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Operação Lava Jato

Paulo Preto tinha 11 cartões para contas suíças

Ele é acusado de ter recebido propina da Odebrecht, o que resultou em prisão no último dia 19

Publicado em 27 de Fevereiro de 2019 às 20:58

Publicado em 

27 fev 2019 às 20:58
Paulo Preto, ex-diretor da Dersa Crédito: José Cruz / Agência Brasil
O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, teve 11 cartões de créditos e de viagem ligados às quatro contas que mantinha na Suíça, segundo documentos daquele país incluídos na ação penal em que ele é acusado de ter recebido propina da Odebrecht e que resultou em prisão no último dia 19.
De acordo com a documentação suíça, Paulo Preto gastou 135 mil francos suíços em cinco cartões, o equivalente a R$ 650 mil quando corrigidos pelo câmbio atual. As quatro contas que o ex-diretor da Dersa mantinha na Suíça tinham um saldo de R$ 132 milhões quando foram descobertas pelas autoridades suíças, em 2017.
Nesse ano, o saldo das contas foi transferido para as Bahamas, numa tentativa de evitar que os recursos fossem confiscados, segundo a acusação da Lava Jato. A força-tarefa pede a Paulo Preto que explique se os cartões eram dele mesmo ou se foram emitidos em benefício de algum político.
Dois dos cartões estavam em nome da ex-mulher do engenheiro, Ruth Arana de Souza. Outro foi emitido para o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, com saldo de 10 mil euros. O cartão de Aloysio, ainda de acordo com a documentação suíça, foi entregue em um hotel em Barcelona, na Espanha, no final de 2007.
Àquela época, Aloysio era o secretário mais importante do governo de José Serra (PSDB), chefiando a Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo. Foi nesse ano também que teve início a obra em que o ex-diretor da Dersa é acusado de operar propinas para o PSDB: o Rodoanel Sul. Paulo foi nomeado diretor de engenharia da Dersa também em 2007.
O cartão de Aloysio, ainda segundo os procuradores, foi emitido logo depois de a Odebrecht ter feito um depósito de 275,8 mil francos suíços em uma das contas do ex-diretor da Dersa. A força-tarefa vincula a propina da Odebrecht ao cartão que os suíços dizem que foi entregue a Aloysio.
Como mostrou a Folha de S.Paulo no domingo passado (24), investigadores também suspeitam que Paulo Preto tenha criado uma empresa para blindar seu patrimônio.
A petição da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba enfatiza a ligação de Paulo Preto com um operador de recursos ilícitos da Odebrecht, o advogado Rodrigo Tacla Durán, que está na Espanha porque tem dupla nacionalidade.
A documentação suíça aponta também que as contas do ex-diretor da Dersa receberam recursos de empresas estrangeiras controladas pela Andrade Gutierrez (US$ 643 mil) e Camargo Corrêa (US$ 309 mil).
Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa participaram da obra do Rodoanel Sul. Segundo a Odebrecht relatou em diferentes acordos, a obra foi repartida pelas empreiteiras sob o comando de Paulo Preto.
Aloysio já negou enfaticamente que tenha recebido recursos ilícitos do ex-diretor da Dersa ou de qualquer outra fonte. A Folha de S.Paulo procurou o advogado José Roberto Santoro, que defende Paulo Preto e Aloysio, mas ainda não conseguiu localizá-lo.

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