A inclinação do tanque metálico localizado em uma área inoperante do porto no bairro Chácara do Conde, em Vila Velha, pode ter sido provocada pela ausência de partes da própria estrutura. A conclusão é da Defesa Civil do município, que realizou uma nova vistoria na manhã desta quarta-feira (15).
Segundo o órgão, os técnicos constataram a ausência de partes das bases dos anéis de sustentação do tanque e identificaram marcas que indicam um furto ou removidos desses componentes, responsáveis por dar estabilidade à estrutura.
Após a inspeção, a Defesa Civil notificou preventivamente a VPorts para iniciar imediatamente o escoramento do tanque. A empresa também terá dez dias para apresentar ao município o cronograma de trabalho para a demolição da estrutura.
O tanque tem 14 metros de altura, nove metros de diâmetro e capacidade para armazenar mais de 14 mil metros cúbicos. Segundo a Prefeitura de Vila Velha, ele está desativado desde 2004.
A reportagem procurou a VPorts para comentar as conclusões da Defesa Civil sobre a ausência de componentes dos anéis de sustentação. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. Caso a concessionária se manifeste, o texto será atualizado.
A preocupação dos moradores começou na noite de segunda-feira (13), quando um forte estrondo foi ouvido na região. O tanque, localizado no alto de um morro, inclinou e passou a se apoiar em outro reservatório ao lado.
Como a estrutura fica acima de uma igreja e de diversas residências, moradores temem que ela tombe e atinja as casas. "Parecia um acidente de carro. De manhã, vimos que ele, que é maior e redondo, bateu e escorou no menor, que fica do lado do outro tanque. A preocupação é atingir as casas; embaixo são muitas e temos as crianças em casa de férias. Não tem como prever se acontece hoje, amanhã ou depois", relatou a moradora Valdineia Rodrigues.
Além do receio de um possível acidente, os moradores também reclamam da falta de manutenção da área. "Os moradores antigos falam que os tanques eram usados para colocar combustível e estão há mais de 70 anos no mesmo local. Depois que deixaram de funcionar, nunca mais limparam. Tem muito lixo, as árvores caem nos fios, deixando o bairro sem energia. Os próprios moradores acabam cuidando da área", afirmou Valdineia.