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Eleições 2020

Manato declara voto em Pazolini. Do Val também, mas seu partido vai com Coser

“Sou contra o PT e já tinha avisado que iria com Pazolini no 2° turno”, diz ex-deputado. Já Podemos, sigla de Do Val, declara apoio ao candidato de esquerda, enquanto senador vai com Pazolini

Publicado em 20 de Novembro de 2020 às 18:59

Públicado em 

20 nov 2020 às 18:59
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Carlos Manato aponta número de urna de Pazolini (cortado)
Carlos Manato aponta número de urna de Pazolini (cortado) Crédito: Carlos Manato

Atualização

20/11/2020 - 11:56
O título original desta coluna foi alterado para acrescentar que, diferentemente do Podemos e, como já constava no texto, o senador Marcos Do Val declarou apoio ao candidato Lorenzo Pazolini (Republicanos) na disputa pela Prefeitura de Vitória. O título anterior era "Manato declara voto em Pazolini. Partido de Do Val vai com Coser". 
O ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido) declarou apoio e voto ao deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos), contra o ex-prefeito João Coser (PT), na eleição a prefeito de Vitória. Adversário ferrenho do governo de Renato Casagrande (PSB) e leal apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-presidente estadual do PSL mandou para a coluna até uma foto em que aponta o adesivo com o número de Pazolini, colado por ele em um automóvel.
Não chega a surpreender, mas, instado a explicar as razões de sua opção de voto, Manato explica que escolheu Pazolini devido à sua afinidade de perfil político-ideológico: “[Escolhi por causa do] perfil dele. Sou contra o PT e já tinha avisado ao PRB [atual Republicanos] que, se ele fosse para o segundo turno, estaria junto. Estou ajudando como posso: amigos e redes sociais”.
Na eleição estadual de 2018, Manato foi candidato ao governo do Estado, contra Casagrande, em uma coligação de direita que reuniu o PSL (então partido de Bolsonaro), o Republicanos e o PL de Magno Malta, partido cuja preferência no 2º turno em Vitória também é de Pazolini.
Na mesma eleição, Pazolini elegeu-se deputado estadual, como o segundo mais votado do Estado, mas por outra sigla, o nanico PRP. Como o partido acabou, ele ficou sem filiação por cerca de um ano e, em abril deste ano, filiou-se ao Republicanos pra disputar a Prefeitura de Vitória.

MMA: MAGNO, MANATO E AMARO

Assim, em termos de apoiamentos, a candidatura de Pazolini passa a reproduzir, fidedignamente, aquela já mencionada coligação de 2018. No caso de Amaro e de Manato, o apoio é declarado. No caso de Magno, não. O senador mantém-se o mais discreto possível no processo eleitoral em Vitória. Mas fonte confiabilíssima da coluna, dentro do PL, garante que o partido e o ex-senador estão, sim, com Pazolini, mas não devem fazer uma declaração formal por estratégia. 

O EMBATE IDEOLÓGICO

Conforme ele mesmo demonstrou na entrevista concedida a A Gazeta nesta sexta-feira (20), Pazolini está evitando a todo custo entrar no embate de contorno ideológico contra João Coser em Vitória – isto é, transformar a reta final da campanha na Capital em uma réplica, em menor escala, da polarização entre extremos políticos, na qual ele vestiria a carapuça de “extrema direita”, enquanto Coser seria o “comunista” etc.
Mas essa estratégia de evitar levar a disputa para esse campo não foi propriamente combinada com seu mais novo apoiador. Nas redes sociais, Manato segue fazendo vários posts com esse viés. Nesta sexta-feira, enviou uma nota na qual afirma que “o início do fim dos Socialistas no ES começou”.
No último domingo, Manato conseguiu eleger prefeitos aliados, principalmente, na região do Caparaó. E é o que ele comemora na nota, intitulada “Vitória contra o Socialismo no ES”:
“Conseguimos um ótimo resultado no Estado contra o grupo do Governador Socialista do ES. Embora sem partido, ajudamos a eleger prefeitos no Sul do ES e também no Norte, além de inúmeros vereadores. O início do fim dos Socialistas no ES começou.”

DO VAL PARA UM LADO…

Filiado ao Podemos desde a metade de 2019, o senador Marcos do Val declarou apoio a Pazolini em Vitória nesta quinta-feira (19), após ter apoiado Gandini (Cidadania) no 1º turno.

VEREADOR ELEITO TAMBÉM…

Armandinho Fontoura, único vereador eleito pelo Podemos para a próxima legislatura em Vitória, também declarou apoio, nesta sexta-feira, a Pazolini contra Coser no 2º turno.

...MAS O PRÓPRIO PARTIDO PARA O OUTRO

Entretanto, a direção do próprio Podemos em Vitória decidiu declarar apoio, oficialmente, a João Coser. O presidente municipal do partido, Rogerinho Pinheiro, confirma a decisão: “Ele fez um ótimo governo em Vitória”. Vereador da Capital na legislatura passada, de 2013 a 2016, Rogerinho é o atual diretor-presidente do Instituto de Pesos e Medidas do Espírito Santo (Ipem-ES), órgão vinculado ao governo estadual – no momento, especificamente, ao governo Casagrande. Em 2018, o ex-vereador foi candidato a deputado federal, sem sucesso, na coligação liderada por Casagrande. Na época, era dirigente de outro partido, o PHS.

A POSIÇÃO DA REDE

A posição oficial manifestada pela Rede Sustentabilidade gerou dúvidas neste colunista na noite desta quinta-feira (19). A título de esclarecimento, republico na íntegra a versão final da nota enviada por representantes do partido:
“O Elo Municipal da Rede Sustentabilidade em Vitória libera sua militância para exercer suas manifestações individuais no 2° turno das eleições municipais de Vitória e orienta que seus militantes votem conforme as diretrizes do partido, entendendo que os mesmos conhecem o seu estatuto e o compromisso com os valores democráticos e direitos humanos.”
Na prática, conforme apuramos posteriormente, a Rede confirma a tendência que havíamos apontado aqui. O partido não recomenda, em hipótese alguma, que sua militância vote em Pazolini.
Por dedução e eliminação, podemos dizer que a direção do partido está liberando seus filiados para manifestações individuais, mas, implicitamente, orienta voto no ex-prefeito João Coser – embora isto não esteja explicitado na nota e embora nenhum candidato seja nominado.
Tem que se ler entre as linhas da Rede.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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