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Morte de empresário

Mãe de 83 anos espera por justiça para filho assassinado no ES

O crime aconteceu em outubro de 2012, em Santa Maria de Jetibá; o julgamento dos réus já foi adiado cinco vezes e não há previsão de quando uma nova data será marcada

Publicado em 14 de Março de 2024 às 05:00

Públicado em 

14 mar 2024 às 05:00
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Arnaldo Tesch foi morto em 2012
Arnaldo Tesch foi morto em 2012 Crédito: Arte: Geraldo Neto
Em frente à casa de Maria Tesch há um pequeno monumento. É lá que ela pede, todos os dias, que seja feita justiça para o filho, o empresário Arnaldo Tesch, 36 anos, assassinado há quase doze anos. E não há expectativa de quando será marcada a data do julgamento das duas pessoas apontadas como mandante e executor do crime.
“Eu tenho 83 anos e o que mais desejo de todo o meu coração, antes de partir desta vida, é saber que a justiça foi feita para o meu filho”, relata a mãe.
O empresário Arnaldo Tesch, 36 anos, realizava o sonho de expansão de sua fábrica de pallets, localizada a poucos metros da casa de sua mãe, na região de Córrego do Ouro, em Santa Maria de Jetibá, Região Serrana do Estado. “Ele trabalhava muito, começava às 4h e seguia até 22h. Era muito dedicado”, conta o irmão, Lourival Tesch.
Era por volta das 20 horas. Arnaldo estava na fábrica quando foi emboscado e morto com uma facada nas costas, em 10 de outubro de 2012. Desde então a família luta para que o julgamento dos que foram denunciados pelo crime aconteça.  “É uma revolta e uma decepção muito grande com a Justiça, que não está sendo feita. Já fizemos tudo o que era possível”, desabafa Lourival.

Prisões

Semanas após o crime, a esposa do empresário, Gilvana Pires Pereira Tesch, na época com 35 anos, e o pai dela, Remi Pereira dos Santos, aos 60 anos na ocasião, foram presos pela Polícia Civil acusados de planejar a morte de Arnaldo.
Os dois foram denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), ela como mandante e o pai como executor. A motivação seria a vontade de Gilvana de se separar do empresário, processo que não chegou a ser concretizado.
Consta ainda que, após desistir da separação, Gilvana conseguiu que o empresário fizesse seguros de vida com valores altos em seu nome. Logo após a morte, a Polícia Civil informou que a viúva sacou o seguro de vida de Arnaldo no montante de R$ 700 mil, em 2012.
A Justiça estadual aceitou a denúncia do MPES contra Gilvana e Remi e em 2015 eles foram pronunciados - decisão que os encaminha para enfrentar o Tribunal do Júri (júri popular). Desde então, diversos recursos foram feitos até aos tribunais em Brasília.
Outros três suspeitos de invadirem a fábrica e matarem o empresário não foram identificados pela polícia. A informação é de que existe um inquérito policial ainda em aberto. “O que aconteceu com esta investigação? Há imagens das câmeras que mostram a ação deles e ajudaria muito se fossem identificados”, assinala o advogado Apolônio Cometti, que atua como assistente de acusação representando a família no processo.

O vai e vem dos julgamentos

Ao longo dos anos houve um vai e vem de julgamentos, que foram adiados cinco vezes. Em 2019, por suspeitas de que não haveria imparcialidade do júri em Santa Maria de Jetibá, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o processo seria desaforado (retirado) da comarca onde ocorreu o crime, e transferido para Vitória. Na Capital o júri foi adiado duas vezes.
“Foi um crime hediondo, praticado com requintes de premeditação”, relata Cometti. Ele destaca que para a família, principalmente a mãe, que ainda não se recuperou da perda do filho, esta longa espera pelo agendamento de um julgamento, sem data prevista, é destrutiva.
Uma situação semelhante à fábrica que era o sonho de Arnaldo. O espaço, que chegou a ter mais de cem funcionários, está abandonado. E os equipamentos que não foram penhorados estão sendo corroídos pela ferrugem. “Aguardando uma definição do julgamento e dos bancos”, relata o irmão da vítima.
Remi Pereira dos Santos está sendo representado pela Defensoria Pública, segundo o site do TJES, e não foi possível localizar o responsável pelo caso. A coluna não obteve retorno da defesa de Gilvana Pires Pereira Tesch.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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