Um empresário de 52 anos foi baleado por um policial penal, identificado como Júlio César Fiorotti, 53, no início da noite de quarta-feira (13), no Centro de Vitória. Ele teria sido alvejado após uma discussão iniciada enquanto comiam um churrasquinho na região – Inicialmente foi informado que a situação havia ocorrido próximo a uma distribuidora de bebidas. Após o episódio, o policial foi preso (veja nota no final da matéria).
Segundo relato de testemunhas, depois da briga, o policial, que estaria alcoolizado, teria deixado o local por um momento. Ao retornar, reiniciou a discussão e, durante a confusão, atirou na vítima, que seria sócio de uma empresa do Rio de Janeiro, que atua na manutenção de navios.
Em entrevista à repórter Isabelle Oliveira, da TV Gazeta, o tenente Elvis, da Polícia Militar, explicou que as versões sobre o que ocorreu são contraditórias.
"A vítima fala que o policial penal chegou desacatando ele, estranhando a forma de olhar, e iniciou uma abordagem, e entraram em vias de fato. A vítima alega que tentou pegar a arma do policial e houve um disparo, possivelmente até acidental. Houve uma mobilização, os populares tomaram a arma do policial e iniciaram um linchamento em via pública."
Ele reforçou que as informações ainda estão sendo apuradas. Tanto a vítima quanto o policial ferido foram socorridos para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), antigo São Lucas. Ainda de acordo com o tenente, o policial tem uma fratura na região do rosto e escoriações, enquanto a vítima tem marcas de estilhaço na perna e escoriações no braço.
Em entrevista à TV Gazeta, o empresário atingido pelos estilhaços deu uma nova versão: disse que, ao chegar ao churrasquinho, onde costuma comer com os colegas após o expediente, o policial estava passando e se irritou com um dos funcionários da vítima, perguntando por qual motivo ele o encarava. O rapaz disse apenas que estava olhando a rua e o chefe tentou intervir, dizendo que não queriam problemas.
"Ele saiu e foi em direção à casa dele. A gente foi pegar o outro churrasquinho e o dono falou: "Vai embora, porque ele foi em casa pegar uma arma e ele está acostumado a fazer isso. Vai embora, não precisa nem pagar. Quando você voltar para fazer outro lanche, acerta comigo. E assim fizemos".
O empresário relatou que ele e quatro funcionários estavam retornando ao hotel em que estavam hospedados quando foram surpreendidos pelo policial, que puxou uma pistola e a encostou na barriga dele, dizendo que agora acertaria a questão.
"Ele puxou meu braço para trás. Quando puxou, a pistola disparou. Como o rapaz disse que ele já tinha feito aquilo, e me pareceu que ele atirou no chão... eu nem tinha visto que me machuquei todo... Eu tentei desarmá-lo. Quando eu tentei, ele me jogou no chão, botou as pernas nas minhas costas e puxou meu braço para trás. Nisso, ele tirou a pistola da minha mão e saiu correndo. Eu não vi mais nada", disse.
De acordo com informações preliminares da Polícia Penal, o caso ainda está sendo investigado pela Polícia Civil; entretanto, o disparo, que atingiu a mão da vítima, teria ocorrido de maneira acidental, durante luta corporal entre os homens. Ainda segundo a corporação, nenhum deles apresenta risco de vida.
A Polícia Penal informou que, por meio de sua Corregedoria, já iniciou a apuração dos fatos e acompanha o caso, prestando apoio ao policial envolvido, assim como atendimento ao empresário.
"A instituição também se coloca à disposição da Polícia Civil do Espírito Santo, responsável pela condução das investigações no âmbito legal", disse.
A corporação reforçou que não compactua com qualquer tipo de agressão ou ato de violência, e que pauta sua atuação pela legalidade, responsabilidade e respeito à sociedade.
Segundo a Polícia Civil, Júlio César Fiorotti foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio e encaminhado para o sistema prisional.
Na sexta-feira (15), ele passou por audiência de custódia e a Justiça converteu a prisão em preventiva. A decisão foi proferida pelo Núcleo de Audiência de Custódia do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo (TJES), que destacou a gravidade concreta do caso, envolvendo disparos de arma de fogo em via pública, com risco à integridade das pessoas presentes no local. Segundo o tribunal, medidas cautelares alternativas foram consideradas insuficientes para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.