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Carta aos homens

Violência contra a mulher: bispo diz que silêncio é cúmplice e apela por denúncias no ES

Em documento publicado no último dia 25,  o bispo de Cachoeiro de Itapemirim  assinala que é preciso coragem para agir e mudar esta realidade

Publicado em 01 de Dezembro de 2025 às 09:57

Públicado em 

01 dez 2025 às 09:57
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Violência contra mulher
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
O bispo Dom Luiz Fernando Lisboa, de Cachoeiro de Itapemirim, convocou a comunidade a denunciar a violência contra as mulheres. Em um texto incisivo, em que cita as estatísticas oficiais dos variados tipos de agressões registradas no Espírito Santo, assinala que o momento é de ação.
“O silêncio é cúmplice da violência”. “Cristo nos chama para agir, a tomar atitudes e práticas para proteger vidas”. “Caso vejam sinais de violência em um amigo, colega, vizinho ou parente, não se omitam. O amor ao Evangelho não nos permite neutralidade. Jesus tomou partido pela vida, sempre. Sigamos os seus passos”, disse.
Pontua que para mudar esta realidade é preciso coragem e informa como as forças de segurança podem ser acionadas, ressaltando que a acolhida não deve envolver julgamentos ou exposições. “Acolha sem julgar, sem pressionar e sem expor”.
O bispo também pediu perdão pelo “silêncio histórico” que tolerou a violência contra as mulheres. “Precisamos, como cristãos, como homens de Deus, ouvir o clamor das mulheres, rezar por suas dores, suas histórias, suas resistências e sua esperança. Pedimos perdão pelo silêncio histórico que tantas vezes tolerou a violência”

“Não é drama social”

A divulgação da carta dirigida aos homens ocorre no momento em que diversos casos de violência contra a mulher estão sendo registrados no Brasil, sempre permeados por muita violência, como o que ocorreu em São Paulo, onde a vítima foi atropelada e arrastada pelo carro do agressor. Ela teve as duas pernas amputadas.
São situações, pondera o bispo, que mostram que o tema não é apenas um drama social. “É uma ferida moral, espiritual e humana, que marca famílias, destrói vidas, traumatiza crianças e humilha a dignidade dada por Deus a cada mulher. No rosto de cada mulher violentada, vemos o rosto Cristo Crucificado, da Igreja ferida”.
Ao citar as estatísticas criminais, destaca que por trás de cada número há uma mulher. “Com nome, rosto, história — e, muitas vezes, filhos traumatizados pelo que viram ou sofreram. A violência, como nos alertou o Papa Francisco, é uma chaga que desfigura a humanidade”.

Violência nega o batismo

O bispo convoca os homens a renunciar ao machismo, destacando que a masculinidade que o mundo ensina – baseada em poder, silêncio, agressividade, descuido e violência gera medo. E destaca que ela é contrária aos ensinamentos da própria igreja.
“Um homem que levanta a mão para ferir uma mulher, nega o batismo que recebeu”.
Para reverter esta realidade, é preciso uma mudança de atitude, observa o religioso, lembrando que ela começa nas relações cotidianas: no respeito, nos gestos de cuidado, na renúncia ao machismo, na vigilância sobre as atitudes e palavras.
E faz um apelo, como homem e pastor diocesano: “Em nome de Jesus Cristo, convertamos as nossas atitudes, palavras e comportamentos. A masculinidade de acordo com os princípios cristãos não domina, não humilha, não controla, não grita, não ameaça, não impõe medo”
No documento são citados os tipos de violência que precisam ser combatidas: violência física: agressões, empurrões, tapas, estrangulamentos, lesões; violência psicológica: humilhações, ameaças, controle, insultos, manipulação emocional; violência sexual: coerção, estupro, abuso, exposição forçada; violência moral: calúnias, difamações, controle público da vida da mulher; violência patrimonial: impedir a mulher de trabalhar, controlar dinheiro, destruir objetos, reter documentos.
Assinala que o tema precisa ser discutido na igreja. E propõe alternativas, como rodas de conversa, criação de grupos comunitários e paroquiais de enfrentamento à violência; formação para agentes de pastoral acolherem vítimas; integrar paróquias à rede municipal e estadual de proteção, entre outras sugestões.
O bispo finalizou a carta lembrando que a violência contra as mulheres também afeta as crianças. “Não podemos esquecer que crianças expostas à violência doméstica, são vítimas invisíveis. Elas carregam traumas por toda a vida. Proteger a mulher é proteger os filhos”.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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