Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Os altos e baixos de Casagrande na economia do ES
Balanço de 2019

Os altos e baixos de Casagrande na economia do ES

A coluna separou alguns episódios ligados ao cenário econômico capixaba que mereceram destaque no primeiro ano do governo de Renato Casagrande

Publicado em 04 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

04 jan 2020 às 04:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Data: 14/12/2019 - ES - Vitória - O governador Renato Casagrande durante entrevista ao jornal A Gazeta Crédito: Carlos Alberto Silva
O primeiro ano do governador Renato Casagrande (PSB) no comando do Espírito Santo, do ponto de vista da economia capixaba, não foi de grande entusiasmo, mas também o Estado não amargou problemas fiscais como muitos outros entes do país, que aos poucos tenta se reerguer da pior crise da sua história.
A economia local, como cheguei a abordar na coluna da semana passada, se mostrou estável ao longo do ano de 2019. Não vivemos uma montanha-russa, mas também não dá para dizer que passamos ilesos a altos e baixos.
Tivemos de tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, que trouxe reflexos negativos para a produção industrial do Espírito Santo, a acordo do Parque das Baleias, que garantiu recursos bilionários vindos do setor de petróleo e gás e que serão importantes para investimentos no Estado. Fora o fato de termos nos consolidado como uma referência Brasil afora no quesito responsabilidade fiscal.
O Espírito Santo foi o único ente da federação a conquistar a nota A do Tesouro Nacional, em 2019, assim como é o único a colher esse feito nos últimos oito anos.
Aliás, a necessidade de preservar o equilíbrio das contas públicas virou praticamente um mantra na administração de Casagrande, que repetiu incontáveis vezes esse compromisso em seus discursos, pronunciamentos e entrevistas ao longo do ano que se encerrou. Mas além da preocupação com as finanças, o que mais marcou a gestão do socialista, sob a ótica econômica, nos 365 dias do seu segundo mandato como chefe do Executivo capixaba?
Bom, não faltaram episódios, que foram de polêmicos e desgastantes a otimistas e inovadores. Logo nos primeiros dias de governo, a escolha de Renato Casagrande para o Banestes criou uma crise, já que no dia 29 de janeiro o então presidente da instituição bancária Vasco Cunha Gonçalves foi preso pela Polícia Federal na operação Circus Maximus, que apurava pagamento de propina a ex-integrantes do Banco de Brasília (BRB), que já havia sido presidido por Vasco.
As dificuldades com a formação da equipe também apareceram na busca por um secretário de Desenvolvimento. Em dezembro de 2018, Casagrande optou pelo engenheiro Heber Resende. Mas o profissional, que atuou por anos na Petrobras, não se adaptou tão bem à função e, sete meses depois de assumir o cargo, o governador o transferiu para a presidência da recém-criada ES Gás.
O desafio foi encontrar um novo nome para a pasta. Foram 29 dias sem um secretário efetivo. Somente em 21 de agosto é que Casagrande anunciou o advogado e ex-secretário de Desenvolvimento de Anchieta, Marcos Kneip. Antes dele, várias tentativas frustradas, como com o convite feito ao empresário Rogério Salume, da Wine, que recusou a proposta.
Em 2019, Casagrande também precisou lidar com temas impopulares como a reforma da Previdência. Como o projeto aprovado no Congresso não contemplou Estados e municípios, coube ao governador capitanear essa pauta. Na reta final do ano, o socialista conseguiu aprovar todos os projetos que propôs para mudar as regras de aposentadoria dos servidores estaduais.
O mérito do chefe do Palácio Anchieta foi ter tomado a iniciativa e não ficar esperando pela chamada PEC Paralela, mas o texto da reforma foi protocolar. Seguiu o que já havia sido aprovado no âmbito nacional.
Para evitar o desgaste político, Casagrande ousou pouco no projeto. A economia nos próximos 10 anos será de aproximadamente R$ 3 bilhões, ou seja, cerca de R$ 300 milhões por ano, um volume pequeno perto do rombo previdenciário de mais de R$ 2,5 bilhões anuais.
Na lista de projetos enviados pelo Executivo à Assembleia Legislativa, outros três foram mais inovadores, como os que criaram os fundos Soberano e da Infraestrutura, e o que permitiu a utilização de créditos de ICMS, por empresas exportadoras, em investimentos em terras capixabas.
No caso do Fundo Soberano, o Espírito Santo foi o primeiro Estado a criar um mecanismo com esse perfil, que prevê que o dinheiro do petróleo seja aplicado pensando no futuro das próximas gerações. A proposta é excelente, mas para ser exitosa é essencial que várias brechas que o texto original deixava sejam extintas durante a regulamentação do fundo, que deve ser concluída nos primeiros meses de 2020.
O ano de 2019 também testou as habilidades de Casagrande de fazer o meio de campo entre o segmento empresarial e político. Por várias ocasiões ao longo do ano passado, deputados estaduais foram bastante agressivos (verbalmente) com empresas e/ou representantes do setor produtivo. Conforme relatei, em outubro neste espaço, o discurso radical vindo de alguns parlamentares capixabas era visto com receio por investidores.
Em eventos, como o que Casagrande apresentou projeto de redução e extinção de multas por descumprimento de obrigações acessórias, o governador precisou afagar as duas partes, ressaltar o papel e a importância das instituições e fez questão de dizer que o Estado tinha um ambiente saudável para os investimentos. O incêndio foi contornado.
O saldo geral de 2019 na gestão de Casagrande é positivo, mas do ponto de vista prático para a economia e para a vida das pessoas, poucas mudanças foram sentidas.
É natural que o primeiro ano de um governo seja para tomar pé da situação e engatilhar projetos, ainda mais quando esse primeiro ano é de economia ainda fragilizada na esfera nacional. Agora, em 2020, isso será diferente. A sociedade capixaba vai esperar e cobrar mais do governo Casagrande. Ações que ajudem a retomada do emprego, a melhora da infraestrutura e a atração de negócios serão essenciais. O otimismo já voltou a existir entre a população, a entrega dos resultados é o que fará a diferença no novo ano.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Eriksen, camisa 10 da seleção dinamarquesa caiu desacordado em campo
Eriksen fará reabilitação individual na Dinamarca após problema cardíaco
Henrique Kruger
Nova geração do esporte capixaba vai além do futebol e conquista espaço em competições nacionais e internacionais
Imagem de destaque
Falta de ar: veja condições que podem causar o sintoma e quando procurar um médico

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados