Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Ano violento

Especialistas mostram caminhos para enfrentamento do feminicídio no ES

As experiências de profissionais foram reunidas em livro por promotores do Espírito Santo e Rio de Janeiro, a última cuidou das investigações do caso Marielle

Publicado em 29 de Agosto de 2024 às 03:30

Públicado em 

29 ago 2024 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Livro sobre feminicídio
Crédito: Arte - Sabrina Cardoso com Microsft Designer
Desde o início do ano, 27 mulheres tiveram seus futuros roubados no Espírito Santo por parceiros ou ex-parceiros que acreditavam ter algum direito sobre seus corpos e suas vidas. Foram mortas com tiros, facadas, espancamentos. Executadas pelo simples fato de serem mulheres. Um cenário que leva a um questionamento: o que fazer não só para garantir justiça às vítimas de feminicídio, mas impedir novos casos?
As experiências de diversos profissionais — como magistrados, delegados, peritos, advogados, funcionários públicos, promotores, policiais militares, entre outros — no combate à violência de gênero, foram reunidas em um livro, com as várias frentes de luta contra esse crime.
“Este livro nasce da necessidade urgente de entender o feminicídio em todas as suas dimensões — legais, sociais, psicológicas e culturais — para melhor prevenir e combater essa violência”, destaca o promotor Rodrigo Monteiro, que atua no Tribunal do Júri de Vitória.
O trabalho foi desenvolvido em parceria com a também promotora do Rio de Janeiro, Simone Sibilio do Nascimento, que entre os anos de 2018 e 2021, esteve à frente das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL). Juntos reuniram as experiências de diversos profissionais no país que atuam na luta contra o feminicídio em diversas áreas.
O livro foi dividido em 21 artigos, com abordagens multidisciplinares sobre o tema. A proposta, segundo os dois promotores, é aprofundar a discussão sobre o feminicídio. Relatam que são abordados desde aspectos técnicos da investigação policial até reflexões sobre o papel da mídia e a legislação vigente.
“Essa diversidade de perspectivas é essencial para compreender a complexidade do feminicídio e as várias frentes de luta contra esse crime”, aponta Monteiro.
Ele acrescenta que o objetivo é colaborar com a produção de provas. “Traz reflexões e orientações práticas que podem auxiliar na investigação dos processos relacionados aos casos de feminicídios e para a atuação de profissionais de direito, saúde e segurança pública, tornando-se uma ferramenta indispensável para a formação e atuação desses profissionais”, pondera.

Guerreiras de Jardim Carapina

Todos os recursos que vão ser angariados com a comercialização dos livros vão ser destinados ao coletivo Mulheres Guerreiras, com atuação em Jardim Carapina, na Serra. O grupo foi criado em 2020 após o feminicídio de Shirley Simões, 31 anos, em Guarapari, cometido pelo ex-companheiro.
“Ela trabalhava com uma de nossas amigas e decidimos nos mobilizar”, relata a presidente do grupo, Camila Lopes.
Logo depois elas descobriram que outras mulheres foram vítimas da mesma violência no bairro. “Contamos mais de 11 vítimas nesta situação, uma delas a Maria Madalena dos Santos, de 38 anos, morta pelo ex-marido em 2019 e moradora do nosso bairro. A irmã dela, Liliene, ainda está no coletivo”, relata Camila.
Desde então, o coletivo vem se dedicando à luta contra o feminicídio e violência doméstica. O trabalho é desenvolvido por 13 mulheres voluntárias que atendem e auxiliam vítimas de abusos e violências, com ações que vão de assistência psicológica e jurídica a capacitação para geração de renda.
Ela relata que o apoio da comercialização da venda dos livros será muito importante para o coletivo. “Não temos renda. Tudo o que fazemos é com a colaboração das integrantes. Vai ser uma ajuda importante para o trabalho na comunidade”, relata.
Livro sobre feminicídio
A venda do livro será destinada à ONG na Serra Crédito: Arte - Sabrina Cardoso com Microsft Designer

Lançamento

“Enfrentando a tempestade. Caminhos para vencer o feminicídio” será lançado às 17h30 desta quinta-feira (29), às 17h30, no auditório  da sede do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), em Santa Helena. O prédio está localizado  na Rua Procurador Antônio Benedicto Amâncio Pereira, 121.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Messi Argentina
Messi faz história e Argentina vence a Argélia na estreia da Copa do Mundo
“O Espírito Santo é um dos melhores estados para criar startup”, diz diretor da Quartzo
Haaland marca dois gols na vitória da Noruega sobre o Iraque na Copa do Mundo
Haaland faz 2 à la Haaland em vitória da Noruega na estreia da Copa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados