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Metanol em bebidas: saiba os cuidados para evitar contaminação

Especialistas recomendam uma série de orientações, uma vez que, mesmo em pouca quantidade, a ingestão da substância é altamente tóxica

Publicado em 01 de Outubro de 2025 às 17:38

Gabriela Reis

Publicado em 

01 out 2025 às 17:38
Apesar da adulteração ser mais comum em bebidas destiladas, a a contaminação pode acontecer com qualquer outro tipo de bebida alcoólica.
A adulteração é mais comum em bebidas destiladas, mas pode acontecer em qualquer outro tipo de bebida alcoólica Crédito: Freepik
Convulsões, perda de consciência, internação, cegueira e até óbito. Essas são as consequências de alguns dos casos de intoxicação por metanol ocorridos no país por suposto consumo de bebida alcoólica adulterada. Com o aumento de registros, cresce também a preocupação de quem consome esse tipo de bebida. Diante deste cenário, especialistas recomendam uma série de cuidados, uma vez que, mesmo em pouca quantidade, a ingestão da substância é altamente tóxica e pode causar danos irreversíveis.
A médica toxicologista do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox-ES), da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Rinara Angélica de Andrade Machado, diz que um dos cuidados mais importantes é analisar com atenção a embalagem e a origem da bebida antes do consumo. A orientação é observar se há algum tipo de alteração no rótulo, adulteração de embalagem, violação no lacre e qualquer tipo de coisa que fuja da normalidade.
De acordo com a médica, ao identificar algum desses sinais, não se deve consumir o conteúdo da embalagem. Outra recomendação é evitar comprar bebidas artesanais de procedência duvidosa e dar preferência para compras em locais de confiança.
Rinara cita ainda outras precauções: verificar se há registro daquela bebida e identificar o selo fiscal e o fabricante são legalizados. Em festas e eventos, segundo a médica, o cuidado deve ser redobrado, uma vez que bebidas adulteradas podem ser servidas sem que o cliente tenha contato com o produto. Apesar de a adulteração ser mais comum em bebidas destiladas, como vodca, uísque, gin, cachaça, tequila e rum, a contaminação também pode acontecer com qualquer outro tipo de bebida alcoólica.
A médica ainda alerta que, mesmo quando ingerido em pequena quantidade, o consumo de metanol pode causar os seguintes sintomas: náuseas, vômitos, dor abdominal, dor de cabeça intensa, tontura, fraqueza, alterações visuais (como visão turva, perda da visão ou “manchas” na visão), respiração acelerada, convulsões e perda de consciência.

O que é metanol?

O metanol é um tipo de álcool utilizado como solvente industrial e combustível. Entretanto, diferente do etanol, álcool comumente utilizado em bebidas, o metanol é altamente tóxico e não deve ser ingerido em nenhuma quantidade por provocar intoxicação grave, sequelas permanentes e até levar a óbito.
A médica toxicologista orienta que, em casos de suspeita de contaminação, a recomendação é buscar atendimento médico o mais rápido possível. “A pessoa deve procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo e, se possível, levar a embalagem ou amostra da substância ou bebida ingerida”, alerta.
Há também um canal de ajuda para situações como essa. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox-ES) conta com uma equipe 24h a postos para orientar casos de intoxicação por qualquer tipo de substância. A população pode entrar em contato de forma gratuita pelo telefone 0800 283 9904.
Além da contaminação por bebidas alcoólicas adulteradas, segundo Rinara Angélica de Andrade Machado, as principais fontes para a intoxicação pela substância são a manipulação incorreta de solventes, combustíveis ou produtos químicos contendo metanol, e ingestão acidental por crianças ou adultos que confundem o líquido com água ou outras bebidas.

Casos suspeitos

Segundo dados do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo, até o momento da publicação desta matéria, o Estado registrou 22 casos suspeitos de intoxicação por metanol, sendo 7 confirmados. Houve 5 mortes, sendo um deles confirmado de ter acontecido por meio do consumo de bebida alcoólica adulterada. Os outros 15 casos seguem em investigação. Em Pernambuco, foram 3 casos confirmados, sendo 2 óbitos e uma vítima com cegueira permanente. O Espírito Santo não teve casos de intoxicação por metanol. 

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