Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Perspectiva financeira

Posso pagar imóveis com dinheiro vivo?

Deixar dinheiro no colchão ou cofre domiciliar impede que os juros compostos façam seu trabalho de capitalizar o principal e dá combustível à inflação

Publicado em 02 de Setembro de 2022 às 10:42

Públicado em 

02 set 2022 às 10:42
Neyla Tardin

Colunista

Neyla Tardin

Na política brasileira, o dinheiro vivo, guardado em espécie, já encontrou morada em paredes ocas de casas de condomínios de luxo, em malas de viagem, na gaveta e até em cueca de senador. No fim das contas, perguntou o presidente da República, qual o problema de se pagar um imóvel milionário em cash? Vamos ao debate.
Meu papel aqui é oferecer uma perspectiva financeira dessa decisão de guardar dinheiro vivo em casa e, consequentemente, adquirir imóveis ou pagar despesas correntes vultosas com ele. Já falamos sobre isso: deixar dinheiro no colchão ou cofre domiciliar impede que os juros compostos façam seu trabalho de capitalizar o principal e dá combustível à inflação, que corrói poder de compra.
Suponha que você tenha recebido R$ 1 milhão em dinheiro vivo como pagamento por um serviço prestado por você. Deixar esse montante parado por apenas um mês na gaveta hoje é renunciar a adicionais R$ 8 mil em um mês (à taxa de 0,8%, encontrada em alguns títulos de renda fixa) e ver o principal cair 10% ao ano (IPCA acumulado em 12 meses) em função da inflação. Em resumo, é perder rentabilidade. Se parado por um ano, você perderia no mínimo R$ 100 mil no período.
Então por que um investidor ciente do tamanho do custo de oportunidade do capital deixaria dinheiro parado na gaveta ao atual patamar de juros e de inflação?
Dinheiro e imóveis
Dinheiro e imóveis Crédito: belekekin / Getty Images/iStockphoto
Em especial no Brasil, existe o retorno da impunidade, algo que não está nas estatísticas oficiais. Transacionar dinheiro vivo é deixar movimentações fora do sistema financeiro nacional. Não há nada de ilegal nisso, porém esse hábito dificulta o trabalho da Receita Federal no cruzamento dos dados. O Leão precisa saber a origem e o destino do dinheiro para que ele possa tributado. Dinheiro vivo não tem pai nem mãe.
Desde 2018, em uma norma que pegou carona no então prestígio da Operação Lava-Jato, quem recebe em espécie R$ 30 mil ou mais precisa declarar a transação ao Fisco. Quem recebe esse valor (em real ou em moeda estrangeira) deve preencher a chamada Declaração de Operações Liquidadas com Moeda em Espécie (DME).
A declaração precisa ser feita pelo contribuinte que receber acima de R$ 30 mil, não importando a origem: venda ou aluguel de produto ou prestação de serviço.
Os bancos são obrigados por lei a reportar à Receita Federal transações acima de R$ 2 mil mensais; também precisam informar quando há saques de dinheiro vivo acima de R$ 50 mil ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão responsável por investigar a origem dos recursos registrados em contas correntes.
Quem transaciona dinheiro em espécie o faz à margem da rede bancária, abrindo caminho para lavagens e laranjas, ou quaisquer outros mecanismos de sonegação fiscal. Além disso, em tempos de Pix e de modalidades digitais de pagamento, ter dinheiro na gaveta, para investidores com algum alicerce de educação financeira, é no mínimo suspeito.
Quem não declarar a DME ou a fizer incorretamente poderá pagar multa de R$ 1.500 por mês. Difícil acreditar na eficácia da medida, não acha? Vale a reflexão. Será que não é hora de endurecer de fato o cerco das transações com dinheiro vivo?

Neyla Tardin

Neyla Tardin, Ph.D em Contabilidade, consultora de empresas em Ciência de Dados e negócios, professora da Fucape Business School, jornalista e comentarista da CBN Vitória

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Investidores voltam a olhar para títulos atrelados à inflação diante do cenário de juros reais elevados
A rara janela dos juros reais: oportunidade ou armadilha para o investidor?
Imagem de destaque
Tarot do dia: previsão para os 12 signos em 16/06/2026
Imagem de destaque
Fifa inocenta juiz de VAR da Copa por suposto gesto racista; entenda a polêmica

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados