Quantos deputados possui o PSL, hoje, na Assembleia Legislativa? Oficialmente, quatro. Foi o número de candidatos eleitos pelo (ainda) partido do presidente Jair Bolsonaro para o Legislativo do Espírito Santo na eleição de 2018, o que deu à sigla a maior bancada da Assembleia. Mas o presidente estadual do PSL, Carlos Manato, tem uma resposta diferente para essa pergunta: para ele, na prática, a bancada do partido na Casa só tem, hoje, três integrantes. Manato já não conta com o Coronel Alexandre Quintino.
“Não conto, não. Ele não segue as orientações partidárias. Nem as que consideramos ‘cláusulas pétreas’. Um exemplo foi a votação do Escola sem Partido na Assembleia. Ele tinha assumido um compromisso conosco. Mas, na hora da votação, saiu do plenário e não votou. Então não podemos mais contar com ele.”
Conforme analisamos aqui no dia 26 de outubro, Quintino de fato tem feito movimentos e declarações dissonantes do que seria de esperar de um “típico deputado do PSL”. Apesar de ter sido eleito pelo partido de Bolsonaro – o qual abrigou muitos candidatos, como ele, oriundos de forças militares –, o coronel da reserva da PMES não tem se posicionado como um soldado-padrão do bolsonarismo. Ao contrário. Quintino tem se mostrado muito mais próximo do governador Renato Casagrande (PSB) – autodeclarado um líder de centro-esquerda – do que do próprio partido, em votações e posicionamentos públicos.
Enquanto os outros deputados do PSL – Torino Marques, Danilo Bahiense e, sobretudo, Capitão Assumção – defendem medidas de Bolsonaro, Quintino chamou de “retrógrada” a ideia de reduzir investimentos em cursos de Sociologia e Filosofia e é contrário ao Escola sem Partido. Na votação citada por Manato – na verdade, do projeto de Vandinho Leite (PSDB) que proibia a “ideologia de gênero” em escolas estaduais –, Quintino de fato ausentou-se do plenário.
Já não há o menor clima para a permanência de Quintino no PSL. Nesta semana, a relação entre ele e Assumção – ambos participantes da greve da PMES em 2017 – ficou tão ruim que os dois travaram disputa pública pela autoria de indicações ao governo em benefício das tropas. Segundo a assessoria de Assumção, Quintino estaria roubando ideias do colega, o que ele nega.
Em outubro, Quintino indicou à coluna que pode sair do PSL na próxima janela para trocas liberadas, em 2022. Pelo entendimento vigente do STF, o mandato de vereadores e deputados não pertence ao mandatário, mas ao partido pelo qual ele elegeu-se. Assim, se o deputado desertar sem justa causa, o PSL tem todo o direito de reclamar o mandato à Justiça.
Tem direito, mas não pretende fazê-lo. É o que assegura o próprio Manato. Na verdade, o dirigente do PSL escancara as portas de saída para Quintino e propõe um “divórcio amigável”.
"Não vou pedir o mandato dele. Tenho a cabeça aberta. Você não está satisfeito? Então procure o seu caminho. Não vou xingar, esbravejar. Quer um documento? O que precisar eu faço. Se ele quiser, é só ir lá conversar. A gente faz um acordo, ele vai embora. Eu libero"
Segundo Manato, Quintino assumiu compromissos com o governador e “está cheio de cargos no governo, em Ciretrans na região do Caparaó”. O deputado nega isso.
Resta um detalhe, porém: quando um não quer, dois não se divorciam. Apesar de tudo, Quintino não quer deixar o PSL: “Estou muito bem no meu partido. Não tenho pretensão de sair”.
O SUPLENTE
O PSL pode até não requerer o mandato por infidelidade, mas a ação de cassação também pode ser movida pelo Ministério Público e pelo 1º suplente da coligação, Devanir Ferreira (Republicanos).