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Crueldade

Enfermeira é condenada à prisão perpétua por matar bebês na Inglaterra

Entre outras ações, mulher injetava ar ou fornecia leite em excesso em comportamento que, na avaliação de juiz, é "uma malevolência que beira o sadismo"

Publicado em 21 de Agosto de 2023 às 13:46

Agência Estado

Publicado em 

21 ago 2023 às 13:46
Um tribunal do Reino Unido condenou nesta segunda-feira (21) à prisão perpétua sem chance de libertação uma ex-enfermeira neonatal que matou sete bebês sob cuidados dela e tentou matar outros seis em um hospital na Inglaterra.  Lucy Letby, de 33 anos, se recusou a comparecer ao tribunal para enfrentar os pais enlutados e alegou inocência durante o longo julgamento, que começou em outubro de 2022. A mulher foi condenada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, uma pena incomum na legislação inglesa e a sentença mais severa possível sob a lei britânica.
Reprodução de folheto divulgado pela polícia Cheshire Constabulary em Manchester sobre enfermeira presa
Reprodução de folheto divulgado pela polícia que mostra imagem da enfermeira Crédito: Reprodução | Cheshire Constabulary

"Beira o sadismo"

O juiz James Goss disse que o número de assassinatos e tentativas e a natureza dos crimes cometidos por uma enfermeira neonatal encarregada de cuidar dos bebês mais frágeis fornecia as "circunstâncias excepcionais" necessárias para impor a chamada "ordem vitalícia", que é excepcionalmente rara.
"Atuou de maneira completamente contrária aos instintos humanos normais, que são cuidar dos bebês, e em violação flagrante da confiança que todos os cidadãos depositam nos profissionais da saúde", declarou Goss. Ele ainda destacou que a enfermeira "não tem remorso" e que houve "uma malevolência que beira o sadismo" na ação dela. 

Injeção de ar e excesso de leite

Lucy Letby trabalhava na Unidade de Terapia Intensiva do hospital Countess of Chester, na Inglaterra, onde aconteceram os assassinatos, entre junho de 2015 e junho de 2016. A enfermeira foi acusada de injetar ar nos bebês por via intravenosa e com sondas nasogástricas, além de administrar doses excessivas de leite às vítimas.
Durante o processo, uma mãe explicou que, ao comparecer à UTI para levar leite para um dos gêmeos prematuros dela em agosto de 2015, o ouviu gritar e percebeu que o bebê tinha sangue ao redor da boca. Letby a tranquilizou e recomendou que retornasse para o quarto.
De acordo com a acusação, a enfermeira tinha acabado de introduzir um utensílio médico até o fundo da garganta do bebê. Também havia injetado ar. A criança morreu poucas horas depois.
Letby atacava bebês depois que os pais saíam, quando a enfermeira-chefe estava ausente ou durante a noite, quando ela ficava sozinha. Em algumas ocasiões, participava nos esforços coletivos para salvar os recém-nascidos e, inclusive, apoiava os pais desesperados. Também escrevia cartas aos pais em luto.
Durante o julgamento de 10 meses de Letby, os promotores disseram que em 2015 o hospital começou a ver um aumento significativo no número de bebês que estavam morrendo ou sofrendo declínios repentinos na saúde sem motivo aparente. Alguns sofreram "sérios colapsos catastróficos", mas sobreviveram após a ajuda da equipe médica. Letby foi finalmente removida das funções da linha de frente no final de junho de 2016 e foi presa em casa em julho de 2018.

Revolta

"Acho que nunca vamos superar o fato de que nossa filha foi torturada até que ela não tivesse mais resistência e tudo o que ela passou em sua curta vida foi deliberadamente feito por alguém que deveria protegê-la e ajudá-la", disse a mãe de uma menina identificada como "Criança 1" em um comunicado lido no tribunal.
A ausência de Letby, que é permitida nos tribunais britânicos durante a sentença, alimentou a raiva das famílias das vítimas, que queriam que ela ouvisse as declarações sobre a devastação causada pelos crimes. "Você pensou que era seu direito brincar de Deus com a vida de nossos filhos", disse a mãe de gêmeos, um dos quais foi assassinado e o outro que Letby tentou matar, em declaração ao tribunal.
Políticos e defensores das vítimas pediram mudanças na lei para forçar os criminosos a comparecerem para serem sentenciados depois que vários condenados de alto perfil optaram por não enfrentar vítimas nos últimos meses. O primeiro-ministro Rishi Sunak, que chamou os crimes de "chocantes e angustiantes", disse que governo apresentará "oportunamente" seu plano de exigir que os condenados compareçam às suas sentenças. "É covarde que pessoas que cometem crimes tão horrendos não enfrentem as vítimas e não ouçam em primeira mão o impacto que crimes tiveram sobre elas, suas famílias e entes queridos", finalizou Sunak.

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