porque a criança deixou de apresentar sintomas. Existem protocolos clínicos específicos que permitem avaliar se o organismo já consegue consumir as proteínas do leite com segurança. A reintrodução nunca deve ser feita por iniciativa da família, principalmente quando houve histórico de reações importantes”, ressalta.
Segundo a especialista, cada paciente responde de forma diferente ao tratamento e o tempo necessário para desenvolver tolerância pode variar bastante. Embora a recuperação de Ravi represente uma excelente notícia, não existe uma regra única para todas as crianças. O acompanhamento com pediatra, alergista e, quando necessário, nutricionista continua sendo a melhor forma de garantir um tratamento seguro, preservar o desenvolvimento infantil e definir o momento ideal para a reintrodução do leite na alimentação.
Por Sarah Carvalho

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