Os últimos ocupantes do prédio do antigo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI), no Centro de Vitória, deixaram o local neste domingo (23). A saída começou no dia anterior, após determinação judicial. Segundo pessoas que estavam no edifício, ainda havia aproximadamente 10 famílias no local. Apesar de serem disponibilizados depósitos para os pertences dos ocupantes, algumas pessoas reclamavam de não ter para onde ir.
Esse é o caso da doméstica Miriam Alves, de 39 anos, que deixou o IAPI neste domingo com as três filhas. Ela estava no prédio desde quando o imóvel foi ocupado, no início de maio. Após deixar o lugar, Miriam ainda não sabe onde irá se alojar com a família. “Não sei para onde a gente vai. Nos tiraram daqui, mas sem lugar para nos colocar. Para o que é material, eles disponibilizaram lugar para colocar. Nós, seres humanos, não temos para onde ir”, diz.
Família deixam antigo IAPI e prédio é lacrado no Centro de Vitória
Outra ocupante do IAPI era Maria Clara da Silva, de 82 anos, que faz parte do Movimento Nacional de Luta por Moradia. Ela diz que os participantes da ocupação esperam poder voltar a morar no local. “Nós esperamos que, hoje, a gente saia para eles liberarem o prédio, mas para voltar novamente assim que o prédio estiver transformado para habitação, e é para esse povo que aqui está hoje”, comentou.
PRÉDIO NÃO SERÁ MAIS DA UNIÃO
O superintendente da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), José Carlos de Oliveira Machado, afirmou que o prédio do antigo IAPI será direcionado para moradia popular. Com a retomada da posse, a União pretende realizar trâmites burocráticos até outubro e, depois disso, transferir a posse do prédio para entidades sociais que vão direcionar o local para moradia popular.
Segundo José Carlos de Oliveira, as pessoas que serão contempladas vão fazer parte de um cadastro da entidade social contemplada e não necessariamente serão participantes da ocupação. Como essa transferência de posse para uma entidade só deve acontecer no fim do ano, José Carlos explica o que será feito do prédio até lá.
“O prédio ficará fechado. Durante esse tempo, não será permitido o acesso de qualquer pessoa porque, internamente, ele está muito insalubre, existe uma condição subumana. Não é possível que as pessoas tenham acesso a ele assim”, afirmou.
O grupo começou a ocupação do IAPI na noite do dia 6 de maio. Antes disso, as mesmas pessoas já haviam ocupado uma área particular conhecida como Fazendinha, entre os bairros Grande Vitória e Universitário, na região da Grande São Pedro, no fim de março. Eles foram retirados de lá no final de abril. Posteriormente, também chegaram a ocupar a Casa do Cidadão, em Maruípe.