Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Dismorfia financeira

Perrengue ou conforto: qual palavra define sua vida financeira?

Estudo inédito mostra que 7 em cada 10 brasileiros usam palavras negativas para falar sobre boletos, despesas domésticas e contas do mês

Publicado em 02 de Julho de 2023 às 08:09

Leticia Orlandi

Publicado em 

02 jul 2023 às 08:09
Salário, renda, dinheiro, real, cem reais, economia, pagamento
Relação de brasileiro com dinheiro foi alvo de pesquisa Crédito: Shutterstock
Quando o assunto é dinheiro, sete em cada dez brasileiros não usam palavras positivas para descrever a sua vida financeira. Para a maioria das pessoas, falar de boletos, despesas domésticas e contas do mês está associado a uma luta diária, com perrengues, privações e dívidas.
Foi o que apontou uma pesquisa inédita realizada pela instituição financeira Will Bank, que surgiu no Espírito Santo e tem mais de 60% dos seus clientes no Nordeste. Em parceria com a Mastercard, o levantamento ouviu mais de 2 mil pessoas do país entre 18 e 40 anos de todas as classes sociais em pesquisas quantitativa e qualitativa.
Para 47,3% dos entrevistados, a primeira resposta que veio à mente tinha um tom negativo, enquanto 24% trataram o assunto sob um ponto de vista neutro.
Outro sentimento identificado é relacionado à sensação de inadequação. Algo que é visto quando todos postam fotos de viagem enquanto a pessoa considera difícil virar o mês com as contas no azul.
Esses sentimentos em relação a dinheiro foram chamados de "dismorfia financeira", nome dado a uma condição que afeta a forma como diferentes pessoas percebem a própria realidade financeira. Isso acontece quando a relação com as finanças pessoais é distorcida e pode despertar diferentes sensações (boas e ruins) dependendo de quem você é e quanto dinheiro você tem.
O CEO do Will Bank, Felipe Félix, disse que outro dado da pesquisa que chamou a sua atenção foi o fato de 37% das mulheres terem vergonha de pedir empréstimo, enquanto isso acontece com 26% dos homens. Sobre essa informação, ele lembra que muitas vezes é o empréstimo que pode ser a alavanca que faltava para a pessoa começar o seu negócio.
“Quais são os gatilhos que impedem as pessoas de serem incluídas financeiramente? A pesquisa mostra que tem muito a ver sobre a falta de pertencimento [ao ambiente bancário]. As pessoas não se enxergarem. Então, temos uma expectativa muito positiva de que, a partir do conhecimento, é possível mudar essa realidade. E esse vai ser um dos nossos objetivos, tendo o crédito como direito humano. O estudo envelopa todos esses aprendizados e dá o nome a ele, mas isso é um processo contínuo”, afirma Félix.

Receio ao crédito

A pesquisa ainda mostra que 60% dos entrevistados muitas vezes têm vontade de usar o crédito oferecido, mas não utilizam porque sentem medo de não conseguir pagar.
Foi essa situação que quase impediu a designer de unhas Greici Telles de ampliar seu negócio. Ao calcular o que precisaria investir para abrir um espaço para atender as clientes, percebeu que só conseguiria realizar o objetivo com a ajuda de empréstimo.
Greici Telles
A designer de unhas Greici Telles recorreu a empréstimo para abrir um espaço para atender clientes Crédito: Carlos Alberto Silva
“Eu tinha vergonha de pedir e medo de não conseguir honrar com o valor das parcelas. Passei muitas noites em claro, pensando se iria pegar o empréstimo. Mas coloquei na frente a minha vontade de crescer. Encarei e isso me ajudou muito”, conta.
Com o microcrédito de uma linha da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes), conseguiu atingir o objetivo. Ela atendia numa sala comercial e a clientela vinha por indicação. Com o crédito, conseguiu abrir o espaço com vista para a rua.
“Minha agenda aumentou em mais de 90%, quando passei a ficar mais visível. Agora clientes também chegam por ver o meu espaço na rua”, relata.

Situação 

Para o professor Danilo Monte-Mor, doutor em Ciência Contábeis e Administração e professor da Fucape, a dismorfia tem explicação histórica. Ele lembra que, no passado, a igreja aliava fundamentos de posse a um dos pecados capitais: a avareza. Falar em dinheiro se configurava também em ganância e pecado. Por isso, o professor afirma que não se desenvolveu o debate na sociedade, muito menos nas políticas públicas de investimento na educação financeira.
“A educação financeira não se dá sem princípios de cidadania. Não inclui-la desde a educação infantil acaba levando à dismorfia financeira, porque gera uma situação de não pertencimento. As pessoas não se sentem inseridas e não se visualizam criando oportunidades, metas e sonhos”, destaca.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Músicos se apresentam na Fête de la Musique 2025 em uma rua de Paris
Rua se transforma em palco e calçada vira pista da cultura francesa em Vitória
Ministro Alexandre de Moraes
Moraes dá 24 horas para Bolsonaro explicar arma apreendida em blitz
Neymar treina no campo pela primeira vez com a seleção nos EUA
Neymar treina no campo pela primeira vez com a seleção nos EUA

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados