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Júri em Vitória

Assassinato do “chefe do morro”: sete vão ser julgados pelo crime

O homicídio foi um dos casos que ocorreram no Morro da Piedade, em Vitória,  no ano de 2018, e que resultaram em 8 mortes e 2 tentativas de homicídio

Publicado em 18 de Julho de 2024 às 03:30

Públicado em 

18 jul 2024 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

walace
Crédito: Sabrina Cardoso com Microsoft Designer
Era por volta das 6h quando Wallace de Jesus Santana foi executado a tiros. Seu corpo caiu no mesmo local onde, anos antes, sua tia também foi morta. Para ele encerrava um ciclo de violência, marcado por vários parentes assassinados, o que o levou a participar ativamente da criminalidade. Uma trajetória de soldado raso do tráfico de drogas até o posto de chefe da Piedade, em Vitória, sendo conhecido como o braço direito do “dono do morro”.
O homicídio aconteceu no dia  10 de junho de 2018, quando ele estava com 26 anos. Na sequência sua família foi expulsa do bairro e teve a casa incendiada, reproduzindo o que Wallace tinha feito no passado, ao impedir que alguns moradores permanecessem na comunidade após seu grupo assumir o comando da região.
A investigação policial, em 2018, relatou que um grupo fez ameaças aos moradores, gritando pelo morro e exigindo a saída de todos os familiares das pessoas que comandavam o tráfico local, e dando um prazo de 30 dias para que que se retirassem. Nos meses que se seguiram, a guerra entre os traficantes fez com que dezenas de famílias abandonassem suas casas na Piedade.
O crime do chefe do morro faz parte de um contexto de várias mortes ocorridas no bairro, e que tiveram início em março de 2018. Os primeiros foram os irmãos Damião Marcos Reis, 22, e Ruan Reis, 19, mortos porque não sabiam a localização do chefe do morro.
Dois meses depois foi assassinado Aladir de Oliveira Filho, apontado pela polícia como um dos homens que colaboraram no assassinato dos irmãos Reis. E teria sido morto por Wallace. 
 No dia seguinte, outro crime, Lucas Teixeira Verly, de 19 anos, foi assassinado durante outro ataque. E em junho foi a vez de Wallace. Pouco mais de seis meses depois, outro ataque e mais três mortos. Dois feridos conseguiram sobreviver.
Wallace era apontado como braço direito do "dono" do morro, João Paulo Ferreira Dias, o JP, líder da família que dominava o tráfico na região. Para manter o domínio haviam expulsado vários moradores e traficantes, que retornaram e deflagraram o conflito para recuperar o território.
Na decisão de pronúncia, que encaminhou sete pessoas para o Tribunal do Júri, foram citados relatos de que o grupo que matou Wallace chegou ao morro um dia antes do crime.
Ficaram a noite toda expulsando e agredindo moradores; que alguns indivíduos estavam encapuzados, mas não foram reconhecidos por não serem moradores do bairro; e que o propósito dos réus era retomar o tráfico de drogas da região”, é dito no texto.
Os crimes das noites sangrentas da Piedade possuem muitos réus, e os julgamentos se arrastam em decorrência dos vários pedidos de adiamento. Para o caso de Wallace, o júri está previsto para ser realizado a partir das 9 horas desta quinta-feira (17), no Fórum Criminal de Vitória.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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