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Dinheiro

Entenda por que compensa investir no exterior

Uma breve comparação entre o índice Ibovespa e o S&P 500 demonstra a enorme disparidade entre os diferentes mercados

Publicado em 10 de Novembro de 2022 às 11:15

Públicado em 

10 nov 2022 às 11:15
Lélio Monteiro

Colunista

Lélio Monteiro

O brasileiro não gosta de investir fora do Brasil, mas isso vem mudando pouco a pouco. São diversos os motivos para que o investidor brasileiro consolidasse essa tendência de investir todo o seu recurso localmente, entre eles o nosso histórico de juros altos com baixo risco e a visão (errada) de que dinheiro no exterior é fruto de ganhos ilícitos.
Na verdade, é plenamente possível investir em ativos fora do Brasil, seja por veículos e produtos brasileiros ou em contas abertas em outros países, tudo dentro da lei e declarado ao Imposto de Renda.
É preciso lembrar que o mercado financeiro brasileiro tem pouca relevância no cenário global, mesmo sendo uma economia importante.
Em outras palavras, apesar do nosso mercado interno de renda fixa e renda variável ser razoavelmente maduro, não se compara em termos de volume, diversificação e liquidez com mercados mais desenvolvidos. Portanto, investir em outros países abre uma enorme quantidade de opções de investimento.
Investimento no exterior
Investimento no exterior Crédito: Shutterstock
Dito isso, a pergunta que os investidores interessados nesse tipo de diversificação mais fazem é se realmente compensa mandar dinheiro para fora. Uma rápida comparação entre o Ibovespa e o S&P 500 Total (ambos incluem os dividendos recebidos, não apenas a evolução das cotações), responde essa pergunta de forma muito clara.
De acordo com os dados da Quantum Finance, no período de Janeiro de 2012 até agora (novembro de 2022), o Ibovespa rendeu 96,41%, contra 87,98% do IPCA. Isso significa que a nossa Bolsa teve um resultado pífio em um período razoavelmente amplo, e que por pouco supera a inflação.
Por outro lado, o S&P 500 Total rendeu 919,07%, uma diferença bastante significativa. Basta dizer que o Ibovespa mal dobrou em termos nominais, enquanto o valor aplicado no S&P multiplicou por 10 vezes no mesmo período.
Isso explica muita coisa, incluindo o fato de que a nossa Bolsa é penalizada pelo baixo nível de crescimento que ela apresenta, e por isso é muito mais barata pelo índice Preço/Lucro do que as Bolsas americanas.
Se ainda não “caiu a ficha”, entenda o que está por trás de uma discrepância tão grande nos números. A economia americana é altamente produtiva, competitiva, com um ambiente de negócios muito mais aberto e desburocratizado, e possui um mercado consumidor interno forte e regras trabalhistas flexíveis, com ampla abertura ao comércio exterior.
A estabilidade política é muito maior, a democracia é madura e mudanças políticas tem menor influência na condução das políticas públicas de longo prazo, trazendo mais previsibilidade aos investidores.
No Brasil, as condições macroeconômicas e a instabilidade política nos fazem ter a sensação de dirigir em uma estrada estreita e esburacada, cheia de obstáculos.
Sabemos que há exceções no Ibovespa, ou seja, empresas que tiveram um bom resultado nesses 10 anos, mas via de regra são aquelas que conseguem ser competitivas e produtivas, apesar do ambiente menos propício para os negócios. No entanto, o resultado médio das empresas, em termos de crescimento e lucro, é fraco, e isso está por trás do desempenho ruim do Ibovespa.
Melhor retorno histórico com menor volatilidade (comparando apenas Renda Variável), com oportunidade de aumentar significativamente o grau diversificação e “escapar” das armadilhas do ambiente econômico e político brasileiro, já deveriam ser motivos suficientes para uma avaliação séria por parte do investidor sobre a possibilidade de se investir fora do Brasil.

Lélio Monteiro

Administrador de Empresas (UERJ), pós-graduado em Engenharia Econômica (UERJ), certificado CFP® e Ancord. 21 anos de carreira no mercado financeiro, com passagens pelo atendimento Private, Alta Renda, Gestora de Recursos, Tesouraria e Educadoria Corporativa. Desde 2018, sócio da Pedra Azul Investimentos, escritório de assessoria de investimentos sediado em Vitória-ES.

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