Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Economia
  • Guedes enfrenta rebelião de auxiliares contra reforma do Imposto de Renda
Reforma tributária

Guedes enfrenta rebelião de auxiliares contra reforma do Imposto de Renda

Avaliação de parte da equipe econômica é que a reforma proposta aumenta a tributação, é injusta com as empresas e amplia a burocracia do sistema

Publicado em 08 de Julho de 2021 às 20:28

Agência FolhaPress

Publicado em 

08 jul 2021 às 20:28
Ministro da Economia Paulo Guedes Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Ministro da Economia, Paulo Guedes, defende mudanças no IR  Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Além da resistência de empresários e congressistas contra a reforma do Imposto de Renda (IR) proposta pelo governo federal, o ministro da Economia, Paulo Guedes, está lidando com uma espécie de rebelião dentro da própria pasta.
Após o envio do texto ao Congresso, o clima de insatisfação se espalhou entre secretarias e o entorno do ministro. Membros da pasta afirmam que a reforma foi capturada pela Receita Federal, que não deu margem para participação e sugestões de outras áreas do ministério.
A avaliação desse grupo é que a reforma aumenta a tributação, é injusta com as empresas e amplia a burocracia do sistema.
Guedes sabe das insatisfações e ouviu reclamações diretamente de auxiliares. O ministro, que já reconheceu ter calibrado mal alíquotas da reforma, tenta reduzir as resistências internas e ainda segue atuando em defesa do texto.
De acordo com uma pessoa próxima a Guedes, o agendamento de conversas do ministro em São Paulo com grandes empresários é uma tentativa de convencê-lo a dar um passo atrás e ganhar tempo para reavaliar a medida com cautela.
Nesta quinta-feira (8), o ministro se reuniu com representantes de incorporadoras imobiliárias e almoçou com nomes de peso do setor produtivo.
Na quarta-feira (7), um grupo de 120 entidades empresariais já havia enviado uma carta ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com uma lista de críticas à reforma. As reclamações encontram eco dentro do ministério.
Sob condição de anonimato, uma fonte da pasta que participa das discussões sobre a reforma tributária afirma que a proposta enviada ao Congresso não é do ministério como um todo, mas apenas da Receita, que comandou todo o processo.
Normalmente, quando uma medida é elaborada, o texto circula por diversas áreas relacionadas ao tema em discussão, como as secretarias que lidam com comércio exterior, com o setor produtivo e desburocratização. Nesse caso, Guedes optou por restringir as discussões à Receita e a outros poucos atores, afirmam.
O próprio ministro disse em videoconferência na última semana que restringiu o debate e não abriu consultas a especialistas porque havia risco de vazamento de informações privilegiadas.
Em mais de um relato, as queixas são de que o fisco tem interesses que não coincidem com a visão da equipe de Guedes, como a busca por ganhos de arrecadação. Para interlocutores, o órgão fiscalizador também se beneficiaria de eventual aumento da burocracia estatal, o que demanda uma estrutura maior de auditores.
Técnicos afirmam que o problema se intensificou após a escolha do relator da proposta na Câmara, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), que é auditor fiscal e estaria alinhado ao fisco.
Procurada, a Receita Federal informou que não irá comentar. O relator, por sua vez, disse que as alegações não são verdadeiras e que os críticos verão o resultado quando o parecer for entregue.
A principal reclamação dos auxiliares do ministro é sobre os níveis elevados das alíquotas que incidirão sobre as empresas.
O texto reinstitui no país a taxação sobre a distribuição de dividendos, com alíquota de 20%, e extingue o JCP (Juros sobre Capital Próprio), outro mecanismo de repasse de recursos a acionistas e que permite uma dedução de imposto pelas empresas.
Ao mesmo tempo, a medida propõe um corte de cinco pontos percentuais do IR da pessoa jurídica, sendo 2,5 pontos no primeiro ano e outros 2,5 no segundo.
A redução foi considerada tímida. Críticos argumentam que a análise agregada do projeto indica para um aumento de tributação sobre as companhias.
Guedes tem afirmado que não possui compromisso com o erro e que o corte proposto foi realmente pequeno. Por isso, negocia uma redução maior das alíquotas com o Congresso, mas atrelou essa medida a um corte amplo de incentivos tributários de um pequeno grupo de empresas.
Membros do ministério também criticam a proposta de limitar o uso da tributação por lucro presumido, um mecanismo simplificado de apuração de imposto. Para eles, a medida dificulta a contabilidade das empresas e amplia o poder da Receita.
Segundo outra fonte, o IR não é o principal alvo de reclamações do empresariado, mas sim a burocracia. Por isso, na visão desse auxiliar, o ministério estaria fazendo de afogadilho uma reforma que não é prioritária para o setor privado e deixando de fazer o que é de fato importante, que seria a simplificação do sistema de cobrança.
Um membro da pasta afirma que é muito difícil aprovar uma reforma estruturante no terceiro ano de mandato presidencial e que, por isso, o ideal seria criar uma comissão de alto nível para debater o tema e formular uma proposta a ser analisada pelo Congresso apenas no próximo governo.
Perguntado sobre o resultado da proposta, o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, que faz contato direto entre a pasta e empresários, não apresentou sua posição pessoal. Ele disse, no entanto, que tem levado a Guedes as preocupações relacionadas à medida.
Segundo o secretário, se a reforma tiver pontos contrários à desoneração do setor produtivo e à radical simplificação do sistema, toda a pasta, inclusive Guedes, será contra a medida.
"No passado, já corrigimos o caminho. O liberal é evolucionário por isso, porque é humilde a ponto de reconhecer que não é o dono da verdade. A verdade emerge do debate", afirmou.
Na quarta, o ex-secretário de Desburocratização e Gestão da pasta Paulo Uebel disse que a proposta de Guedes é um erro, não fortalece o cidadão, não limita poderes arbitrários da Receita e não reduz a carga tributária.
O texto também é combatido pelo ex-secretário da Receita de Guedes Marcos Cintra. Para ele, a medida trará efeitos nocivos.
"As pessoas jurídicas nacionais e investidores externos estão de cabelo em pé com a grande elevação dos impostos", afirmou após o envio da proposta ao Congresso.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Um mês de aluguel no ingresso, R$ 80 por uma cerveja: quanto torcedores estão pagando para estar na Copa
Operação “Cinturão Sul” cumpre mais de 40 mandados na Região Sul do ES
Megaoperação da Polícia Civil mira criminosos em 19 cidades do Sul do ES
O senador Jaques Wagner (PT-BA) atua como líder do governo Lula no Senado
Caso Master: PF cumpre buscas contra Jaques Wagner, líder do governo no Senado

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados