A Fifa decidiu liberar perguntas e respostas em espanhol em todas as entrevistas coletivas da Copa do Mundo 2026, segundo o jornal espanhol El País.
A medida, que teve início no domingo (14/6) vale também para partidas fora do México e para jogos em que nenhuma seleção envolvida tenha o espanhol como língua nativa.
Até então, as entrevistas só poderiam ser feitas em inglês, na língua nativa de cada equipe ou em outro idioma previamente solicitado pelas respectivas seleções.
Ao menos três episódios envolvendo a não permissão para a língua espanhola em entrevistas coletivas repercutiram negativamente antes desta decisão da Fifa.
Após a estreia do Brasil na Copa, na sexta-feira (12/6) em partida contra o Marrocos em Nova Jersey, Vini Jr. não pôde ouvir uma pergunta em espanhol.
Um repórter iniciou a pergunta em inglês, mas Vini Jr. o interrompeu, pedindo para que ele falasse em espanhol. "Es mejor [é melhor]", justificou o jogador. Mas, na sequência, ele ouviu de um mediador que não havia tradução disponível para o espanhol.
O jogador respondeu em português.
Na mesma ocasião, um jornalista mexicano fez uma pergunta em espanhol ao jogador Achraf Hakimi, que nasceu e cresceu em Madri, e joga por Marrocos.
Mas o mediador da Fifa afirmou que Hakimi só poderia responder em francês ou árabe, lembrando ao repórter que perguntas em espanhol não estavam permitidas.
Segundo o Globo Esporte, a Fifa afirmou que tratou-se uma questão operacional, já que, antes das partidas, as equipes envolvidas avisam em quais idiomas querem que as entrevistas sejam traduzidas — além da língua materna de cada time.
O Brasil havia solicitado somente tradução para o português e o italiano, língua materna do técnico Carlo Ancelotti. E Marrocos pediu somente árabe e francês.
Também no sábado, o jogador holandês Frenkie de Jong, meio-campista do Barcelona, teve problemas antes da partida contra o Japão.
Quando um jornalista mexicano iniciou a pergunta em espanhol, um moderador da Fifa disse que a pergunta deveria ser em inglês, japonês ou holandês.
De Jong então respondeu "eu não me importo, tudo bem". Mas o mediador explicou: "É pela tradução".
O jogador respondeu em inglês, mas este foi o último episódio em que o espanhol estava vetado.
A partir de agora, assim como acontece com o inglês, sempre haverá tradutor para o espanhol, independentemente das equipes que jogarão ou em qual país da Copa a entrevista acontecerá — EUA, Canadá ou México.
O espanhol é o segundo idioma mais usado nos Estados Unidos, onde 57 milhões de pessoas falam a língua.