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Sirleide Stinguel

Quando o amor encontra a inveja: por que alguns casais competem em vez de torcer um pelo outro?

Inveja é uma emoção humana universal e não significa necessariamente ausência de amor. O problema surge quando ela não é reconhecida e passa a orientar os comportamentos dentro da relação

Publicado em 25 de Julho de 2026 às 11:00

Publicado em 

25 jul 2026 às 11:00
Sirleide Stinguel

Colunista

Sirleide Stinguel Sirleide Stinguel
Por que alguns casais competem em vez de torcer um pelo outro?
Por que alguns casais competem em vez de torcer um pelo outro? Shutterstock

Quando se fala em casamento, é comum imaginar uma relação sustentada pelo amor, pela parceria e pelo apoio incondicional. Nesse cenário, sentimentos como a inveja parecem não ter espaço. Mas a vida a dois é mais complexa do que o ideal romântico faz acreditar, e emoções consideradas "proibidas" também podem surgir dentro da relação.


Em alguns relacionamentos, o sucesso profissional, financeiro, acadêmico ou até mesmo a autoestima de um dos parceiros desperta um sentimento difícil de admitir: a inveja. Agora vem a pergunta que não quer calar… A inveja pode existir entre pessoas que se amam?


Sim.


A inveja é uma emoção humana universal e não significa necessariamente ausência de amor. O problema surge quando ela não é reconhecida e passa a orientar os comportamentos dentro da relação. Embora seja considerada um tabu, a inveja conjugal existe e pode comprometer a intimidade, a confiança e a admiração entre o casal.


E como isso acontece no relacionamento? Raramente vai  aparecer de forma explícita. Ela é manifestada por meio de críticas constantes, ironias, desvalorização das conquistas, falta de apoio ou até sabotagens sutis.


O parceiro invejoso ou inseguro pode sentir que o crescimento do outro evidencia suas próprias fraquezas. Em vez de enxergar a conquista como algo positivo para o casal, passa a vivê-la como uma ameaça à própria identidade.


É comum ouvir frases como:


* “Você acha que é melhor do que eu.”

* “Agora que ganha mais dinheiro, mudou.”

* “Nem foi tudo isso.”

* “Qualquer um conseguiria.”


Para quem já vem de família onde a competição era alimentada constantemente, esses comentários podem parecer pequenos, mas, repetidos ao longo do tempo, corroem a autoestima e a conexão emocional.

Como identificar que existe inveja na relação?

Alguns sinais chamam atenção:


* dificuldade em comemorar conquistas do parceiro;

* críticas frequentes quando o outro recebe elogios;

* minimizar sucessos importantes;

* ausência de incentivo aos projetos pessoais;

* necessidade constante de competir;

* comportamentos que sabotam oportunidades;

* felicidade diante dos fracassos do companheiro.


Isoladamente, esses comportamentos não confirmam a existência de inveja. O importante é observar se formam um padrão recorrente.

Como a inveja interfere na vida sexual?

A sexualidade não depende apenas de atração física. Ela também é construída pela forma como o casal se relaciona no dia a dia. Quando existe inveja, a intimidade emocional é prejudicada, o desejo desaparece e isso costuma refletir diretamente na vida sexual. Quando existe competição e desvalorização, o cérebro tende a associar isso a sentimentos de tensão e não de prazer. 

Existe tratamento?

Sim. O primeiro passo é reconhecer o sentimento sem culpa. Conversarem abertamente e honestamente sobre os episódios que acontecem a inveja. 


Segundo passo é procurar ajuda profissional. Na terapia de casal ou individual, é possível compreender a origem dessas comparações e reconstruir uma relação baseada em admiração, cooperação e segurança emocional.A inveja costuma apontar para necessidades emocionais não atendidas, baixa autoestima ou sensação de insuficiência.


Quando um parceiro entende que o sucesso do outro fortalece a relação — e não diminui seu próprio valor —, a competição perde espaço para a parceria.


O casamento deve ser um lugar seguro em que o relacionamento é saudável, tenha desejos e não exija que os parceiros sejam iguais, mas que consigam celebrar as diferenças e o crescimento de cada um.


“O desejo dificilmente sobrevive em um ambiente de rivalidade. A sexualidade se fortalece quando existe admiração, validação e a sensação de que o parceiro celebra quem somos, em vez de competir conosco. Quando a inveja ocupa esse espaço, o encontro íntimo deixa de ser um lugar de conexão e passa a ser mais uma arena de disputa.”

Colunista

Sirleide Stinguel  é colunista de HZ. As opiniões, análises e recomendações expressas em seus textos são de sua exclusiva responsabilidade e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial de HZ ou da Rede Gazeta.

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Sirleide Stinguel

Sirleide Stinguel é especialista em sexualidade humana, pós graduada em terapia sexual na saúde e educação. Graduanda em Psicologia.

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