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Mesa Diretora

Casagrande quer eleição com chapa única na Assembleia para evitar "sequelas"

Em 2019, o atual presidente da Casa, Erick Musso, foi reeleito antecipadamente após uma manobra, o que azedou relações, inclusive com o Palácio Anchieta. A eleição antecipada foi anulada e o comando da Casa será definido em 1° de fevereiro

Publicado em 21 de Janeiro de 2021 às 17:45

Rafael Silva

Publicado em 

21 jan 2021 às 17:45
Entrevista com o governador do Espírito Santo Renato Casagrande (PSB) na residência oficinal, Praia da Costa, Vila Velha
Renato Casagrande (PSB): "Tenho pedido a todos que a gente possa buscar um caminho de consenso" Crédito: Vitor Jubini
A pouco mais de dez dias da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, o governador Renato Casagrande (PSB) defendeu publicamente que haja consenso entre os deputados na escolha do nome que vai comandar a Casa, para evitar "gasto de energia" e "sequelas". Na base governista, Dary Pagung (PSB) tem se movimentado, mas o favoritismo é do atual presidente, Erick Musso (Republicanos), que, se não pode ser considerado um opositor, tampouco é tão aliado ao Palácio Anchieta quanto Dary, o atual líder do governo na Casa. 
Em entrevista à Rádio CBN Vitória, na quarta-feira (20), Casagrande afirmou que a eleição é assunto dos parlamentares, mas que tem acompanhado de perto o processo.
"Não quero interferir diretamente, não. Tem dois nomes mais bem posicionados. Tenho pedido a todos que a gente possa buscar um caminho de consenso. Um consenso progressivo para que a gente possa ter uma chapa que evite gasto de energia com desputas e com sequelas que podem vir depois de um embate na Assembleia"
Renato Casagrande - Governador, em entrevista à CBN Vitória
O governador já havia dito, no início do mês, que tanto Erick quanto Dary são “bons nomes”. Ele também elogiou o atual vice-presidente da Casa, Marcelo Santos (Podemos), que, dias depois, declarou que não é candidato. 
Marcelo, aliado de Erick, seria uma opção para atrair o grupo do atual presidente, se Erick concordasse com uma espécie de acordo que poderia levá-lo até a virar secretário estadual. A "solução Marcelo", no entanto, não prosperou, como registrou o colunista Vitor Vogas.
As possíveis "sequelas", em caso de disputa, a que Casagrande se refere quando prega o consenso podem fazer alusão ao clima criado em novembro de 2019, quando a eleição da Mesa foi antecipada, em uma manobra promovida por Erick Musso. Pegos de surpresa, integrantes da base do governador até tentaram reagir e montar às pressas uma chapa de oposição ao atual presidente, durante a votação. Não houve tempo hábil e Erick acabou vencendo.
A movimentação de Erick desagradou o governador e gerou contestações jurídicas. Com a pressão, o próprio presidente recuou e anulou o pleito antecipado.
Após alguns meses de tensão, com a pandemia de Covid-19, o clima entre a Assembleia e o governo do Estado e, principalmente, entre Erick Musso e Casagrande, voltou a ser mais tranquilo, com o presidente do Legislativo pautando todas as principais medidas do governador, o que facilitou a aprovação dos projetos do Executivo. O atual bom momento também foi destacado por Casagrande.
"Uma chapa de consenso é importante para que eles (deputados) possam refletir e escolher alguém que represente todas as forças políticas, que dê segurança para as instituições capixabas, que dê harmonia para o Poder Executivo e o Legislativo, como a gente tem tido", pontuou, ainda na entrevista à CBN.
Outro fator que Casagrande demonstra estar considerando para não comprar briga com os deputados é o momento difícil vivido pelo Estado por conta das dificuldades com a pandemia. Se em novembro de 2019 a previsão era de sair da crise econômica e com uma tendência de crescimento de arrecadação, o cenário agora é de queda, com os impactos da Covid-19 na economia.
"O momento que a gente vive agora é desafiador. No Brasil e no Espírito Santo. Com os problemas que vamos enfrentar esse ano, acho bobagem a gente gastar energia com disputas na Assembleia", afirmou.

ERICK E DARY

Enquanto Erick Musso detém o apoio de boa parte dos deputados e é o favorito, principalmente entre os que fazem oposição a Casagrande, Dary é a aposta dos mais governistas. Marcelo Santos, que era visto como alguém que transitava bem entre os dois grupos, além de dizer que não é candidato, também não tem se movimentado para a construção de uma chapa.
Ao contrário de Marcelo, Dary Pagung tem conversado com os parlamentares dos dois lados e até convidou, nos últimos dias, um dos deputados que tem discurso de oposição ao atual governo para compor chapa. O 2º vice-presidente, Torino Marques (PSL), agradeceu o convite, mas reforçou que ficará ao lado de Erick, caso haja um embate. 
A eleição na Assembleia Legislativa acontece no dia 1º de fevereiro. O presidente eleito vai comandar a Casa até 31 de janeiro de 2023.

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