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Opinião da Gazeta

O que fazer quando a noção do que é um lar é arrancada das mulheres

Um lar de verdade é aquele no qual a relação entre homem e mulher é de companheirismo, não de medo e dor. Essas mulheres  precisam saber que há alternativas para uma vida melhor

Publicado em 26 de Setembro de 2025 às 01:00

Públicado em 

26 set 2025 às 01:00

Colunista

Mulher
Violência doméstica Crédito: Arte/Geraldo Neto
Lar é onde nos sentimos acolhidos, e são muitas as mulheres que nao sabem o que isso significa no ambiente doméstico. A estatísticas mostram que a expressão "violência doméstica" tem razão de ser: é em casa que mulheres são mais agredidas (em 2023, 79,2% das agressões no Espírito Santo ocorreram no ambiente doméstico).
O mesmo vale para os feminicídios, quando a mulher é morta por questões de gênero: o Painel de Monitoramento da Violência Contra a Mulher, da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) do Espírito Santo, mostra que 55% desses crimes  em terras capixabas entre 2017 e abril de 2025 ocorreram dentro de residências. 
É um ciclo de violência que parte das agressões verbais e físicas até chegar à tragédia maior, a morte. E fatores como dependência financeira e afetiva acabam sendo inibidores de uma decisão pelo afastamento desses homens. Mesmo que a legislação tenha se fortalecido, com a possibilidade, por exemplo, de se cercar de  medidas protetivas, muitas mulheres acabam cedendo e permanecendo com seus companheiros por não enxergarem outras possibilidades.
São mulheres que acabam perdendo a dimensão do que seja um lar de verdade, no qual a relação entre homem e mulher é de companheirismo, não de medo e dor. São mulheres que precisam saber que há alternativas para uma vida melhor, em que elas tenham a capacidade de tomar as próprias decisões. Além de redes de apoio, essas mulheres dependem de informação de qualidade para seguirem em frente.
A violência contra a mulher segue sendo uma das maiores tragédias sociais. O machismo está aí, exposto em cada notícia. Mas é preciso respirar fundo e começar a promover a mudança, com as ferramentas disponíveis. Coletivamente, é possível promover, de grão em grão, as transformações culturais que coloquem um freio nas agressões e nas mortes.
projeto Todas Elas, que acaba de completar cinco anos, é esse ambiente no qual as mulheres podem se inspirar no exemplo de outras mulheres e ampliar seus próprios horizontes. As mulheres encontraram lá incentivos reais ao protagonismo feminino. Uma iniciativa que se une a tantas outras, do poder público, da iniciativa privada e do terceiro setor, para construir uma nova noção de lar para tantas mulheres, com acolhimento e respeito. Um lar que elas podem escolher.

Nota do Editor

26/09/2025 - 2:45
O título original deste editorial foi alterado porque não passava a mensagem correta sobre o seu conteúdo.

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