Integrantes e lideranças da Tropa do Urso, inclusive os que estão escondidos fora do Espírito Santo, continuarão sendo alvo das forças de segurança. A afirmação foi feita pelo superintendente de Polícia Regional Noroeste, delegado Arthur Bogoni, após a Operação Churchill, realizada na quinta-feira (23).
"Vamos atrás das lideranças onde quer que estejam. Todos que se intitularem integrantes dessa facção serão identificados, indiciados e presos. Trinta e cinco é só o começo", declarou o delegado durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (24).
A operação cumpriu 35 dos 42 mandados de prisão expedidos contra investigados por integrar a organização criminosa.Os outros sete alvos continuam foragidos e são procurados pela Polícia Civil.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, a organização era monitorada havia meses. As investigações identificaram integrantes envolvidos com o tráfico de drogas em Colatina e na expansão das atividades para outros municípios.
Ao todo, cerca de 105 policiais participaram das diligências realizadas em Colatina, Cariacica, Aracruz, Serra e Águia Branca. A operação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc) da 15ª Delegacia Regional de Colatina.
Além das prisões, os policiais apreenderam equipamentos de videomonitoramento, celulares, drogas e armas.
Entenda
A Tropa do Urso
A Tropa do Urso surgiu em Colatina e expandiu a atuação para municípios vizinhos. Segundo a Polícia Civil, o grupo mantém ligação direta com o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, mas não está subordinado ao Primeiro Comando de Vitória (PCV).
A colunista de A Gazeta Vilmara Fernandes revelou que as principais lideranças da facção capixaba estavam foragidas no Rio de Janeiro e comandam de lá os pontos de venda de drogas e outras ações do grupo por meio de chamadas de vídeo.
Entre os 35 presos na Operação Churchill estão investigados apontados como integrantes do braço armado da Tropa do Urso e suspeitos de atuar em ataques contra rivais e na proteção de pontos de venda de drogas.
O superintendente-adjunto de Polícia Regional Noroeste, delegado Deverly Júnior, informou que os mandados de prisão tinham como alvo lideranças da organização, gerentes locais e integrantes ligados diretamente ao tráfico de drogas. Parte dessas lideranças, no entanto, não foi localizada. Os nomes dos foragidos não foram divulgados.
De acordo com o delegado, a Tropa do Urso é considerada uma facção de alta violência. Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo é apontado como responsável por 16 homicídios registrados em Colatina em 2024, todos cometidos por determinação das lideranças.
Operações devem continuar
A Operação Churchill contou com apoio da Superintendência de Polícia Regional Noroeste, da Superintendência de Polícia Regional Norte e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), além da Polícia Militar e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo da Secretaria da Casa Militar (Notaer).
O nome da operação faz referência à cidade canadense de Churchill, conhecida pela concentração de ursos, em alusão à organização investigada.
Segundo Bogoni, as ações continuarão enquanto a facção permanecer em atividade. “Aqueles que não foram alcançados serão alcançados outro dia, e aqueles que optarem por ingressar nessa facção terão o mesmo fim dos que foram presos”, finalizou.