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Crime sexual

Mulher acusa médico de tê-la estuprado em clínica pública no Norte do ES

O fato teria ocorrido no último dia 25 enquanto a paciente era atendida em uma unidade da Rede Cuidar, conforme relatou a vítima na Delegacia de Nova Venécia

Publicado em 30 de Maio de 2022 às 19:05

Vilmara Fernandes

Publicado em 

30 mai 2022 às 19:05
Rede Cuidar CIM NORTE – Consórcio Público da Região Norte do Espírito
Unidade da Rede Cuidar em Nova Venécia, onde foi relatado caso de estupro Crédito: CIM Norte/Divulgação
Uma mulher denunciou um suposto caso de estupro praticado por um médico que atua em uma unidade pública do Norte do Espírito Santo. O fato teria ocorrido durante a consulta, no momento em que ela era examinada, na última quarta-feira (25). O registro policial foi feito na sexta-feira (27) na Delegacia de Nova Venécia.
Polícia Civil, por nota, informou que o caso está sob investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Nova Venécia. Por se tratar de uma investigação que corre em segredo de Justiça, a PC disse que “detalhes não serão divulgados”.
O atendimento da mulher, cujo nome não está sendo divulgado por ela ser uma vítima, aconteceu na Rede Cuidar de Nova Venécia. Trata-se de uma unidade de especialidades clínicas administrada pelo Consórcio Público da Região Norte do Espírito Santo (CIM Norte), da qual fazem parte 13 cidades. 
No local, é oferecido atendimento para as seguintes especialidades: ginecologia, neurologia, endocrinologia, cardiologia, oftalmologia, dermatologia, gastroenterologia e radiologia.

COMO ACONTECEU O SUPOSTO ESTUPRO

Segundo o relato constante no boletim de ocorrência policial a que A Gazeta teve acesso, a mulher relata que foi em busca de um atendimento de especialidade por apresentar alguns sintomas. Ela informa que foi bem atendida, que o médico lhe deu alguns conselhos, e que chegou até a chorar durante a consulta.
A paciente explica ainda que contou ao médico que estava há nove anos separada, momento em que ele disse: "Você tem uma máquina parada", ao se referir a vida sexual da paciente.
Na sequência, ela relata no boletim policial que foi encaminhada a uma maca, para ser examinada, e que ao deitar o médico começou a tocar a sua barriga.
O documento narra: “E de repente, foi com a mão em sua vagina e passou a mão no órgão genital”. Foi quando a paciente pediu ao médico que parasse, o que ele fez e em seguida também pediu desculpas.
Segundo a paciente, ela se levantou da maca, o médico passou alguns exames para ela e voltou a reiterar o pedido de desculpas. Logo depois a mulher foi embora. No documento policial a vítima relata que  “não entende o porquê de o médico ter feito isso”. Disse ainda que ela “se sentiu muito suja com o ocorrido”.
Acrescentou também que, ao chegar em casa, “se lavou muito por sentir-se mal”. Informa que “chorou muito devido sentir muita dor ao relembrar” e ainda que não entende o que aconteceu, “pois não deu brecha para o médico fazer tal ato”. Afirmou sentir medo de que o médico possa fazer algo contra ela após fazer a denúncia.
Ela finalizou informando que um funcionário da Rede Cuidar tentou entrar em contato com ela, mas que preferiu manter-se afastada. Solicitou ainda na delegacia uma medida protetiva. A reportagem entrou em contato com a vítima, que informou que não gostaria de voltar a se manifestar sobre o assunto.
O médico não teve o seu nome revelado na reportagem por se tratar de uma investigação que ainda está em fase inicial pela Polícia Civil.

O OUTRO LADO

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que não foi comunicada sobre o fato e que solicitou a apuração estrita da denúncia. A pasta explicou ainda que a gestão da Rede Cuidar pertence ao consórcio de municípios, e que a Sesa apenas paga pelos serviços por eles oferecidos.
O Consórcio Público da Região Norte do Espírito Santo (CIM Norte), responsável pela unidade, informou que tomou conhecimento dos fatos relatados  no dia 30 de maio, que lamenta o ocorrido, e que a unidade nunca registrou fato semelhante desde a sua criação.
A gestão do consórcio afirmou "todas as providências serão adotadas no sentido de se apurar, junto à empresa contratada para a prestação dos serviços médicos realizados nesta unidade de atendimento regional, a veracidade do fato relatado", disse em nota, cuja íntegra você confere ao final da reportagem.
O Conselho Regional de Medicina, seção Espírito Santo (CRM-ES), informou, por nota, que “as sindicâncias e processos éticos-profissionais correm em segredo de Justiça”. E sobre o número de denúncias recebidas pelo Conselho sobre o assunto, informou que não faz este tipo de levantamento.
A reportagem também tentou contato com o médico, mas ele não atendeu às ligações.

Consórcio informa que irá apurar os fatos

O Consórcio Público da Região Norte do Espírito Santo – CIM NORTE/ES, vem a público esclarecer que iniciou as atividades de atendimento da UNIDADE DA REDE CUIDAR NORTE em 17/09/2017, prestando atendimento a pacientes dos 14 municípios consorciados, realizando a interiorização de atendimentos de serviços de saúde que anteriormente eram realizados na Grande Vitória, reduzindo o tempo o desgaste físico e emocional de pacientes, que mesmo com a saúde debilitada, tinham que percorrer longas distâncias para conseguir atendimento médico especializado e a realização de exames de saúde, saindo muitas vezes de madrugada e retornando somente a noite para o seu município de origem.
Que tais atendimentos médicos e a realização de exames até o presente momento têm sido muito bem avaliados pela população atendida, não havendo nestes quase cinco anos de funcionamento o registro de nenhuma queixa que coloque em dúvida a qualidade dos serviços de saúde prestados e o respeito aos pacientes atendidos.
Esclarece ainda que no dia 30/05/2022 tomou conhecimento, por meio de matéria divulgada no site do jornal A Gazeta, de denúncia de possível assédio sexual praticado por profissional médico em atendimento realizado no dia 25/05/2022 nas dependências da UNIDADE DA REDE CUIDAR NORTE.
O CIM NORTE/ES lamenta o fato isolado ocorrido relatado na matéria jornalística, e esclarece que em todos estes anos de funcionamento da REDE CUIDAR NORTE não existe nenhum outro registro de fato semelhante ao mesmo. E neste sentido, primando sempre pela defesa da integridade e respeito aos pacientes atendidos nesta unidade, informa que todas as providências serão adotadas no sentido de se apurar, junto à empresa contratada para a prestação dos serviços médicos realizados nesta unidade de atendimento regional, a veracidade do fato relatado na matéria jornalista.
 Informar ainda, que este consórcio público, integrado por 14 municípios consorciados, preza pela constante melhoria e pela qualidade dos serviços de saúde prestados à população, os quais têm sido sempre executados pautados na humanização do atendimento, no respeito ao paciente, e na busca constante da melhoria do atendimento e na capacitação dos profissionais contratados envolvidos no atendimento aos pacientes encaminhados pelos municípios consorciados.
Por fim, ressalta que o CIM NORTE, além das apurações necessárias quanto ao fato noticiado, também adotará todas as medidas preventivas necessárias para que as condutas e procedimentos, dos médicos e demais profissionais de saúde contratados, sejam sempre pautados pela ética e pelo mais extremo respeito aos pacientes, reafirmando o compromisso existente do CIM NORTE/ES com a melhor prestação dos serviços de saúde ofertados à população, por meio desta unidade de atendimento regional.

Nota do CIM Norte

Atualização

31/05/2022 - 2:00
O texto da matéria foi atualizado com a inclusão das informações de nota oficial enviada pela gestão do Consórcio CIM Norte.

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