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Dia do Orgulho

Do Bangalô ao Bar da Chica, relembre as casas icônicas da cena LGBTQIAPN+ no ES

As “casas gays” que surgiram na década de 80 foram responsáveis por abrir espaço para as boates de hoje
Luiz Edmundo

Publicado em 28 de Junho de 2026 às 09:00

Imagem retirada do curta metragem Cartas para Eros (1993) Herbert Fieni

Antes dos anos 80 era proibido se falar em “casa gay” no Brasil. O país ainda vivia o fim da ditadura militar e a repressão impedia a comunidade de se expressar e ocupar espaços livremente. Já na década de 80, ainda com o fim do militarismo, os ambientes que hoje se entendem como LGBTs começaram a surgir e o Centro de Vitória foi o palco escolhido para o levante das casas. 


Em um resgate histórico a esses espaços precursores, e celebrando o Dia do Orgulho, neste domingo (28),  HZ conversou com a eterna rainha da noite LGBT capixaba, Chica Chiclete, que trouxe um panorama geral sobre a cena da época.  

Cronologia das casas LGBTs históricas do ES

Os anos 90 começam com a presença dos bares Fórum, Máfia e a expansão da comunidade para outras regiões da ilha. Além disso, marca o início da Boate Eros, que operou por 13 anos e se tornou uma referência quando se fala em casas LGBTs do ES. 


Em 1995, Chica abre sua primeira casa, denominada Stargate — em referência ao filme de mesmo nome, lançado em 1994 — em Vila Velha. Após a demolição da boate estabelecida próximo ao Farol de Santa Luzia, ainda em Vila Velha, surge a Liberty, em Coqueiral de Itaparica, quando o bairro ainda tinha pouca presença residencial, que fez com que a casa encerrasse os trabalhos algum tempo depois. 


Ainda nos anos 90, a boate Queens surge na Ilha da Fumaça, em Vitória, e marca o início da presença das Drag Queens em casas de show. Em funcionamento durante seis anos (de 1997 à 2003), a casa testemunhou uma série de eventos históricos para a comunidade, como, por exemplo, a primeira Parada LGBT de Vitória. 


Após o fim da Queens, Chica Chiclete dá início ao que seria referenciado como “casa” por muitos frequentadores anos depois: o Bar da Chica. “Todo mundo falava ‘vou pra casa da Chica’. 


As pessoas consideravam o bar uma casa, um espaço de segurança e acolhimento”, relembra. O estabelecimento funcionou por cerca de dez anos e teve que fechar suas portas pelos mesmos motivos da Liberty, nos anos 90. A população residente na região tratava os frequentadores do bar com muito preconceito e reclamavam da movimentação nos arredores. 


A presença e resistência dessas casas contribuiu para que a cena LGBT na Grande Vitória se tornasse o que é hoje, com ambientes compreendidos como seguros e “sem rótulos”. 

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