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Norte do ES

Área de empresa que explodiu em São Mateus é periciada e segue isolada

Bombeiros, polícia e Exército estiveram no local para os trabalhos periciais nesta quinta (22) e mantiveram o isolamento para evitar a presença de terceiros e prejuízos à investigação; um trabalhador morreu

Publicado em 22 de Maio de 2025 às 20:13

Wilson Rodrigues

Publicado em 

22 mai 2025 às 20:13
Crea pede 'interdição total e imediata' de empresa que explodiu em São Mateus
Imagem aérea mostra que galpão de empresa foi completamente destruído com explosão Crédito: Raphael Verly
A área da explosão no terreno da Voi Termoquímica, na localidade de Paulista, São Mateus, no Norte do Espírito Santo, segue isolada após realização de perícia, segundo informou nesta quinta-feira (22), o Corpo de Bombeiros. A corporação detalhou que não há data definida para conclusão dos trabalhos periciais, devido ao que chamou de "complexidade do caso", e que a área está sob intervenção do Estado.
O trabalhador da empresa Lorran Marques da Conceição, de 19 anos, morreu no momento do acidente, e a outra vítima, Kauã Felix Rocha, da mesma idade, sofreu queimaduras e foi levado em um helicóptero do Notaer para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra. 
Vítimas da explosão em fábrica de São Mateus: Lorran à esquerda e Kauã à direita
Vítimas da explosão em fábrica de São Mateus: Lorran à esquerda - morto no acidente -  e Kauã à direita - sobrevivente Crédito: Acervo pessoaç / Montagem A Gazeta
Em nota, o Corpo de Bombeiros explicou que "a área atingida pelo sinistro na última quarta-feira (21) encontra-se isolada para a realização de perícia e sob responsabilidade do Estado". A repórter Rosi Bredofw, da TV Gazeta, esteve no local e presenciou quando bombeiros ordenaram a saída de pessoas da cena do ocorrido, sob pena de prisão.
Em resposta, a corporação declarou que "nesta quinta-feira (22), ao chegar ao local para continuidade dos trabalhos periciais, a guarnição do Corpo de Bombeiros encontrou pessoas circulando pelo local sem autorização, descaracterizando a cena, o que pode comprometer a investigação. O bombeiro militar responsável pela salvaguarda do espaço solicitou que as pessoas que não estivessem diretamente ligadas à investigação saíssem do local, para que a área fosse preservada", informou a corporação.
"Equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), Polícia Militar e do Exército Brasileiro permanecem na área de sinistro, desempenhando suas funções constitucionais. A decisão de isolar a área deve-se, puramente, para preservar os vestígios e possibilitar um trabalho pericial satisfatório e foi tomada em comum acordo pelo Corpo de Bombeiros, Polícia Científica, Exército Brasileiro e Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp)", diz a nota do Corpo de Bombeiros. 
Já, a Polícia Civil informou nesta quinta-feira (22), que "o caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Infrações Penais e Outras (Dipo) de São Mateus e que detalhes da investigação não serão divulgados, no momento".

Sobrevivente está na UTI

A reportagem de A Gazeta conversou com Raiane Nunes Felix, mãe de Kauã, que contou que foi ao hospital no mesmo dia do acidente para acompanhar o filho, que está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela afirma não ter recebido informações sobre o estado de saúde do jovem, e disse que faria uma nova visita nesta quinta-feira (22). Até a publicação deste texto não havia atualizações.
"Ele tinha se casado recentemente, estava feliz. Trabalhava na fábrica há cerca de um ano e meio e gostava do trabalho, gostava do patrão", disse a mãe de Kauã.

Pouco tempo na empresa

O jovem que morreu em decorrência da explosão, Lorran Marques da Conceição, de 19 anos, segundo a prima, estaria fazendo um trabalho manual quando o acidente ocorreu. Helen Kerlle Marques da Silva, de 36 anos, disse que a família do primo mora próximo ao local e que ouviu a explosão. O jovem foi reconhecido pelas vestimentas e os calçados que ele usava.
“A explosão foi muito forte. Todo mundo foi atrás para ver o que tinha acontecido. Reconhecemos as vestimentas e os calçados que ele usava. A minha mãe foi lá. Familiares reconheceram ele”, disse a prima de Lorran.

Posicionamento da empresa

Um representante legal da Voi Termoquímica, responsável pela fábrica, se posicionou sobre o ocorrido, mencionando "falha humana" como possível causa da explosão. Em entrevista à repórter Viviane Maciel, da TV Gazeta, Camilo Hemerly alegou que o acidente ocorreu em função de "um rompimento de gás devido a estímulo mecânico", provavelmente, segundo o sócio da empresa, causado por falha humana. Ele disse que o funcionário que morreu e o que ficou ferido "têm seguro de vida fornecido pela empresa, que também já presta todo apoio aos familiares".
Camilo disse ainda que "a fábrica é 100% regulamentada e o galpão, onde o acidente aconteceu, foi construído seguindo recomendações do Exército Brasileiro". Segundo ele, o local da explosão "trata-se de uma nova unidade, inaugurada há pouco mais de um ano", explicou o sócio da empresa.
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) solicitou a interdição da fábrica ainda na quarta-feira (21) e informou que realizaria uma vistoria no local nesta quinta-feira (22). A reportagem entrou em contato com o órgão desde o início da tarde para saber quais informações haviam sido levantadas na vistoria, mas não obteve retorno até a publicação do texto.

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