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Brasil

Os recados da democracia para Bolsonaro na posse de Alexandre de Moraes

O mais belo de se ressaltar é que, por mais que se tentem, com falácias ou inverdades, subverter a lógica das coisas, fato é que a força de blindagem da democracia vem das instituições e da sociedade civil organizada

Publicado em 22 de Agosto de 2022 às 02:00

Públicado em 

22 ago 2022 às 02:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Posse de Alexandre de Moraes no TSE
Posse de Alexandre de Moraes no TSE Crédito: Antonio Augusto / TSE
No dia 16 de agosto, um momento ímpar foi vivenciado e assistido no e pelo Brasil. A posse do ministro constitucionalista Alexandre de Morais como presidente do Tribunal Superior Eleitoral foi um ponto fora da curva, considerando as anteriores.
A cerimônia, de denotada participação ampliada e significativa, foi preparada artesanalmente, e conforme muitos já analisaram, teve um roteiro de causar inveja a Steven Spielberg. Na ágora estavam, além de todos os integrantes do Supremo Tribunal Federal e os chefes dos Três Poderes da República, vinte e dois governadores e quatro ex-presidentes.
Mesmo sendo interessantíssima a análise de posicionamento dos players que lá estavam, o destaque que damos é ao discurso do presidente que era empossado. Discurso esse que tinha destinatário certo.
O destinatário do discurso, o atual chefe do Poder Executivo Federal, com constrangimento flagrante no centro da arena de confronto, estava cercado de variados atores que, num confronto inevitável e necessário, recebeu o recado claro que o jogo político e eleitoral só é possível e legítimo dentro das quatro linhas do Estado Democrático de Direito, e que a institucionalidade protege os valores democráticos, tão caros para todos.
O recado da democracia acontece por meio das instituições. Por meio de aplausos ou silenciamentos que aconteceram no ambiente tivemos clareza de quem está disposto a caminhar pela estrada da responsabilidade cidadã e da garantia de direitos fundamentais, e quem não está.
O mais belo de se ressaltar é que, por mais que se tentem, com falácias ou inverdades, subverter a lógica das coisas, fato é que a força de blindagem da democracia vem das instituições e da sociedade civil organizada, que têm deixado claro que não cabe mais flerte com fascismos e com a necropolítica. Quem experimenta o flanar democrático e da amplitude dos direitos não aceita mais o vociferar desesperado daquele que é arauto da terra arrasada.
Aquela noite de terça-feira de agosto, os brados que soaram, em alto e bom tom, vindos do cerrado do planalto central, não deixam dúvidas que não topamos mais celebrar a estupidez humana, a juventude sem escola, crianças mortas, fome, desunião, mortos por falta de hospitais e vacinas, trabalho escravo, armamento, epidemias e a indiferença. E mais, não queremos mais alimentar a maldade, machucar o coração, e ainda precisamos voltar a celebrar nossa bandeira, que é de todos e todas.
Isso tudo, porque, como bem compôs e cantou os meninos da Legião Urbana, nosso coração está com pressa, a esperança estava dispersa e não aguentamos mais maldade e ilusão. E que venha um novo tempo, em que o amor terá sempre a porta aberta, com a chegada da primavera, o futuro recomeça e, mesmo que não seja perfeição, será um tempo de vida democrática e de garantia de direitos.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Pública

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