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Falhas na estrutura

Estado pode ser obrigado na Justiça a reformar terminais do Transcol

Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa do Espírito Santo ameaça entrar na Justiça para obrigar o Estado a fazer obras de reparo necessárias. Laudo do Crea apontou diversos problemas estruturais nos dez terminais, como trincas em vigas de sustentação, instalação elétrica exposta e rachadura no piso

Publicado em 18 de Fevereiro de 2019 às 17:14

Caique Verli

Publicado em 

18 fev 2019 às 17:14
Armadura metálica em estado avançado de corrosão exposta no Terminal do Ibes, em Vila Velha Crédito: Laudo do Crea-ES
A Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa do Espírito Santo ameaça entrar na Justiça para obrigar o Estado a fazer obras de reparo na estrutura dos terminais do Transcol na Grande Vitória.
Laudo feito depois de vistorias do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-es) apontou diversos problemas estruturais nos dez terminais, como trincas em vigas de sustentação, instalação elétrica exposta, rachadura no piso, telhados com furtos, extintor de incêndio vazio e até barata na caixa d'água. O relatório ainda destacou que muitas das anomalias têm em sua origem erros na época da construção.
Estado pode ser obrigado na Justiça a reformar terminais do Transcol
Os parlamentares da comissão, presidida pelo deputado Marcelo Santos, aprovaram a emissão de uma nota recomendatória pedindo que o Estado se comprometa a resolver as falhas apontadas pelo Crea.
"É um passo similar ao Ministério Público. Caso não seja cumprida o que está na nota, nós ajuizaremos uma ação e provocaremos os órgãos de fiscalizações e controles para agir, cobrando os responsáveis", reforça o deputado.
O relatório do Crea foi apresentado na comissão em uma reunião que aconteceu na manhã desta segunda-feira (18). Vice-presidente do conselho, Ricardo Guariento alerta que a vistoria concluiu que hoje não há um plano de manutenção nos terminais, alguns construídos há mais de 20 anos. A falta desse plano, segundo ele, pode gerar, no futuro, um colapso nas estruturas, colocando em risco os passageiros.
"Vou fazer uma parâmetro aqui: quando é que você vai no médico? Quando você nasce. É a mesma questão da engenharia. Precisa de manutenção a partir de quando? A partir do momento que você entrega a obra. Principalmente onde a água passa, seja na estrutura metálica ou na estrutura de concreto porque a passagem dessa água vai gerar oxidação de armadura, oxidação de estrutura e a longo prazo a gente pode ter um colapso da estrutura", reforça.
O terminal com problemas mais graves é o de Itaparica, em Vila Velha, que está interditado desde julho de 2018. No terminal de Laranjeiras, na Serra, a vistoria indicou a necessidade de trocar metade do telhado da unidade. Segundo o engenheiro civil Jaime Veiga de Oliveira , que coordena o grupo de trabalho do Crea responsável pelas vistorias, uma primeira análise superficial mostra que pode ser preciso interditar parcialmente o terminal de Laranjeiras para as obras. "A princípio, a coloração dali demonstra que o estado de corrosão está avançado. Provavelmente, vai ter que se trocar aquela parte toda. Quando for retirar as telhas daquele local, não tem como fazer com as pessoas embaixo", disse.
A Secretaria de Estado dos Transportes e Obras Públicas (Setop) informou, por meio de nota, que a atual gestão também está fazendo um levantamento das atuais condições dos Terminais do Transcol e que lamenta a deterioração do sistema ocorrida nos últimos quatro anos. Paralelamente a esse diagnóstico, a Setop, em conjunto com a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros (Ceturb), também está planejando ações e investimentos para a recuperação e melhorias dos terminais, incluindo a reativação do Terminal de Itaparica. O orçamento prevê investimentos da ordem de 18 milhões ao longo de 2019 para obras de reforma e manutenção. Já estão em andamento reforma das pistas de rolamento de alguns terminais.
Principais patologias encontradas nos Terminais:
- Armadura em estado avançado de corrosão e início de desplacamento do cobrimento de concreto em vigas e pilares;
- Vigas com espaçamentos muito acima do devido proveniente da movimentação da estrutura e não colocação do material expansivo, podendo desestabilizar a estrutura;
- Trincas não coincidentes com as juntas de trabalho ou de movimentação nos pisos das plataformas de embarque;
- Para-raios com corrosão avançada e com fios aparentes e soltos;
- Sinais de infiltração nas coberturas e vigas de concreto;
- Falhas nos sistemas de combate a incêndio;
- Falhas na acessibilidade dos Terminais;
- Coberturas metálicas dos Terminais em avançado estado de corrosão;
- Fios elétricos expostos e próximos a tubulações de água;
- Banheiros sem condições de uso, sem portas;
- Falha na acomodação do piso.

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