Se a vida fosse um jogo de Pokémon, Matheus Furlani Carretta poderia dizer que acaba de desbloquear uma das fases mais difíceis da jornada. Nascido em Santa Teresa e morador de Vila Velha, o desenvolvedor de software garantiu uma vaga no Campeonato Mundial de Pokémon e será o único representante do Espírito Santo na competição.
E olha que chegar até lá está longe de ser tão simples quanto escolher Pikachu e partir para a batalha. Matheus conseguiu ficar entre os 60 melhores jogadores da América Latina na temporada e vai disputar o Pokémon Video Game Championships (VGC), modalidade oficial dos jogos da franquia para Nintendo Switch, na categoria Master, destinada aos competidores adultos.
O feito chama ainda mais atenção pelo pouco tempo de experiência no circuito. Embora Pokémon faça parte da vida de Matheus desde a infância, ele só descobriu o cenário competitivo em 2024.
Minha relação com Pokémon começou ainda na infância, como a de muitas pessoas da minha geração. Cresci assistindo ao anime, jogando os jogos e acompanhando a franquia
Matheus Furlani Carretta Desenvolvedor de software
Foi quando começou a estudar as estratégias por trás das batalhas e participar de torneios que percebeu que aquela diversão de infância poderia levá-lo bem mais longe.
"Conforme fui participando de torneios e conquistando bons resultados contra jogadores de alto nível, percebi que tinha condições de competir nacional e internacionalmente."
Mas como alguém se classifica para um Mundial de Pokémon?
De acordo com Matheus, não existe uma seletiva única para chegar ao campeonato. A disputa pela vaga acontece durante praticamente toda a temporada, de setembro a agosto.
Ao longo desse período, os competidores participam de torneios oficiais e acumulam os chamados Championship Points, ou CP. Existem desde competições realizadas em lojas autorizadas e torneios online até grandes eventos regionais e internacionais.
Quanto melhor a colocação, mais pontos o jogador conquista. No fim da temporada, somente os melhores colocados de cada região conseguem o convite para o Mundial. Na América Latina, são apenas 60 vagas.
Por isso, Matheus precisou encarar uma verdadeira maratona de batalhas e viagens ao longo do ano. A classificação só foi confirmada no último grande torneio da temporada, o Internacional da América do Norte.
E teve até encontro com um "chefão": durante a caminhada, o capixaba enfrentou o atual campeão mundial.