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Um motociclista bateu de frente com uma carreta na BR 262 e não sobreviveu. Outro condutor de moto morreu em um acidente com um ônibus do Sistema Transcol na Serra. Uma colisão entre duas motos em Cachoeiro deixou um morto e um ferido. Já em São Mateus, outro acidente com duas motocicletas provocou a morte de um professor.
Como normalizar essa sequência brutal de mortes, que ocorreram entre o início da tarde de sábado (18) e a manhã de domingo (19)? Quem lê as notícias nem sempre consegue personalizar a tragédia, mas quem perde um parente ou um amigo dessa forma sabe a dor que é ser testemunha ocular de uma estatística.
Parece que se está batendo sempre na mesma tecla, mas em algum momento esse roteiro precisa começar a ser alterado, não só com políticas públicas mais eficazes, mas com mudanças de comportamento. A violência no trânsito é generalizada, mas a vulnerabilidade de quem trafega em duas rodas tem constatação nas estatísticas.
No Espírito Santo, de janeiro a junho deste ano, foram 248 mortes de motociclistas, um crescimento de 8,3% em relação ao ano anterior, de acordo com o Observatório Estadual da Segurança Pública. Essas mortes representam 44,6% do total de perdas humanas no trânsito. E não se pode esquecer que os acidentes também vitimam quem está na garupa: de janeiro a junho deste ano, foram 20 mortes.
Como mostrou a colunista Vilmara Fernandes, neste primeiro semestre de 2026, enquanto a BR 101 viu o número de mortes e acidentes cair, o que tem causado preocupação é o volume de mortes de motociclistas e de ocupantes de motos, que representa 44% dos registros. O levantamento é da Ecovias Capixaba. É mais um elemento a indicar os riscos.
O mercado de motocicletas só cresce: a produção no Brasil neste primeiro semestre superou 1 milhão de unidades, um crescimento de 6,3% em relação ao ano passado. A demanda existe: motos são mais que opções de mobilidade, já faz tempo que passaram a ser fonte de renda importante. Não vai haver recuo.
Absorver essa frota crescente passou a ser o desafio, não somente com infraestrutura mais qualificada e regramento mais rigoroso, mas sobretudo com educação de trânsito mais qualificada.
Os condutores de veículos maiores precisam assumir o seu papel de responsáveis pelos menores, algo que vai ser ainda mais necessário com o crescimento acelerado de bikes elétricas e autopropelidos nas cidades. E quem decide guiar uma motocicleta precisa estar ciente dos riscos que corre, principalmente se tomar decisões erradas no trânsito.
Enquanto a regra implícita for a do "cada um por si", as mortes seguirão sendo a consagração do nosso fracasso.
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