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A polêmica decisão da Fifa de anular suspensão de artilheiro americano após cartão vermelho

Folarin Balogun está à disposição para defender os EUA contra a Bélgica, após a suspensão da punição que ele havia recebido; Trump agradeceu presidente da Fifa pela decisão.

Publicado em 05 de Julho de 2026 às 22:35

BBC News Brasil

Publicado em 

05 jul 2026 às 22:35
Imagem BBC Brasil
O presidente americano, Donald Trump, e o presidente da Fifa, o italiano Gianni Infantino, em evento em dezembro passado Crédito: Hector Vivas/FIFA via Getty Images
Folarin Balogun está disponível para defender os Estados Unidos no confronto das oitavas de final da Copa do Mundo, contra a Bélgica, após a suspensão automática que ele havia recebido em um jogo ter sido revogada pela Fifa.
O jogador de 25 anos, artilheiro da equipe americana, recebeu cartão vermelho por uma falta no zagueiro da Bósnia e Herzegovina, Tarik Muharemovic, durante a vitória por 2 a 0 que garantiu a classificação de sua seleção, uma das anfitriãs do torneio, na fase anterior.
A Fifa informou que a suspensão automática de uma partida ficaria cassada por um ano. Nenhuma justificativa específica foi apresentada para a medida, além da menção a uma regra que permite a suspensão de punições.
A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) declarou estar "surpresa" com a decisão da Fifa e afirmou estar "analisando todas as opções possíveis" em resposta.
"Em conformidade com o artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, a aplicação da suspensão da partida fica suspensa por um período probatório de um ano", informou a entidade máxima do futebol mundial em comunicado.
"Caso Folarin Balogun cometa outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante o período probatório, a suspensão será revogada e a sanção será aplicada, sem prejuízo de qualquer penalidade adicional imposta pela nova infração."
O presidente dos EUA, Donald Trump, agradeceu à Fifa por "reverter uma grande injustiça" em uma publicação na rede social Truth Social.
Trump, amigo de Gianni Infantino, escreveu: "Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça! Presidente DONALD J. TRUMP."
As agências AFP e Reuters noticiaram que Trump ligou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, no início desta semana, para pedir a revisão do cartão vermelho. A BBC ainda não confirmou essas informações.
Imagem BBC Brasil
Folarin Balogun marcou três gols pela seleção dos Estados Unidos — um dos países-sede — nesta Copa do Mundo Crédito: Getty Images
O atacante dos EUA, Christian Pulisic, disse que a equipe soube que a suspensão de um jogo havia sido revogada enquanto estava no ônibus a caminho do treino, no domingo, e afirmou que Balogun estava "muito feliz".
Pulisic acrescentou: "Um sorriso enorme no rosto dele e nos nossos também. A falta não justificava aquilo; foi uma punição rigorosa demais."
A RBFA ressaltou que todos os cartões vermelhos aplicados anteriormente nesta Copa do Mundo resultaram automaticamente em suspensão e que a decisão da Fifa está em "direta contradição" com o regulamento da competição, o qual foi "explicitamente reafirmado" pela entidade máxima do futebol a todas as seleções participantes em maio.
A entidade acrescentou: "Para salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do jogo honesto em nosso esporte — tanto nesta Copa do Mundo da Fifa quanto em futuras edições do torneio —, a RBFA está analisando todas as opções possíveis."
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, estava entre aqueles que exigiram a revisão da decisão.
Questionado sobre o desempenho dos EUA na Copa durante uma coletiva de imprensa, Rubio disse: "Foi ótimo. Eles foram prejudicados com aquele cartão vermelho. Precisa haver um processo de recurso para isso. Provavelmente já é tarde demais."
De modo geral, nos EUA, houve muita insatisfação entre os torcedores em relação ao cartão vermelho aplicado a um de seus principais jogadores. Muitos veículos de comunicação questionaram a decisão e a forma como o futebol aplica suas regras — especificamente a obrigatoriedade de deixar o campo após receber o cartão vermelho e a consequente suspensão para uma partida futura.
Balogun tem sido uma peça-chave para os EUA na Copa, marcando dois gols pela equipe comandada por Mauricio Pochettino na estreia, uma vitória por 4 a 1 sobre o Paraguai.
O ex-atacante do Arsenal também abriu o placar contra a Bósnia antes de ser expulso aos 64 minutos, após uma disputa de bola pelo alto com Muharemovic.
Enquanto Balogun tentava proteger a bola, Muharemovic conseguiu se posicionar à sua frente; ao descer o pé de volta ao gramado, o atacante acabou pisando na parte de trás do tornozelo do bósnio, provocando uma torção.
O árbitro brasileiro Raphael Claus exibiu o cartão vermelho após ser chamado ao monitor à beira do campo para rever o lance em supercâmera lenta, com a assistência do VAR, o árbitro de vídeo.

Regras e precedentes

De acordo com o regulamento da FIFA, um cartão vermelho "acarreta automaticamente a suspensão da partida seguinte", mas a entidade "pode ​​impor suspensões adicionais e outras medidas disciplinares".
Durante a fase de grupos do torneio, a suspensão de uma partida do meio-campista catariano Assim Madibo foi aumentada para cinco jogos devido à falta cometida contra o canadense Ismael Kone, que sofreu uma fratura na perna.
No entanto, existe um precedente recente de suspensão, pela FIFA, de uma punição aplicada em jogos da Copa do Mundo.
O capitão de Portugal, Cristiano Ronaldo, foi liberado para jogar a partida de estreia de sua seleção no torneio, apesar de ter recebido um cartão vermelho contra a República da Irlanda durante as eliminatórias da Copa.
O jogador, então com 41 anos, foi expulso após atingir as costas de Dara O'Shea com uma cotovelada durante a derrota de Portugal por 2 a 0 nas eliminatórias, em novembro, recebendo inicialmente uma suspensão de três jogos.
Contudo, após cumprir a suspensão em uma partida contra a Armênia, a FIFA suspendeu o restante da punição por um ano em 25 de novembro, permitindo que Ronaldo participasse dos dois primeiros jogos de Portugal na Copa.

Análise | A questão é como a decisão foi tomada

Na quinta-feira, Balogun tornou-se o 12º jogador a receber um cartão vermelho nesta Copa do Mundo. Ele será o primeiro a não cumprir suspensão.
É notável a decisão da Fifa de, na prática, anular o cartão vermelho que ele recebeu contra a Bósnia-Herzegovina.
Ao contrário da Premier League, não existe processo de recurso contra cartão vermelho na Copa, para proteger a integridade do árbitro.
Muitos apontarão o caso de Cristiano Ronaldo, que cumpriu apenas uma partida de uma suspensão de três jogos após ser expulso por conduta violenta nas eliminatórias.
Essa comparação é válida, mas há muitos exemplos de a Fifa demonstrar clemência antes do início de um torneio.
Este caso é diferente. Trata-se de um cartão vermelho durante a Copa.
De repente, o principal jogador do país-sede está disponível para um jogo decisivo de mata-mata. Houve uma grande pressão da mídia nos EUA para que a decisão fosse revertida.
Isso significa que a verdadeira questão agora é: como a decisão foi tomada? A Fifa não está fornecendo detalhes.
Trump agradeceu à Fifa nas redes sociais, afirmando que uma "grande injustiça" foi corrigida.
Dada a relação próxima e bem estabelecida entre a Casa Branca e a Fifa, surgirão questionamentos sobre essa decisão altamente incomum em favor dos coanfitriões.
Veja o caso de Madibo, do Catar, expulso por uma entrada que quebrou a perna do meio-campista canadense Kone.
Pareceu um acidente infeliz, mas Madibo recebeu uma suspensão de cinco jogos.
Isso deixa a impressão de que a Fifa está definindo as regras conforme a situação avança.

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