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Opinião da Gazeta

Falta de qualificação profissional no mercado é uma questão de educação

Situação dramática de não conseguir preencher vagas em um país com tantos desempregados escancara as mazelas estruturais da educação brasileira

Publicado em 26 de Julho de 2021 às 02:00

Públicado em 

26 jul 2021 às 02:00

Colunista

Estudo
Exclusão digital é um dos problemas que afetam a qualificação profissional Crédito: Pixabay
As deficiências crônicas na educação brasileira ocupam sempre a justíssima liderança das urgências nacionais. Sem educação, o principal pilar de qualquer nação não se sustenta.  Mas é importante ter a dimensão do impacto dessa carência em linhas práticas. 
Em um país em plena crise do emprego, seria óbvio imaginar que, para cada vaga aberta, houvesse uma legião de trabalhadores aptos a ocupá-la. Contudo, não é o que acontece simplesmente pela falta de qualificação dos candidatos. Se, de um lado, há atualmente 269 mil desempregados no Espírito Santo, do outro, há metade dos empregadores encarando a dificuldade de contratar trabalhadores com formação adequada para os cargos oferecidos.
O dado é do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies): 53% das empresas capixabas encontram dificuldades na contratação pela falta de profissionais qualificados. O percentual supera o brasileiro, que é de 50%, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
E um equívoco que não pode ser cometido é pensar que são postos com mais exigência de formação específica, como os ligados às novas tecnologias. Não necessariamente. Com a mudança no perfil do trabalho, com automação e inserção em ambientes digitais em todos os níveis, essas aptidões estão sendo exigidas até mesmo para vagas em vendas ou call center. 
Não ter um mínimo de conhecimento tecnológico é a nota de corte no mercado de trabalho nesta terceira década do século 21, o que expõe as mazelas da exclusão digital, da falta de acesso à educação e também das defasagens curriculares.
Essa situação dramática de não conseguir preencher vagas em um país com tantos desempregados escancara as mazelas estruturais. São milhões de brasileiros incapazes de conseguir uma ocupação mais qualificada, sujeitando-se à desocupação e expondo-se à vulnerabilidade. 
Mesmo em tempos menos caóticos do que o atual, o país já se via incapaz de sustentar um crescimento vigoroso em função também do déficit de produtividade. Problemas, como se pode constatar, que têm como base a ausência de projeto educacional de qualidade, com foco nas demandas que se apresentam neste mundo em constante transformação. 
O mercado de trabalho vai continuar mudando, e o profissional deve estar buscando formas de adaptação às novas demandas. Faculdades públicas e privadas não podem ignorar essas novas exigências em seus currículos, sob o risco de oferecerem cursos e disciplinas obsoletos.
E o poder público tem o compromisso de criar políticas educacionais mais includentes e, sobretudo, com estímulos à formação profissional destinada a setores em franco crescimento, mas carentes de mão de obra qualificada. Diagnósticos são necessários, é preciso acompanhar de perto essas mudanças para equilibrar a oferta e a procura por trabalho. 

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