Alvo de reclamações antigas de moradores de Jardim Camburi, em Vitória, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) localizada nas proximidades do Aeroporto de Vitória, popularmente conhecida como “Penicão”, voltou a ser motivo de queixas devido ao forte mau cheiro sentido na região. Segundo relatos, o problema se agravou nas últimas semanas, principalmente entre o fim da tarde e o início da noite.
Morador do bairro, José Júnior afirma que a situação piorou há cerca de um mês, e que as famílias que residem mais perto da estação são as mais afetados. "Tem mais ou menos um mês que está piorando. Aqui perto do Penicão, do condomínio Jardins para frente, todo mundo sente. Os prédios dessa parte também sofrem com o cheiro”, conta.
De acordo com ele, o odor costuma ser mais intenso entre 17h e 19h, agravando-se em dias de ventania. José também relata que o problema interfere na rotina dos moradores, que são obrigados a manter as janelas fechadas e sentem o incômodo até mesmo ao chegar ao bairro de carro.
O morador conta ainda que consegue observar a estação do apartamento onde mora e percebe que, quando alguns dos aeradores mecânicos (equipamentos responsáveis por oxigenar o esgoto durante o tratamento) deixam de funcionar, o mau cheiro volta a ficar mais intenso.
O que diz a Cesan
Procurada pela reportagem, a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) informou que a queda de temperatura e a menor dispersão do ar, associadas à limpeza do sistema de pré-tratamento e à manutenção dos aeradores, podem ter contribuído para uma alteração temporária do odor.
A companhia informou ainda que todas as providências necessárias para a estabilização do sistema já foram adotadas e que o funcionamento da Estação de Tratamento de Esgoto de Camburi é monitorado em tempo real.
Promessa de desativação
Em 2023, a Cesan anunciou um projeto para substituir a atual Estação de Tratamento de Esgoto por uma Estação Elevatória. A proposta prevê o esvaziamento das lagoas de tratamento e o envio dos efluentes para uma nova unidade a ser construída na ArcelorMittal Tubarão, na Serra, onde a água passará por um novo tratamento para ser utilizada em processos industriais.
Na época, a companhia informou que o investimento seria de R$ 130 milhões e que a previsão era de entrar em funcionamento em 2026.