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Pesquisa da Ufes transforma madeira de laranjeiras em bioenergia

Estudo reuniu restos da planta e fabricou uma massa sólida para ser submetida a testes; na avaliação dos cientistas, os resultados foram animadores

Publicado em 11 de Novembro de 2023 às 18:35

Maria Fernanda Conti

Publicado em 

11 nov 2023 às 18:35
Investigação teve início no município de Jerônimo Monteiro, no Sul do Espírito Santo, destaque na produção de laranja
Restos de madeira das laranjeiras foram analisados por pesquisadores na geração de bioenergia Crédito: Reprodução | Pixabay
Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) conseguiu transformar restos de pé de laranja em energia limpa. O estudo, divulgado nesta sexta-feira (10), reuniu excedentes de madeira da planta e fabricou uma massa sólida – chamada de 'briquete' – para ser submetida a testes. Os resultados foram animadores, na avaliação dos cientistas.
A investigação iniciou no município de Jerônimo Monteiro, no Sul do Espírito Santo, destaque na produção de laranja. Segundo o autor da pesquisa, Luciano Dias, a ideia do reaproveitamento surgiu após notar que, ao fim dos ciclos produtivos da planta, muitos resíduos eram gerados. Dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) mostram que, somente no ano de 2021, a produção do fruto foi de 2.700 toneladas em terras capixabas.
Os trabalhos foram desenvolvidos por pesquisadores do programa de pós-graduação em Engenharia Química da Ufes, em colaboração com o Laboratório de Energia da Biomassa (LEB) do Departamento de Ciências Florestais e da Madeira. 

Os testes

Para testar a eficácia energética do material, os pesquisadores produziram quatro tipos de briquetes. Dois compostos utilizando inteiramente o resíduo do tronco da laranjeira, e os outros dois com a adição de 10% da casca do tronco. Foram utilizadas duas pressões de compactação, 10 e 12 megapascal (MPa), totalizando quatro tipos de briquetes.
Durante os testes, a composição com 100% do tronco e pressão de 10 MPa obteve o melhor desempenho em relação aos outros tipos – ou seja, teve maior poder de combustão. As análises químicas e físicas mostraram resultados semelhantes ao eucalipto, que é a principal biomassa utilizada para o aproveitamento energético.

Descobertas

A conclusão dos testes mostrou um caminho para a implementação da biomassa da laranjeira como fonte de energia de forma parcial para atender as demandas de setores dos centros urbanos. De acordo com Luciano Dias, apesar dessa descoberta, a implementação dessa matriz energética não será fácil.
“Estamos acostumados ao uso do gás de cozinha para preparação dos alimentos e da energia elétrica para iluminar as nossas casas, ou seja, nosso cotidiano não tem a presença da biomassa como opção energética e isto está atrelado ao desenvolvimento natural de uma sociedade”, explica o pesquisador.
Para a efetiva implementação da bioenergia, o autor defende a ampliação dos estudos na área para contribuir com essa realidade.

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