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Livre para disputa

Líderes do PT no ES defendem candidatura de Lula em 2022

Representantes do partido veem como vitória a devolução dos direitos políticos do ex-presidente, mas ainda querem a suspeição do ex-juiz Sergio Moro

Publicado em 08 de Março de 2021 às 20:11

Iara Diniz

Publicado em 

08 mar 2021 às 20:11
João Coser, Jackeline Rocha, Helder Salomão - lideranças do PT no ES
João Coser, Jackeline Rocha, Helder Salomão: lideranças do PT no ES defendem candidatura de Lula em 2022 Crédito: Montagem
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, anulou, nesta segunda-feira (08), todas as condenações do ex-presidente Lula referentes à Operação Lava Jato. Com isso, o petista fica livre para disputar eleições. No Espírito Santo, a decisão foi comemorada por lideranças do PT, que apostam em mudanças no tabuleiro eleitoral com uma  possível candidatura do ex-presidente em 2022.
Os representantes do partido também cobram julgamento para a suspeição de  Sergio Moro, responsável pelas condenações em primeira instância. Para os petistas, a decisão de Fachin "livra o ex-juiz."
Fachin considerou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tem competência para julgar casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula. A Procuradoria-Geral da República (PGR) prepara recurso contra a decisão. 
Presidente do PT no Espírito Santo, Jackeline Rocha (PT) afirmou que a decisão é o "reconhecimento de uma série de injustiças" contra o ex-presidente. Para ela, não há dúvidas que o Lula foi vítima de perseguição política. 
“Isso só comprova, mais uma vez, que Lula foi sim estrategicamente um preso político com a finalidade de não concorrer às eleições de 2018. Nós, do partido, recebemos com muita alegria essa decisão, que dá a ele os direitos políticos de volta”, declarou.
Em 2018, por causa da Lei de Ficha Limpa, a candidatura de Lula foi barrada. A Lei determina a inelegibilidade de políticos condenados em segunda instância por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, hipótese que se aplicava a Lula no processo do triplex de Guarujá.
Jackeline, contudo, espera um cenário diferente em 2022. Para ela, a candidatura de Lula no próximo ano é necessária e tem apoio do partido.
“Com Lula tendo os direitos políticos, o Brasil volta a discutir um pacto de democracia, de uma frente que consiga derrotar o conservadorismo. Lula é um líder, sempre foi nosso plano A, B, C. Eu acredito que ele esteja pronto para voltar à disputa em 2022”, comentou.
Um dos fundadores do PT no Espírito Santo, o ex-prefeito de Vitória João Coser (PT), afirmou receber com alegria a decisão. Para ele, "a justiça está sendo feita".
“Estou muito feliz hoje; é uma sensação de que podemos confiar na Justiça. Tudo foi feito de forma muito escandalosa e injusta para condenar Lula”, afirmou.
Coser também defende a candidatura do ex-presidente e acredita ser "necessária" para trazer mudanças para o país. 
“Lula tem hoje todas as condições de ser candidato. É bom para a vida e a saúde dele, bom para o povo brasileiro. A presença dele na disputa é necessária até para fazer o presidente [Jair Bolsonaro] acordar."

"DECISÃO LIVRA A CARA DE MORO"

O deputado federal Helder Salomão (PT), único representante do partido na bancada federal, criticou a decisão. O parlamentar afirmou que Fachin faz justiça a Lula, mas “livra a cara do Moro”, criticando a Operação Lava Jato.
"Este reconhecimento tardio não corrige a fraude das eleições de 2018, quando Moro tirou da disputa eleitoral Lula, que era o favorito em todas as pesquisas, para favorecer a eleição do presidente genocida que hoje ameaça a democracia, os direitos, os empregos e a vida dos brasileiros", afirmou em nota.
"Ao meu ver, esta decisão faz justiça ao Lula, mas livra a cara do Moro, que deve responder pelos seus atos", completou. 
A crítica do deputado repercute uma outra decisão tomada a partir das anulações sobre Lula. Ao sustentar que a Vara Federal de Curitiba não tinha atribuição para processar e julgar os processos contra o ex-presidente, o ministro do STF declarou a “perda de objeto” de 14 processos que tramitam no STF questionando se o ex-juiz Sergio Moro foi parcial na condução das ações contra o petista.
O julgamento desses casos já tinha começado na Segunda Turma e havia expectativa de que seria retomado ainda neste semestre. A tendência era de que Moro fosse considerado parcial.
Para Helder Salomão, não há dúvidas que a decisão vai mexer no tabuleiro eleitoral. "Com certeza, daqui para frente haverá grandes mudanças no cenário político e eleitoral brasileiro. Lula no jogo, vai influenciar as eleições nacionais com grandes repercussões nos Estados."
Nas redes sociais, ele até chegou a brincar com a possibilidade de Lula ser candidato em 2022. “Dá um RT aqui quem tá com muita vontade de votar no Lula”, postou no Twitter após a decisão.

PARA SENADOR, LULA TEM LEGADO DE PROSPERIDADE E ESPERANÇA

O senador Fabiano Contarato (Rede) comentou a decisão do ministro Fachin nas redes sociais. Em uma publicação no Twitter, o parlamentar afirmou que Lula volta ao páreo em 2022 como favorito.
Ele também criticou a gestão de Bolsonaro, chamando de mórbida e trágica, e disse que é um contraste do “legado prosperidade e esperança da Era Lula.”

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