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Guerra

Jovem é morto após fazer pichações para facção rival em disputa pelo tráfico na Serra

Polícia Civil aponta que vítima de 24 anos foi executada após aceitar fazer inscrições em apoio ao PCV em área dominada pelo TCP; dois suspeitos foram presos

Publicado em 25 de Junho de 2026 às 11:56

Jaciele Simoura

Publicado em 

25 jun 2026 às 11:56

Um jovem de 24 anos foi assassinado após fazer pichações em apoio à facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) durante uma disputa territorial com outro grupo, o Terceiro Comando Puro (TCP), no bairro Balneário de Carapebus, na Serra. A conclusão é da Polícia Civil, que prendeu os dois homens apontados como autores do crime ocorrido em 20 de outubro do ano passado.


A vítima foi identificada como Gustavo Emilio Ferri Adriano, conhecido como "Alemão". Foram presos:


  • André Makalle Falcão dos Santos, vulgo "Makaully", de 27 anos. Apontado como gerente do tráfico na região, ele foi capturado em dezembro de 2025 durante uma operação na zona rural de Conceição da Barra.
  • Felipe Pereira da Silva, conhecido como "Menor FP" ou "Menor 90", de 21 anos. Apontado como coautor do crime, foi preso em 10 de fevereiro deste ano, no Estado de São Paulo.
André Makalle Falcão dos Santos e Felipe Pereira da Silva
André Makalle Falcão dos Santos e Felipe Pereira da Silva Polícia Civil

Conforme o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, Balneário de Carapebus é cenário de uma disputa territorial entre o PCV e o TCP. Entre agosto e novembro de 2025, foram registrados 11 homicídios consumados e 12 tentativas de homicídio na região.


O delegado adjunto da DHPP da Serra, Paulo Ricardo Gomes, explicou que o bairro era considerado estratégico para o PCV, já que permanecia sob domínio do TCP, mesmo após sucessivos avanços da facção rival em áreas próximas.


Ainda conforme o delegado, os ataques registrados no bairro ao longo do ano passado faziam parte da tentativa do PCV de assumir o controle da região. Em resposta, integrantes do TCP teriam iniciado uma reação para resistir à perda de território.


"O ataque do TCP que acontece no dia 20 de outubro era o início de um revide para oferecer uma certa resistência em relação aos ataques sucessivos que eles haviam sofrido no bairro", explicou.

Aliciado para voltar ao tráfico

Gustavo Emilio Ferri Adriano
Gustavo Emilio Ferri Adriano Polícia Civil

As investigações apontam que, durante essa disputa, integrantes do PCV passaram a tentar recrutar jovens e traficantes que já haviam tido ligação com o TCP. Entre os alvos desse aliciamento estaria Gustavo Emilio Ferri Adriano.


Segundo Paulo Ricardo, a vítima havia traficado para o TCP no passado, mas não integrava mais a organização criminosa em 2025. No entanto, continuava frequentando ambientes ligados ao tráfico por ser usuário de drogas.


De acordo com o delegado, Gustavo teria sido convidado a retornar à atividade criminosa, desta vez a serviço do PCV. O aliciamento, segundo as investigações, teria sido feito por Ryan Inácio Silva, apontado pela polícia como uma das lideranças da facção e que acabou preso em Governador Valadares, em Minas Gerais.


“E nesse recrutamento ele acaba aceitando e passa, no dia do crime, a fazer pichações que fazem alusão ao PCV em um ponto de disputa territorial”, disse o delegado Paulo Ricardo Gomes.

Polícia viu suspeitos horas antes do crime

No mesmo dia do assassinato, uma equipe da Polícia Civil estava na região apurando os ataques relacionados à guerra entre facções. Durante as diligências, os investigadores flagraram homens armados circulando de motocicleta e observaram pichações recentes que faziam alusão ao PCV.


Apesar das suspeitas, os policiais não conseguiram realizar a abordagem naquele momento.


"A gente teve contato com as latas de tinta e viu as inscrições recém-feitas nos muros. Como não conseguimos abordar os suspeitos, retornamos para a delegacia. Quando chegamos, tivemos a notícia do homicídio do Gustavo", relatou o delegado.


A partir do crime, a DHPP da Serra intensificou as investigações e identificou os suspeitos.


Um dos alvos, André Makalle, foi localizado e preso em dezembro, durante uma operação realizada na zona rural de Conceição da Barra, após um trabalho contínuo de inteligência.


“O importante dessa prisão é que nós freamos o revide e, para além disso, conseguimos elementos de prova naquela captura”, afirmou o delegado Paulo Ricardo.


A prisão de André Makalle também foi fundamental para o avanço de outra investigação. Segundo a Polícia Civil, a análise do celular apreendido com o suspeito permitiu identificá-lo como mandante do assassinato da cuidadora de idosos Alessandra Moraes Ferreira, de 40 anos, e do marido dela, Bruno da Silva, de 33 anos, que trabalhava no setor de mineração. 


O casal teve a casa invadida durante a madrugada de novembro do ano passado e foi morto a tiros dentro da residência, em Balneário de Carapebus. A investigação ainda segue em andamento, mas a polícia já adiantou que os dois eram inocentes.

Piúma: Artesanato de conchas, Monte Aghá

Gustavo (vítima) queria ativar, mas André, ao se referir ao homicídio, cita que "tomou bonito"
André, ao se referir ao homicídio, cita que Gstavo (vítima) "tomou bonito" Polícia Civil

Conforme a Polícia Civil, no dia do crime, André Makalle e Felipe Pereira estavam em uma motocicleta quando abordaram Gustavo em um local conhecido como "Jamelão".


A vítima foi questionada sobre as pichações que haviam sido feitas no bairro e tentou fugir. No entanto, acabou sendo atingida por disparos de arma de fogo e morreu no local.


André Makalle e Felipe Pereira foram denunciados por homicídio qualificado, por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima.

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