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ES é o 9º Estado no ranking do emprego, mas tem 228 mil sem trabalho

Entre 2015 e 2017, o Espírito Santo havia fechado 83,5 mil postos de empregos formais. O mercado capixaba voltou crescer em 2018, com 17.455 contratações

Publicado em 22 de Novembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

22 nov 2019 às 04:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Carteira de Trabalho Crédito: Fernando Madeira
Como está o emprego após dois anos da reforma trabalhista aprovada em novembro de 2017? A resposta é: o emprego é a cara da economia. Portanto, não atende bem à sociedade. Nenhuma lei cria emprego. Trata-se de atribuição exclusiva da atividade econômica. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registra que entre novembro de 2017 e setembro de 2019 foram gerados 962 mil postos de trabalho. Isso é obra da economia, não da nova CLT. Para diminuir a aflição nacional, eram necessários 6 milhões de novos empregos, pelo menos 6 milhões de novos empregos.
O Espírito Santo aparece bem no quadro nacional, que é ruim. A desocupação aqui atinge 10,6%, taxa muito menor do que a média nacional (11,8%). É a nona melhor posição entre os Estados. No entanto, 228 mil pessoas estavam à procura de trabalho no território capixaba, até o final do terceiro trimestre, conforme revela a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio Contínua (Pnad).
O Brasil voltou a criar vagas, nos últimos dois anos, a partir do governo Temer. Mas não foi por causa da nova CLT - que apenas tem ajudado nesse processo. Em 2017, a recessão foi oficialmente vencida, e a partir de 2018 a economia recomeçou a abrir vagas de empregos, após três anos com saldo negativo. Entre 2015 e 2017, o Espírito Santo havia fechado 83,5 mil postos de empregos formais. O mercado capixaba voltou crescer em 2018, com 17.455 contratações a mais do que o total de demissões, apesar do afundamento da produção da indústria local.
A taxa de desocupação no país fechou o trimestre móvel encerrado em setembro em 11,8%, e isso representa uma melhora muito tímida. No trimestre anterior, finalizado em julho, 12% da população brasileira estavam sem trabalho. No trimestre que acabou em setembro do ano passado, os ociosos compunham 11,9%. Essa situação não deixa dúvida sobre a dificuldade da economia de criar vagas, reflexo do baixo investimento e do pibinho de 0,92% esperado para 2019. O contingente de desocupados soma 12,5 milhões, fator que desencadeia dramas familiares e enfraquecimento do mercado interno.
Qualquer diminuição do desemprego é bem-vinda, mas nem tanto quando ocorre às custas das atividades informais. Infelizmente, é isso que está acontecendo. De acordo com o IBGE, o número de profissionais atuando por conta própria é recorde histórico: 11,7 milhões, alta de 3,9% frente ao trimestre anterior e de 5,6% em relação ao mesmo trimestre de 2018.
Outro dado incômodo: a população subutilizada - que poderia trabalhar mais - subiu para 28,1 milhões de cidadãos, expansão de 2,6% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
No Espírito Santo, a informalidade aumentou 3,4% no terceiro trimestre, cotejado com os mesmos meses de 2018. Isso quer dizer 47% da população sem carteira assinada (quantidade espantosa), trabalhando por conta própria, ou tarefa familiar. Essa situação impulsiona o empreendedorismo, mas o desejável é que esse não seja um caminho forçado e único para a sobrevivência.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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