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Teste-drive

Chevrolet Sonic RS tem proposta equilibrada e mostra que é mais do que o “SUV do Onix”

Motor A Gazeta testou o novo SUV de entrada da marca, que já vendeu mais de 14 mil unidades no Brasil e disputa espaço com Fiat Pulse, Renault Kardian e VW Tera e Nivus

Publicado em 05 de Junho de 2026 às 13:36

Gabriel Mazim

Publicado em 

05 jun 2026 às 13:36
Novo Chevrolet Sonic RS
Testamos a versão RS do novo Chevrolet Sonic, SUV compacto feito sobre a mesma plataforma do Onix. Chevrolet/Divulgação

[INHOTIM - MG] O Chevrolet Sonic é a nova aposta da GM para ganhar mais espaço no mercado brasileiro, principalmente no disputado segmento dos SUVs compactos, onde o modelo briga com Fiat Pulse, Renault Kardian e VW Tera e Nivus, por exemplo. Para se destacar nessa disputa, a marca aposta em uma lista robusta de itens de série, pegada esportiva e uma proposta equilibrada.


Motor A Gazeta testou o Sonic na prática, a convite da Chevrolet, tanto na estrada quanto no trânsito urbano. Durante o percurso, de Confins até Inhotim, em Minas Gerais, deu para perceber o equilíbrio que a marca buscou alcançar na performance do veículo e as melhorias que ele entrega em relação ao Onix, que possui a mesma plataforma. 


Boa parte da arquitetura do SUV, inclusive, se assemelha à do Onix, principalmente a cabine, as portas laterais e a motorização – exceto pela injeção direta. Mas o Sonic consegue ser mais do que um “irmão maior” do hatch, oferecendo uma experiência de dirigibilidade própria, mudanças visuais e um porta-malas com mais espaço.


Os preços do modelo partem de R$ 129.990 na versão Premier e 135.990 na esportiva RS, que foi a configuração que testamos. Veja a seguir o que o modelo oferece e o que observamos durante o teste-drive.

Desempenho

Novo Chevrolet Sonic RS
Ao volante, é possível notar os aprimoramentos que o Sonic RS recebeu em relação ao Onix, principalmente na suspensão e no conforto acústico. Chevrolet/Divulgação

Com o motor 1.0 turbo flex de três cilindros e injeção direta – acoplado ao câmbio automático de seis marchas –, o Sonic entrega até 115 cv de potência e 18,9 kgfm de torque. Pode não parecer muito, mas a experiência de dirigir o carro na prática foi surpreendente.


O conjunto mecânico entrega um bom desempenho, principalmente em baixas rotações, além de respostas rápidas e estabilidade nas curvas e nas retomadas. No entanto, ao pisar no acelerador para sair da inércia, ele apresenta um certo atraso nas respostas, apesar da aceleração de 0 a 100 km/h ser de cerca de 10 segundos, de acordo com a Chevrolet.


Outro aspecto que me chamou a atenção foi a suspensão, que foi recalibrada e apresenta bastante estabilidade até em estradas mais acidentadas – como pudemos ver, na prática, no interior de Minas Gerais. A altura livre em relação ao solo de 20 cm também ajuda a superar lombadas, valetas e acessos íngremes.


O isolamento acústico do Sonic também é um destaque, com um motor mais silencioso e um bloqueio eficiente de barulhos externos, como os ruídos provocados pelo vento em altas velocidades, por exemplo. 


Nessas situações, o aprimoramento da aerodinâmica também é notável, permitindo maior estabilidade, graças à inclinação do vidro traseiro, ao desenho do aerofólio e a soluções de fluxo de ar no para-choque, que otimizam o escoamento do ar em torno da carroceria e das rodas. Segundo a marca, o Sonic atinge um coeficiente aerodinâmico de 0,35, considerado melhor do que a média dos SUVs tradicionais.


O consumo de combustível, segundo o Inmetro, é de 12 km/l em trajetos urbanos e 14,8 km/l nos rodoviários, quando abastecido a gasolina. Com etanol, as médias caem para 8,4 km/l e 10,4 km/l, respectivamente.


E sim, o Sonic vem equipado com a polêmica correia dentada banhada a óleo, mas a Chevrolet agora utiliza materiais mais resistentes, segundo a marca, que estão presentes no novo SUV. Vale lembrar que o óleo indicado para este equipamento é o sintético 0W-20 com certificação Dexos-1, que conta com aditivos específicos.


A montadora, inclusive, destaca que entre os principais causadores de problemas com a correia banhada a óleo, estão a falta de manutenção adequada e o óleo fora das especificações. A garantia do componente do componente foi ampliada pela Chevrolet e passou a ser de até 15 anos ou 240 mil quilômetros.

Tecnologia e segurança

Novo Chevrolet Sonic RS
O novo Chevrolet Sonic tem uma central multimídia de 11" e um painel de instrumentos digital de 8". Chevrolet/Divulgação

Segundo a Chevrolet, o pacote de itens de tecnologia do Sonic foi projetado a partir de situações concretas de uso, tanto os sistemas voltados para segurança quanto os equipamentos de conectividade e conveniência. Ao dirigir o carro, isso também ficou claro.


Começando pela segurança, o modelo conta com a nova geração do Chevrolet Intelligent Driving, que usa uma câmera frontal de alta definição com cerca de 40% mais área de cobertura para ler o cenário à frente. Com isso, a frenagem automática de emergência passa a atuar em uma faixa mais ampla de velocidades. 


A atualização também habilita um recurso que reconhece diferenças de textura entre o pavimento e as áreas laterais à pista de rolagem para auxiliar na manutenção do veículo dentro da faixa. 


Com isso, o Sonic oferece uma calibração refinada para os sistemas presentes no veículo, que incluem: frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa com correção ativa, função de manutenção de faixa em situações de perigo e alerta de ponto cego. Todos são apoiados por controles eletrônicos de estabilidade e tração e por seis airbags de série.


O item mais perceptível ao dirigir o SUV foi o assistente de permanência em faixa, que age rapidamente para corrigir o percurso ao detectar a proximidade da faixa – uma correção que não é brusca demais, mas é efetiva. 


A cabine do Sonic conta com central multimídia de 11" e painel de instrumentos digital de 8". Os equipamentos são integrados ao Virtual Cockpit System, que oferece projeção sem fio para Android Auto e Apple Car Play, Bluetooth para dois celulares, Wi-Fi nativo e capacidade de receber atualizações remotas de software. Entradas USB dianteiras e traseiras e carregador de celular por indução também estão presentes.


Com chave presencial, o modelo permite abertura por aproximação e partida por botão e tem vidros com função um toque e fechamento automático pela chave. O ar-condicionado digital automático foi calibrado especificamente para a volumetria da cabine do Sonic e tem um bom desempenho.


De série, o modelo tem itens de assistência ao motorista como assistente de partida em aclive, câmera de alta resolução e sensores de estacionamento traseiros. Na versão RS, também estão disponíveis sensor de estacionamento dianteiro, estacionamento semiautomático e farol adaptativo.

Design e dimensões

Novo Chevrolet Sonic RS
O design do Chevrolet Sonic RS combina uma frente alta, molduras escurecidas que contornam a base e os paralamas, além de uma linha de teto descendente. Chevrolet/Divulgação

Ainda que a Chevrolet classifique o Sonic como um SUV cupê, mas na realidade ele se assemelha mais a um crossover compacto, o que não diminui o valor estético do carro – o design, inclusive, impressiona. O modelo mantém um visual alinhado à identidade da marca, mas consegue inovar em alguns aspectos.


O Sonic combina uma frente alta, molduras escurecidas que contornam a base e os paralamas e, ainda, uma linha de teto descendente – utilizada pela montadora para categorizá-lo como cupê. Ele também é o primeiro carro da Chevrolet no mundo a ter o novo logotipo da marca, que é mais horizontal e aplicado em preto. No teto, o SUV conta com um rack com capacidade para até 50 kg.


Na frente, o destaque fica para a grade em formato de colmeia, que se estende até o para-choque e os faróis full-LED, que na versão RS são capazes de alternar automaticamente entre farol baixo e alto ao identificar outros veículos. Já na traseira, o modelo tem lanternas interligadas por uma barra luminosa de LED.


Por dentro, a cabine se assemelha à do Onix, incluindo o painel marcado por linhas horizontais, mas traz uma melhoria: acabamentos em materiais mais macios ao toque. Esta mudança é especialmente importante no apoio de braço entre os bancos dianteiros, por substituir o uso do plástico no equipamento, que gerava desconforto nos ocupantes e até mesmo desgaste precoce do material.


Na versão RS, o Sonic adota uma leitura esportiva na cabine, que é predominantemente preta e tem costuras decorativas e cintos de segurança em vermelho. Na parte de fora, as rodas, o teto e alguns outros detalhes também foram aplicados em tom escuro.


Os bancos do veículo têm forração premium tipo pillow-top e agregam uma camada extra de espuma, que junto ao amplo espaço para pernas, ombros e cabeça ajudam a entregar uma cabine confortável. Minha única ressalva é quanto ao espaço lateral nos bancos traseiros, que foi limitado pelo fato do SUV herdar os mesmos 2,55 m de entre-eixos do Onix.


Falando em medidas, o Sonic tem 4,23 m de comprimento, 1,77 m de largura e 1,53 m de altura, dimensões generosas para o segmento. Além disso, o porta-malas comporta até 392 litros, capacidade que, segundo a montadora, foi otimizada não só pelo tamanho do compartimento como também pelo design que permite acomodar mais itens.


O SUV tem ainda rodas de liga leve de 17” e seis opções de cores: Azul Boreal, Branco Summit, Prata Shark, Preto Ouro Negro, Vermelho Scarlet e o inédito Cinza Urbano.

Considerações finais

O Sonic é um carro que cumpre o que promete. Com ele, a Chevrolet oferece um meio-termo para os consumidores que buscam um veículo que fica entre um hatch e um SUV maior, mantendo o conforto e uma performance equilibrada como diferenciais. 


“Equilíbrio”, inclusive, é a palavra ideal para descrever a novidade, que não desponta em um único quesito e abre mão de outros igualmente relevantes. Mecânica, acabamento, tecnologia, espaço… em nenhum desses atributos o Sonic é visto como o melhor entre os concorrentes – exceto o espaço do porta-malas. Seu diferencial está justamente na forma como ele entrega tudo isso em doses suficientes para as exigências do consumidor que ele busca.


Ele também coloca – muito bem, diga-se de passagem – a montadora em um segmento disputado onde os consumidores pedem, cada vez mais, esse equilíbrio. Nas duas semanas após sua estreia, o Sonic vendeu mais de 14 mil unidades, segundo a Chevrolet, mostrando que essas impressões estão sendo refletidas na aceitação do mercado.

*O repórter viajou a convite da Chevrolet Brasil.

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