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O que está por trás da onda de calor na Europa associada a 1.300 mortes

O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a Europa não está preparada para altas temperaturas, ligadas a cúpula de calor e mudanças climáticas

Publicado em 28 de Junho de 2026 às 19:35

BBC News Brasil

Publicado em 

28 jun 2026 às 19:35
Imagem BBC Brasil
Polônia registrou temperatura recorde de 40,5°C neste domingo Crédito: Reuters
A onda de calor sem precedentes que atinge a Europa no início do verão pode ser responsável por centenas de mortes em excesso, segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Recordes de temperatura foram quebrados novamente em todo o continente no domingo — inclusive na Alemanha, Polônia e República Tcheca —, à medida que o calor extremo continuava avançando para o leste.
Em uma publicação no X, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que mais de 1.300 mortes em excesso foram registradas desde 21 de junho "associadas às altas temperaturas na Europa".
"O estresse térmico costuma ser chamado de 'assassino silencioso' — e as casas, os locais de trabalho e as escolas da Europa não foram projetados para essas temperaturas", afirmou.
Na manhã deste domingo (28/6), o Ministério da Saúde da França informou que houve cerca de mil mortes a mais do que o esperado no país desde quarta-feira.
Segundo o órgão, muitas dessas mortes ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais, após ser registrado um aumento de 40% no número de pessoas que morreram em casa.
"A Europa é o continente que mais aquece no planeta, com um ritmo de aquecimento duas vezes superior à média global", alertou Tedros.
Milhões de pessoas em todo o continente vivem atualmente sob calor extremo, "centenas morreram, escolas estão fechadas e as redes de energia estão sob pressão", acrescentou.
Imagem BBC Brasil
A Alemanha registrou o dia mais quente de sua história pelo terceiro dia consecutivo Crédito: Reuters
No domingo, a Alemanha registrou o dia mais quente de sua história pelo terceiro dia consecutivo, depois que uma temperatura de 41,7°C foi registrada no leste do país, segundo dados preliminares.
Uma estação meteorológica em Coschen, perto da fronteira com a Polônia, no leste do estado de Brandemburgo, registrou 41,7°C por volta das 16h (horário local).
A República Tcheca também bateu seu recorde de temperatura pelo segundo dia consecutivo, registrando 41,1°C em Doksany, ao norte de Praga, informou o instituto meteorológico CHMI.
O CHMI afirmou que esperava que o calor atingisse seu pico no domingo, com previsão de tempestades relativamente fortes para as áreas do oeste do país mais tarde.
A Polônia também bateu seu recorde histórico de temperatura, com 40,5°C na cidade de Słubice, informou à agência AFP uma porta-voz do Instituto de Meteorologia e Gestão da Água (IMGW).

Por que está tão quente na Europa?

Até que ponto El Niño é responsável pelas ondas de calor na Europa?
O El Niño — o fenômeno climático natural que eleva as temperaturas globais — começou oficialmente, segundo anunciaram cientistas americanos, no dia 11 de junho.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) declarou que as condições do El Niño já estão em curso no Pacífico tropical, com um aumento acentuado da temperatura da superfície do mar nos últimos meses.
Diversas previsões das agências climáticas nacionais indicam que ele poderá ser um dos mais fortes já registrados — um possível "super" El Niño.
A Organização Meteorológica Mundial, da ONU, já havia alertado sobre a força do fenômeno esperado em 2026, gerando mais eventos climáticos extremos em grande parte do mundo.
Mas não há uma ligação forte entre El Niño e as ondas de calor nesta região específica do norte da Europa. "O El Niño eleva as temperaturas, especialmente no Sudeste Asiático e na Austrália", explica Esme Salar, repórter de clima da BBC News.
O El Niño pode até aumentar a possibilidade de que o inverno europeu comece de forma moderada e termine com frio, mas sua relação com o clima da região não é tão forte.
O que acontece nesta onda de calor específica, informa a jornalista, é que uma massa de ar de alta pressão estática está parada sobre a Europa — o que aprisiona todo o calor embaixo dela. Ela também é conhecida como cúpula de calor.
Esse padrão meteorológico faz com que o ar desça pela atmosfera, se comprimindo e aquecendo ao atingir o solo. E esse ar descendente também seca, o que impede a formação de nuvens, permitindo que a luz solar intensa aqueça o solo ainda mais.
"Ao mesmo tempo, ventos estão puxando ar quente do norte da África, o que eleva ainda mais as temperaturas. E pode até parecer pior do que em ondas de calor normais, porque a umidade está muito alta no momento, o que dificulta bastante a transpiração", afirma.
Esse tipo de onda de calor é frequente, mas, nesses níveis de temperatura, não é normal, avalia Salar. "É, em grande medida, a mudança climática que impulsiona esse tipo de evento", continua a repórter.
Tedros também atribuiu às mudanças climáticas a responsabilidade pelo clima extremo e alertou que a Europa está aquecendo "a uma velocidade duas vezes superior à média global".
"Impulsionado pelas mudanças climáticas e pelo aquecimento global, o fenômeno da onda de calor, que ocorria 'uma vez por geração' agora acontece praticamente todos os anos", afirmou.
Ele pediu que os países europeus "implementem planos de ação para a saúde durante ondas de calor", como parte dos esforços para proteger a população diante das mudanças climáticas.

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