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Crime em Jardim Camburi

Júri de ex-PM que matou músico em Vitória tem maioria feminina entre os jurados

O crime aconteceu em 17 de abril de 2023, quando a vítima, pela segunda vez naquela madrugada, fez um pedido por silêncio

Publicado em 20 de Maio de 2026 às 09:56

Vilmara Fernandes

Publicado em 

20 mai 2026 às 09:56
À esquerda, o policial militar Lucas Torrezani de Oliveira; à direita, o músico Guilherme Rocha
À esquerda, o policial militar Lucas Torrezani de Oliveira; à direita, o músico Guilherme Rocha Reprodução | Montagem A Gazeta

O júri do ex-PM Lucas Torrezani começou às 9h06 desta quarta-feira (20) com a seleção das pessoas que vão compor o corpo de jurados. Dos sete selecionados, seis são mulheres.


O réu é acusado do assassinato do músico Guilherme José Rocha Soares. O crime aconteceu em 17 de abril de 2023, quando a vítima, pela segunda vez naquela madrugada, pediu silêncio.


O homicídio ocorreu no condomínio onde os dois moravam, no bairro Jardim Camburi, em Vitória.

Réu

Em junho de 2023, a Justiça tornou Lucas réu em ação penal ao aceitar a denúncia do Ministério Público. Já em dezembro de 2024, o Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória decidiu que ele enfrentaria o Tribunal do Júri de Vitória, em sessão agendada para o Fórum Criminal da Capital.


Também em dezembro de 2024, a Corregedoria da Polícia Militar decidiu demitir o então soldado Lucas Torrezani de Oliveira. A exclusão foi confirmada pelo Portal da Transparência do Estado, que atualmente aponta a situação profissional do acusado como “desligado”.


Por conta da perda da prerrogativa de função decorrente da demissão, o acusado, que está preso desde abril de 2023, foi transferido do quartel da corporação para a Penitenciária de Segurança Média 1, em Viana, onde aguarda julgamento.


No dia do crime, Lucas estava acompanhado do amigo Jordan Ribeiro de Oliveira, que chegou a ser denunciado pelo Ministério Público. No entanto, a Justiça decidiu que ele não iria a julgamento junto com o ex-PM.


O episódio mais recente envolvendo a organização do júri ocorreu quando a defesa de Lucas solicitou o adiamento da sessão, alegando problemas de saúde da advogada. A decisão judicial, contudo, questionou os motivos apresentados e manteve a data programada para esta quarta-feira.


O que dizem as defesas

A defesa de Lucas Torrezani é feita pela advogada Anna Karla Santos. Em nota, ela afirma que a tese de que a motivação do crime foi o som alto não corresponde ao que foi apurado no processo e ao que será apresentado aos jurados.


Sobre o réu, a nota informa: “É policial militar de carreira, profissional reconhecido por sua conduta exemplar, sem histórico de envolvimento com a criminalidade, sem qualquer antecedente ou fato que desabone sua trajetória pessoal e profissional”.


A defesa também assinala que o crime foi uma ocorrência isolada na vida do réu. Diz ainda que será demonstrado em plenário que o cliente “agiu em contexto de legítima defesa”. A nota conclui afirmando que Lucas lamenta profundamente os fatos ocorridos e está confiante na decisão do Tribunal do Júri.


Por sua vez, o advogado Rafael Almeida, responsável pela defesa de Jordan Ribeiro de Oliveira, informou, em nota, que a acusação de participação no homicídio atribuída ao cliente foi encerrada por decisão da Justiça, que apontou ausência de provas, em dezembro de 2024.


“Ficou demonstrado que sua presença no local e sua intervenção física visavam apenas apartar o conflito, e não auxiliar no crime. O próprio Ministério Público, reconhecendo a insuficiência de provas, requereu a impronúncia em suas alegações finais”, completou a defesa de Jordan.

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