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Léo de Castro

Diálogo para livrar aço capixaba da sobretaxação dos EUA

Não é difícil dimensionar o impacto que causará na economia capixaba a decisão açodada dos EUA de sobretaxar a importação do aço do Brasil em 25%

Publicado em 12 de Março de 2018 às 18:28

Públicado em 

12 mar 2018 às 18:28

Colunista

A indústria capixaba é uma das mais relevantes do país e representa um terço das riquezas produzidas no Espírito Santo – 31,1% do Valor Adicionado, percentual acima de Estados como São Paulo e Minas Gerais. Embora tenhamos uma participação considerável na economia, grande parte de nosso desempenho está vinculado a poucos setores, a saber: extração mineral, petróleo e gás, construção civil, celulose e metalurgia.
Tentar compreender o crescimento da indústria capixaba e nossa história passa pelo estudo das empresas presentes há décadas no Estado, a exemplo da ArcelorMittal Tubarão. Feita a introdução, não é difícil dimensionar o impacto que causará na economia capixaba a decisão açodada do presidente dos EUA, Donald Trump, de sobretaxar a importação do aço produzido no Brasil em 25%.
Em nível nacional, a medida afetará um mercado de aproximadamente US$ 3 bilhões, considerando valores de ferro e aço exportados para os EUA – o Brasil é o segundo maior fornecedor dos norte-americanos. No Espírito Santo, a sobretaxação prejudica uma das siderúrgicas mais produtivas do mundo, que representa, diretamente, 8,8% do PIB capixaba, sustenta uma cadeia produtiva de 50 mil empregos, entre diretos e indiretos, e movimenta cerca de 11% do nosso PIB.
Além de criar obstáculos para a indústria nacional, a decisão tampouco vai gerar empregos nos Estados Unidos: os produtos semiacabados brasileiros, cerca de 81% do volume exportado, seguem para beneficiamento em solo americano – em vários casos, por empresas do mesmo grupo. O efeito imediato para a indústria americana será a redução de oferta e o encarecimento de matéria-prima, diminuindo a competitividade do setor.
Outra perspectiva grave é a desvalorização do produto no Brasil em razão do excedente de oferta global, causando desequilíbrio e colocando em risco empresas e empregos no país. Nós, do Sistema Findes, acreditamos na capacidade de diálogo do governo federal e vamos nos mobilizar por ações que excluam o Brasil da sobretaxação, uma demanda da indústria nacional e das siderúrgicas norte-americanas que dependem de nossos produtos.
 
*O autor é presidente do Sistema Findes
 

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