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Custo de vida

Preço dos alimentos puxa inflação na Grande Vitória em 2024

O IPCA no ano passado ficou em 4,26% na Região Metropolitana, segundo IBGE. IPCA capixaba ficou abaixo da média nacional

Publicado em 10 de Janeiro de 2025 às 14:28

Leticia Orlandi

Publicado em 

10 jan 2025 às 14:28
Calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação na Grande Vitória fechou 2024 em 4,26%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (10). A taxa ficou abaixo da nacional, que fechou o ano em 4,83% (acima do teto da meta de 4,5% estabelecido pelo Banco Central). 
O que mais teve alta na Região Metropolitana capixaba no ano passado foi o grupo de alimentos e bebidas, com variação acumulada de 7,09% no ano, seguido pelo grupo educação, com 6,68%. A alimentação no domicílio subiu 7,62%, enquanto a fora de casa teve impacto menor, 5,53% ao longo do ano passado.
Em dezembro de 2024, o IPCA foi de 0,52% no Brasil e de 0,52% na Grande Vitória. Os dados apontam que os itens que tiveram as maiores altas de preço no mercado capixaba foram cenoura (13,95%), contrafilé (13,70%) e transporte por aplicativo (13,65%). E as maiores quedas no último mês do foram nos valores de venda da batata inglesa (25,68%), do limão (24,15%) e do inhame (10,09%).
O inhame, aliás, apesar de ter ficado mais barato em dezembro, teve aumento de 74,73% ao longo de 2024, sendo considerado o produto com a maior alta no período, seguido do café moído, que teve variação de 50,84% no ano. O peroá foi outro alimento com variação significativa, alta de 47,86%. 
Também no ano, o tomate foi o alimento com maior queda de preço (-32,11%), seguido pelas passagens aéreas (-29,98%) e batata inglesa (-28,29%). Confira abaixo as 10 maiores altas e baixas de preço em 2024.
Para o economista Eduardo Araujo, também consultor do Tesouro do Espírito Santo e mestre pela Universidade de Oxford, os resultados do IPCA escondem disparidades significativas entre os grupos. O principal destaque foi a alta de 7,09% em Alimentos e Bebidas, com pressão ainda maior na alimentação no domicílio (7,62%).
"Essa diferença entre o índice geral e o grupo de alimentos ajuda a explicar por qual razão os consumidores têm uma percepção de inflação mais elevada no dia a dia. As pessoas compram no supermercado com muito mais frequência do que adquirem outros itens que compõem o índice. Os alimentos têm peso significativo no orçamento, especialmente no das famílias de menor renda"
Eduardo Araújo - Economista

Araujo acrescentou que a análise da série histórica mostra uma evolução positiva no controle inflacionário quando comparado aos anos anteriores. O índice geral da Grande Vitória apresentou trajetória descendente desde 2021, quando registrou 11,50%, passando por 5,03% em 2022 e 5,10% em 2023, até chegar aos atuais 4,26% em 2024.
“Esse movimento reflete o sucesso da política monetária restritiva adotada pelo Banco Central, com a manutenção de juros em patamares elevados, contribuindo para conter pressões inflacionárias mais amplas. Grupos como Habitação (1,94%) e Transportes (2,54%) apresentaram variações bem mais moderadas ao longo de 2024, evidenciando que o controle de preços tem sido mais efetivo em setores menos expostos a choques de oferta."
Para 2025, o economista avalia que o cenário apresenta desafios importantes que demandarão atenção redobrada das autoridades monetárias. Na sua visão, embora a taxa básica de juros ainda elevada atue como âncora para conter pressões inflacionárias, existem fatores que podem dificultar a convergência da inflação para patamares mais baixos.
“A desvalorização do Real tende a pressionar preços de produtos importados e commodities cotadas em dólar, enquanto a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos pode contribuir para pressões salariais e maior demanda por bens e serviços. Esse contexto sugere que, mesmo com a continuidade de uma política monetária austera, a batalha pelo controle da inflação ainda demandará vigilância constante, especialmente no setor de alimentos, que tem se mostrado mais resistente às medidas de contenção de preços”, explica.

Resultados no país

No país, o resultado de 2024 foi influenciado principalmente pelo grupo Alimentação e bebidas (7,69%), que teve o maior impacto no acumulado do ano. Na sequência, vieram Saúde e cuidados pessoais (6,09%) e Transportes (3,30%). Os três grupos juntos responderam por, aproximadamente, 65% do resultado do ano, segundo o IBGE.
O resultado do grupo Alimentação e bebidas (7,69%) foi influenciado pela alta nos preços da alimentação no domicílio (8,23%). Os destaques principais foram as carnes (20,84%), o café moído (39,60%), o leite longa vida (18,83%.) e as frutas (12,12%).
“Problemas climáticos, como as chuvas no Sul e as queimadas prejudicaram a oferta de produtos in natura”, justifica o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, ao avaliar os resultados do país.
Além disso, assim como em 2023, ele atribui a gasolina como a responsável pela maior variação no indicador em 2024.

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