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Com base no Google

Dengue: painel criado na Ufes prevê aumento de casos em Vila Velha

Ferramenta desenvolvida por pesquisadores da universidade faz projeções com base em buscas na internet pelo termo “dengue”  em 49 municípios do Estado

Publicado em 20 de Fevereiro de 2024 às 14:00

Eduarda Lisboa

Publicado em 

20 fev 2024 às 14:00
Apesar de o autodiagnóstico não ser recomendável, a curiosidade das pessoas em querer saber mais sobre os sintomas de determinadas doenças pode até ser útil. Com base nesse comportamento, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) criaram uma ferramenta que é capaz de prever o aumento de casos de dengue no Estado, analisando o nível de procura pelo nome da doença no Google. 
O Painel de Monitoramento da Tendência de Casos de Dengue é uma parceria da Ufes com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti) e monitora as tendências de buscas na internet pelo termo “dengue”, com o objetivo de prever novos surtos e alertar os municípios sobre o aumento ou a redução no número de casos da doença, com até duas semanas de antecedência. 
Utilizada para monitoramento de doenças em outros países, no Espírito Santo, a ferramenta traz a novidade de ser a primeira coleta de informações a nível municipal, abrangendo 49 cidades capixabas. Na análise mais recente, o painel de monitoramento mostrou, na última semana, um aumento de pesquisas sobre os sintomas da dengue em São Mateus e na Grande Vitória, principalmente em Vila Velha.
“Verificamos um aumento de buscas principalmente em Vila Velha, onde o interesse está o dobro do que no pico no ano passado. Logo, espera-se um aumento de casos no município para os próximos dias”, explica o professor Everlam Montibeler, do Departamento de Economia da Ufes, coordenador do estudo.
Montibeler explica que a ferramenta funciona através do aplicativo Google Trends, desenvolvendo algoritmos para atualizar as informações de forma automática.
“Observamos que existe um problema de tempo entre as notificações de doenças e o acontecimento dos casos em si. Com os boletins de notificação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o gestor só consegue saber do aumento de casos, em média, dez dias depois do surto. As pessoas com sintomas pesquisam no Google sobre a doença e, a partir de palavras-chaves, podemos monitorar e alertar a tendência de forma instantânea”, conta o professor.
O painel não utiliza dados identificados. Todas as consultas ao banco de dados do Google são realizadas utilizando informações anônimas, desconsiderando os endereços de protocolo de internet (IP) ou localização física específica de qualquer usuário.
A próxima etapa do projeto envolve a incorporação de outros municípios para acompanhamento e, futuramente, a criação de um modelo de previsão capaz de medir o número de novos casos de dengue e de outras doenças virais, como chikungunya, zika e covid.

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