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Michelle abre guerra nas redes contra Flávio Bolsonaro e tenta influenciar decisão do PL no Ceará: 'Me tratam como idiota'

Ex-primeira-dama volta a criticar tentativa do PL de apoiar Ciro Gomes e diz que enteado a 'maltratou'

Publicado em 24 de Junho de 2026 às 19:35

BBC News Brasil

Publicado em 

24 jun 2026 às 19:35
Imagem BBC Brasil
Crédito: Reprodução Instagram/Michelle Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou, nesta quarta-feira (24/6), dois vídeos com críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nas gravações, que somam 27 minutos, Michelle responde às cobranças para se empenhar no apoio à pré-candidatura do seu enteado e disse ter recebido uma "punhalada" dele no ano passado, quando a família Bolsonaro viveu uma crise em torno das articulações políticas para as eleições no Ceará.
Ela disse que, na época, o senador a "maltratou" e tratou seu apoio como algo "insignificante".
Naquela ocasião, Michelle criticou diretamente a intenção do PL de apoiar Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual, decisão que, segundo Flávio Bolsonaro, contaria com a aprovação do pai, dentro de uma estratégia para derrotar o PT no Estado — o governador Elmano de Freitas (PT) disputará a reeleição.
As críticas de Michelle ocorreram em novembro, durante evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará, político bolsonarista com forte discurso conservador.
No dia seguinte, os irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro criticaram Michelle, e ela foi chamada de autoritária pelo hoje candidato ao Palácio do Planalto.
Nos vídeos divulgados agora pelo Instagram, a ex-primeira-dama disse que sempre atuou com a concordância do marido e chamou as palavras contra ela de "duras" e com "tom agressivo".
"Os irmãos vieram juntos de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado", continuou.
Segundo Michelle, Flávio não tentou falar com ela antes de criticá-la publicamente e não a atendeu quando ligou para ele após isso.
A presidente do PL Mulher diz que o enteado a telefonou depois que ela pediu publicamente desculpas, ressaltando, na época, ter direito de criticar a aliança com Ciro Gomes, alguém que "sempre se declarou inimigo" de Bolsonaro.
"Algumas horas depois da postagem [de perdão], ele retornou a ligação. Mas sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone, e eu não tinha feito nada contra ele".
"Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço", continuou.
Michelle chegou a ser apontada como possível candidata à vice-presidente numa chapa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Repúblicanos), antes de Flávio Bolsonaro ser lançado ao Palácio do Planalto.
A expectativa é que ela concorra ao Senado pelo PL no Distrito Federal. Pesquisas de intenção de voto a colocam na liderança, chegando a marcar mais de 30% nas intenções de voto.
Como presidente do PL Mulher, é vista no partido como liderança carismática e importante ativo junto ao público feminino conservador.
Apesar disso, a esposa de Jair Bolsonaro disse que o enteado não fez qualquer movimento de aproximação, após a crise do Ceará, para buscar seu apoio.
"O Flávio vai a minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio. Já teria conversado. Estou na minha. Continuarei recolhida".
A ex-primeira-dama ressalta ainda no vídeo que, como presidente do PL Mulher desde 2023, tem viajado todo o país articulando lideranças femininas e diz que seu trabalho resultou na eleição de mais mulheres do partido nas eleições de 2024.
"Eu sou a presidente nacional do PL Mulher. Fui convidada pelo meu marido e pelo presidente Valdemar [Costa Neto]. Eu percorri o Brasil inteiro, instalei diretórios em todas as 27 unidades da Federação, ajudei a eleger 1005 mulheres em 2024, um aumento de 45,8% em relação a 2020".
"Mas para ele e alguns que o cercam, eu não entendo de política. Tudo bem, eu me recolhi e, desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei porque estou respeitando o que ele falou. E é só isso", reforçou.
Para Michelle, seus adversários a tratam como idiota.
"Agora, vou desmentir as narrativas e notícias que circulam na imprensa. Eu sei quem as planta, eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem. Mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam".

A disputa no Ceará

Imagem BBC Brasil
Michelle Bolsonaro ao lado de seus aliados, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e a vereadora de Fortaleza Pricilla Costa (PL-CE), vice-presidente do PL Mulher Crédito: Edilson Freire/BBC
Nos dois vídeos, Michelle dá detalhes sobre a briga do PL do Ceará, que envolve não só a disputa pelo governo do Estado, mas as eleições para o Senado.
Ela defende que, no primeiro turno, o PL apoie Girão para o governo estadual.
"Não é questão de política, é questão de coerência. Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido durante a pandemia. Numa live com outros esquerdistas, ele incentivou e conclamou as pessoas a chamarem o meu marido de genocida e pediu que repetissem isso o tempo todo. Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento".
"Disse que Bolsonaro roubava a gasolina. Disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras. Disse que os filhos do meu marido, os meus enteados, eram corruptos, que eram ladrões, e deu a eles um apelido: ovos de serpentes nazistóides. Essas foram as palavras de Ciro Gomes sobre os filhos do meu marido".
Ela defendeu que eventual aliança com Ciro Gomes ocorra apenas no segundo turno.
"Não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que a adie para o segundo turno. Eu sou contra ela, mas essa é apenas a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem. Mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno", defendeu.
Na disputa pelo Senado, a ex-primeira-dama apoia Priscila Costa (PL), vereadora mais votada de Fortaleza em 2024. Seu desejo é que ela dispute uma das duas vagas para o Senado, ao lado de Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes (PL), deputado federal mais votado no Ceará em 2024.
Dentro da negociação para a aliança com Ciro Gomes, porém, André Fernandes, que preside o PL no Ceará, quer manter a candidatura de seu pai, que disputaria com outro nome indicado por outro partido. Priscila Costa, então, não disputaria o Senado.
"É para se unir a esse homem [Ciro Gomes] que o PL do Ceará está abandonando um candidato legítimo da direita? É para se unir a esse homem que estão perseguindo e tentando retirar da disputa uma mulher nordestina, mãe de quatro filhos, que dedicou tudo ao movimento em defesa da vida?", questiona Michelle.
"Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga do seu próprio pai? Estranho, né? Por que só a mulher tem que ceder? Não dá para aceitar", disse ainda.
A ex-primeira-dama disse ainda que tem apoio do seu marido na oposição à aliança com Ciro e no apoio à Priscila Costa.
"Que fique registrado para sempre. Enquanto ainda estava preso no 19.º batalhão, o meu marido mandou um recado claro que foi repassado à direção do partido e ao senador Rogério Marinho. Ele disse: Priscila será candidata".

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