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Jacaraípe

Vídeo mostra grande quantidade de caramujos africanos em praia da Serra

Presença dos caramujos na praia de Jacaraípe preocupa moradores, dado que o animal pode liberar até 500 ovos e transmitir doenças

Publicado em 10 de Janeiro de 2022 às 16:22

Vinicius Zagoto

Publicado em 

10 jan 2022 às 16:22
Um vídeo gravado por um morador da Serra, na Grande Vitória, mostra uma grande quantidade de caramujos africanos na praia de Jacaraípe no início deste mês. O animal se tornou motivo de preocupação no balneário, já vez que pode liberar de 200 a 500 ovos de uma só vez e transmitir diversas doenças.
As imagens foram registradas pelo diretor do Instituo Brasileiro de Fauna e Flora (IBRAFF), Claudiney Rocha, no dia 3 de janeiro, mas ele conta que a infestação continua. O diretor alerta que a proliferação dos caramujos pode ser estimulada por resíduos como guardanapos sujos e restos de comida deixados na praia e a própria vegetação nativa do local.
Segundo o diretor, um outro risco é quando a própria população tenta matar o animal: “Quando pisam nele, tentando matá-lo, pode ser que se ele estiver ovado, libere de 200 a 500 ovos de uma vez”, alerta.
A orientação, de acordo com o diretor, é que a remoção do animal seja feita pelo poder público. Mas caso algum adulto queira retirá-lo, é necessário estar com luvas e sapato fechado e depositar o animal em um saco preto ou em uma lata de tinta de 20 litros para depois incinerá-lo.

DOENÇAS

O caramujo africano pode transmitir duas doenças: a meningite eosinofílica e a estrongiloidíase. O verme Angiostrongylus cantonensis, causador da meningite eosinofílica, pode se tornar parasita do caramujo africano de duas formas: penetração direta no corpo do molusco ou pela ingestão de fezes de roedores contaminadas. A infecção em humanos ocorre quando é feita a ingestão do muco (gosma) que o caramujo libera para facilitar o seu deslizamento. Por isso, é tão importante lavar e deixar de molho as hortaliças.
A doença tem sintomas que podem durar de dias a meses: distúrbios visuais, dor de cabeça forte e persistente, febre alta, e sensação de formigamento, queimação e pressão na pele. Nem sempre ocorre rigidez na nuca, como em outros tipos de meningites.
Já a estrongiloidíase é causada pelo verme Strongyloides stercoralis, que pode penetrar na pele do ser humano, atingindo os pulmões, traqueia e epiglote, e depois migrando para o sistema digestivo, tornando-se parasita do intestino. Os sintomas mais comuns são tosse seca, dispneia ou broncoespasmo, edema pulmonar; diarreia, dor abdominal; podendo ser acompanhada por anorexia, náusea, vômitos, dor epigástrica.
Em sua forma grave, a estrongiloidíase apresenta febre, dor abdominal, anorexia, náuseas, vômitos, diarreias manifestações pulmonares (tosse, dispneia e broncoespasmos e, raramente, hemoptise e angústia respiratória). Quando não tratada, pode levar à morte.

O QUE DIZ A PREFEITURA DA SERRA

Através de nota, a Secretaria de Serviços da Serra afirmou que os caramujos são retirados a medida em que é observada a presença deles e conforme o cronograma de serviços já programado semanalmente.
“No entanto, se a população identificar grande quantidade de caramujos e acionar a prefeitura, por meio dos seus canais oficiais, uma equipe é enviada o mais rápido possível para essa coleta. O telefone para acionamento é o 3251-5879, das 07 às 12h e de 13 às 17h”, informa o texto.

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