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Críticas

Setor empresarial lamenta novo tarifaço de 25%, e Fiesp dispara contra governo Lula

Entidade paulista culpa governo por 'ruídos desnecessários' e críticas personalistas a Trump; indústria brasileira já perdeu US$ 2,6 bilhões desde que o tarifaço foi iniciado, segundo cálculos da CNI

Publicado em 16 de Julho de 2026 às 11:14

Agência FolhaPress

Publicado em 

16 jul 2026 às 11:14

São Paulo - As primeiras manifestações dos industriais brasileiros sobre a nova sobretaxa de 25% aplicada pelo governo Donald Trump na noite desta quarta-feira (15) indicaram forte apreensão. No caso da indústria paulista, fortes críticas ao governo Lula (PT).


Mais de 2.100 produtos estão isentos das novas taxas dos Estados Unidos. São listadas ainda 12 categorias que estavam na mira das investigações, mas escaparam, como o café solúvel, certos produtos de pescado (como o filé de tilápia), couro, peles e peles com pelo, obras de arte, entre outros.


Por outro lado, setores que já estavam sobretaxados em 10% e pleitearam isenção foram recusados. É o caso de móveis, calçados, têxtil, tabaco, madeira (coníferas), e mel convencional (exceto orgânico, que foi isento). A indústria de armas e munições não pleiteou redução, mas sofrerá com o incremento de 25%.

Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump, presidente dos EUA auto-uReuters/Folhapresspload

A regra de não duplicação será aplicada a setores com peso na balança comercial, como o aço e alumínio, que estavam enquadrados em outra base de investigação, com taxação de 50%.


A CNI (Confederação Nacional da Indústria) avalia que a sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais, além de ampliar a insegurança para as empresas do Brasil e dos Estados Unidos.


"Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 Estados reduziram exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Cálculos da confederação indicam que, desde a adoção das tarifas no ano passado, as exportações brasileiras para os EUA caíram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.

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A retração foi influenciada pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais, principalmente manufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço.


Apesar da queda, os Estados Unidos seguem como o principal destino das exportações da indústria de transformação do Brasil.

Em nota, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) disse "lamentar, com profunda preocupação", a aplicação de uma nova sobretaxa às exportações de produtos brasileiros. Para a entidade, a decisão é "especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais".


Liderada por Paulo Skaf, um crítico ao governo Lula, a Fiesp afirma que a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma "condução técnica e pragmática".


Diz também que em um momento de sensibilidade econômica mundial, a "opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington" minaram vínculos construídos ao longo de 200 anos cooperação bilateral.


"O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios", disse Skaf em nota.


A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) disse que a medida anunciada pelos EUA cria uma diferença relevante em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores. O impacto efetivo, no entanto, vai depender dos produtos alcançados pela nova sobretaxa, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido aos concorrentes internacionais.


O temor é o mesmo do tarifaço iniciado há um ano: a possível substituição de fornecedores brasileiros em mercados já estabelecidos; a pressão pela redução de preços e margens; e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais.

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"Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras", disse em nota Verônica Winter, coordenadora de facilitação de negócios internacionais do Centro Internacional de Negócios da Fiemg.


A federação ainda falou sobre a necessidade de intensificar as negociações com os Estados Unidos visando a garantia de regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e período de implementação das taxas. Isso evitaria uma "perda prolongada" de competitividade para os industriais brasileiros.


Pelas regras anunciadas nessa quarta-feira, a tarifa de 25% começa a valer a partir do próximo dia 22 de julho. Produtos que forem embarcados antes dessa data e chegarem aos EUA até o dia 29 ficam isentos da nova taxa.


O anúncio do governo Trump se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao USTR (Representante de Comércio dos EUA) investigar se um país adota práticas comerciais consideradas desleais. No caso brasileiro, a investigação mirava pontos como a tarifação do etanol, as regras de meios de pagamentos como o Pix, uso da propriedade intelectual e o combate ao desmatamento ilegal.

Guerra comercial ativa

Roberto Siminioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, avalia que o anúncio do governo Lula de que deve usar a lei de reciprocidade contra os Estados Unidos, aplicando tarifas na mesma proporção para blindar financeiramente a indústria nacional, pode ser vista pelo presidente Donald Trump como "uma guerra comercial ativa", o que poderia ser prejudicial em termos de competitividade.


Segundo o economista, além da perda de competitividade frente a outros países que fazem negócios com os EUA, pode haver prejuízos no caso das empresas que vão direcionar seus produtos a outros mercados, já que essa mudança de logística exige ainda mais gastos.


O especialista acredita que a melhor forma é tentar reverter as tarifas da Seção 301 em ação na própria Justiça americana, que tem derrubado decisões do governo neste sentido.


Ele diz ainda que commodities agrícolas e minerais devem ser os menos afetados, já que contam com algumas proteções, mas as cadeias industriais de alta tecnologia, siderurgia, autopeças e manufaturados leves estão na linha de frente do impacto.

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O Terminal Portuário de Vila Velha (TVV), único terminal de contêineres do Estado, é administrado pela empresa Log-in Logística. Por lá passam eletrodomésticos, insumos para a indústria de mineração e siderúrgica, e outros.

Quantas novas ameaças de tarifaço o Brasil precisa aguentar?

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