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Após tarifaço de Trump, Lula discute acordo China-Mercosul com Xi Jinping

Segundo nota divulgada após telefonema entre presidentes dos dois países, governo chinês disse que apoia o Brasil 'na defesa de sua soberania e independência' e 'na oposição à interferência externa'.

Publicado em 27 de Julho de 2026 às 08:35

BBC News Brasil

Publicado em 

27 jul 2026 às 08:35
Imagem BBC Brasil
Lula e Xi Jinping em encontro em 2025 Crédito: Getty Images
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone na noite de domingo (26/07) e defenderam o aprofundamento da cooperação bilateral em áreas estratégicas, além da aceleração das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China.
Em nota, o governo brasileiro afirmou que a ligação durou mais de uma hora e tratou "da implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países".
"O presidente Lula ressaltou que seu governo segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Ambos coincidiram a respeito da importância de acelerar as tratativas para um acordo MERCOSUL-China, que contemple as necessárias flexibilidades", diz ainda o comunicado.
A ligação telefônica veio poucos dias após a entrada em vigor de uma nova tarifa de 25% implementada pelo governo de Donald Trump contra parte das exportações brasileiras. Na semana passada, os Estados Unidos também anunciaram uma segunda tarifa, de 12,5%, contra 60 de seus parceiros comerciais — entre eles o Brasil —, sob a alegação de que teriam falhado em combater adequadamente o trabalho forçado.
A nota do Planalto não cita explicitamente o tarifaço como um dos temas discutidos na ligação entre Xi Jinping e Lula.
Imagem BBC Brasil
Crédito: AFP via Getty Images
Em sua própria nota sobre a conversa, o governo chinês ressaltou que "diante de novas circunstâncias e desafios", Brasil e China devem se posicionar "firmemente do lado certo da história" e desempenhar um papel maior "na reforma e no aprimoramento do sistema de governança global, e na defesa da equidade e da justiça internacionais".
Ainda segundo Pequim, Xi teria afirmado na ligação que a China valoriza muito "o status internacional e a importante influência do Brasil", e apoia o país "na defesa de sua soberania e independência, na oposição à interferência externa e na contribuição para a manutenção da paz e da estabilidade regional e mundial".
"Xi Jinping afirmou que a China está pronta para fortalecer ainda mais a coordenação estratégica bilateral e multilateral com o Brasil, mantendo assim o ímpeto positivo na construção de uma comunidade China-Brasil com um futuro compartilhado", diz a nota.

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