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Perigo

Fake news cumprem papel de confirmar a visão que as pessoas têm do mundo

Segundo os especialistas, “as pessoas escolhem acreditar” na notícia falsa “porque ela representa o que a pessoa acha”. A internet tem potencializado o perigo representado pelas fake news

Publicado em 29 de Novembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

29 nov 2019 às 04:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Perigo das fake news Crédito: Divulgação
Por que as fake news, amplamente divulgadas nas redes sociais, são tão perigosas, a ponto de a Justiça Eleitoral estar mobilizada para combatê-las? Os especialistas não têm a menor dúvida de que o grande perigo está na natureza das pessoas. As pessoas, em geral, são guiadas pela emoção e não pela razão. E a emoção, quando pende para a notícia distorcida, tem efeitos “deletérios e gravosos” como foi dito no seminário Democracia Digital-Eleições 2020, recentemente realizado pela Escola Judiciária e TRE-ES.
Segundo os especialistas, “as pessoas escolhem acreditar” na notícia falsa “porque ela representa o que a pessoa acha”. “A fake news dialoga com os nossos desejos, com as nossas vontades”, daí a tendência de a pessoa dar crédito à informação que recebe nas redes sociais, explicou um dos especialistas para completar: “As pessoas estão mais individualistas, mais interessadas em confirmar o ideal delas”. Ou seja, a fake news, para muitas pessoas, cumpre o papel de confirmar a visão que elas têm do mundo.
Nas redes sociais, as pessoas não estão dispostas a debater ideias. Elas querem, tão somente, confirmar seus ideais. “São narcisistas”, definiu uma integrante da Agência Lupa, que se dedica a checar a veracidade das informações que são disseminadas nos meios de comunicação, inclusive os digitais.
Nas experiências que teve, a Lupa chegou a cinco conclusões: 1ª) a mentira sempre existiu nas campanhas eleitorais; 2ª) as redes sociais se prestam a aproximar e a afastar as pessoas; 3ª) as pessoas acreditam em absurdos; 4ª) a crença fala direto com o coração, e 5ª) a desinformação é um mercado lucrativo e, por isso, atraente.
Neste ambiente, a internet tem potencializado o perigo representado pelas fake news. “Cada um é, com a internet, uma mídia, que produz ou reproduz o que quer”, disse outro. Isto tem como resultado a proliferação de falsas informações em quantidades e velocidades impensáveis há pouco tempo: dez milhões de fake news podem ganhar o mundo virtual em uma fração de segundos. Isto ocorre porque perfis fakes disparam a informação e outros perfis fakes se encarregam de replicá-la.
A imprensa, desde quando surgiu, desempenha o papel de produzir notícias que passam, antes de serem divulgadas, por processos de checagem e edição visando preservar a sua veracidade e destacar os seus aspectos mais relevantes. Passado um pouco mais de um século, eis que a imprensa novamente é chamada a cumprir um importante papel na sociedade: o de ser a fonte principal onde o consumidor de informação poderá recorrer para checar se a notícia que recebeu é verdadeira ou não passa de uma reles fake news.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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