Escrever a coluna É o Bicho foi um dos maiores privilégios da minha trajetória. Ao longo de tantos anos, centenas de textos ganharam vida, primeiro nas páginas da saudosa Revista.AG, quando ainda era impressa, e depois no portal de A Gazeta, dentro do HZ. Em cada coluna, procurei dar voz a quem não pode falar, mas sente, sofre, ama e merece respeito.
Foram incontáveis histórias, denúncias, orientações, reflexões, exemplos de amor e de cuidado. Celebramos resgates, lamentamos perdas, cobramos autoridades, explicamos leis, incentivamos a adoção responsável e mostramos que a relação entre humanos e animais pode, e deve, ser construída sempre com empatia e responsabilidade.
Hoje, esta coluna se despede. É uma decisão minha, tomada com serenidade. Chegou o momento de diminuir o ritmo e dedicar mais tempo a outros projetos e à minha vida pessoal. Mas que ninguém confunda esta despedida com um adeus à causa animal.
A defesa dos animais não é um trabalho que se deixa para trás. É um compromisso que passa a fazer parte de quem somos. Está no olhar, nas escolhas, na indignação diante da crueldade e na esperança de construir um mundo mais justo para todas as formas de vida.
Continuarei defendendo os animais onde quer que eu esteja. Continuarei lembrando que maus-tratos são crime e que a lei precisa ser cumprida. Nenhuma sociedade pode se considerar verdadeiramente evoluída enquanto fecha os olhos para o sofrimento dos animais.
Quero agradecer, de coração, A Gazeta, especialmente a editora da inesquecível Revista.AG, Mariana Perini, que me deu a missão de escrever a coluna abrindo espaço e acreditando que a causa animal merecia visibilidade. Agradeço também aos editores Erik Oakes, Marcella Scaramella e Felipe Khoury que, posteriormente, deram continuidade a esse grande projeto, dentro do HZ, ao lado de toda a equipe. Só tenho a dizer muito obrigada por acreditarem nesta jornalista que ama os animais.
Também quero fazer um agradecimento especial para todas as minhas fontes. Aos protetores independentes, às organizações de proteção animal, aos médicos-veterinários, aos biólogos, aos pesquisadores, aos promotores de Justiça, delegados, policiais, fiscais, advogados, professores, gestores públicos e tantos outros profissionais que compartilharam conhecimento, experiências e informações. Vocês enriqueceram cada texto e ajudaram a transformar esta coluna em um espaço de informação, conscientização e cidadania.
Agradeço especialmente aos leitores. Muitos enviaram denúncias, contaram histórias, dividiram angústias, celebraram conquistas e mostraram que existe uma imensa rede de pessoas comprometidas com o bem-estar animal. Esta coluna nunca foi escrita por uma única pessoa. Ela foi construída por muitas mãos e muitos corações.
Os desafios continuam enormes. Ainda há abandono, violência, exploração e negligência. Mas também há milhares de pessoas que dedicam suas vidas a mudar essa realidade. É nelas que deposito minha esperança.
Saio da coluna com o coração cheio de gratidão e com a certeza de que valeu cada palavra escrita. Se algum texto despertou consciência, incentivou uma adoção, fortaleceu uma denúncia, ajudou a salvar uma vida ou fez alguém enxergar um animal com mais respeito e compaixão, então a missão foi cumprida.
A coluna termina. Meu compromisso com os animais, jamais. Muito obrigada a todos que fizeram parte desta caminhada. Seguimos juntos, porque a causa animal não tem ponto final.